terça-feira, 8 de dezembro de 2020

Porque não sou mais protestante - POSTAGEM ATUALIZADA!

Abaixo deixo intacto o texto antigo que tinha sido postado. Aqui no começo falarei de mais coisas complementares.

INTRODUÇÃO DO JOGO SILENT HILL PARA PS1 (1999)



Recentemente assisti a um filme baseado em um jogo que joguei na minha infância e pré-adolescência. Silent Hill (1999) foi lançado para Playstation e é claramente inspirado na trilogia de enorme sucesso Resident Evil também para o mesmo console. Mas o filme é um pouco diferente do jogo, apesar da história ser praticamente a mesma. A franquia faz um enorme sucesso até hoje e o primeiro jogo é ainda tido como um dos jogos de terror mais aterrorizantes de todos os tempos. A trilha sonora é um espetáculo.

Terror em Silent Hill (2006) é um filme de suspense e terror psicológico. Não vou contar a história pois quero que você assistia ao filme. Mas basicamente o tema é o mal que a má religião faz no mundo. Entre outros temas está a posição inferior da mulher na civilização, o sistema macabro e injusto de valores corruptos em que vivemos. Mas o que chama a atenção mesmo, e o filme deixa claro que quer nos fazer pensar sobre isso, é o ato de Julgar, Condenar e Criticar que a religião cristã, especialmente as seitas protestantes (evangélicas) promovem e suas consequências nefastas na psiqué humana e na sociedade em geral. 



AO longo do filme vamos sendo inseridos no interior de uma comunidade religiosa protestante no interior dos EUA, fundada através da destruição e deturpação de um culto indígena nativo-americano. Os personagens principais não sei porque  tem sobrenome brasileiro (da Silva).

Alguns aspectos do mito gnóstico são inseridos na história tanto do jogo quanto do filme. No final do jogo temos elementos da kabala, enquanto no filme Sharon e Alessa parecem ser os dois aspectos da Sophia gnóstica, sendo Alessa a responsável por dar a luz ao ser demoníaco Samael. Sharon (Cheryl no jogo) representa claramente o aspecto puro e inocente de Alessa, enquanto a Alessa parece ser a Sophia caída em pecado causando o mal no mundo. No final do Jogo Alessa se arrepende e tenta ajudar os protagonistas, destruindo Samael.

Muita psicologia é tratada no filme, como na constante frase dita "a Mãe é Deus aos olhos dos filhos". A história mostra como Dahlia errou ao entregar Alessa para a seita religiosa, e todo o horror em Silent Hill foi causado por Dahlia não ser uma boa mãe. Apesar disso, Dahlia também foi vítima de uma sociedade que a julgou e condenou por um erro tão pequeno: engravidar solteira. Mas ao invés de enfrentar o mal e evoluir, Dahlia se entregou à seita religiosa e acabou o resto da vida se remoendo se autodestruindo em remorsos e virando uma figura grotesca e atormentada que lembra o Sméagol de Senhor dos Anéis.



Voltando à questão do protestantismo, o filme mostra uma seita religiosa extremamente parecida com uma igreja evangélica conservadora típica onde os fiéis ficam obcecados com o fim do mundo e o Apocalipse. As passagens de 1 Corintios 6:2-3 (os justos julgarão o mundo e os anjos), Salmos 34:21 e várias do Apocalipse mostram a obsessão daquelas pessoas com o fim do mundo e o pecado. Trata-se de uma seita Puritana. Os puritanos eram assim chamados os calvinistas (reformados, presbiterianos) da Inglaterra, cuja pregação consistia em um rigor moral contra o que eles consideravam pecado, em pregações públicas e inflamadas, com forte apelo e ênfase no pecado e na morte. Eles migraram em massa para os EUA e foram muito responsáveis pelo genocídio dos índios nativo-americanos. Várias denominações protestantes diferentes adotaram essa mentalidade puritana mesmo não sendo reformadas/calvinistas.

O enredo de Silent Hill me chamou muito a atenção pois eu cresci em uma seita puritana. Sei bem como funciona sua "lógica" interna e vivenciei na carne as consequências nefastas de suas doutrinas macabras. Por isso é impossível não detestar os evangélicos e seu mundo cinza e macabro de pecado e morte.



Os puritanos se acham Santos, escolhidos e filhos de Deus. Mas não porque são boas pessoas. Eles não são boas pessoas e sabem disso. Para o protestante e puritano, ser honesto, compassivo e misericordioso não significa nada, pois o cristianismo não é isso. Cristianismo é lei, é regra, rigor, dogma, pena, julgamento e condenação. Você tem que "aceitar" Jesus senão está condenado, não importa quão perfeito e honesto você seja, de nada vale ser bom, o que vale e se submeter à Lei sem pestanejar. 

Eles se acham Santos e Escolhidos porque aceitaram e reconheceram que Jesus é o senhor, que a bíblia é sua palavra, pagam dizimo e obedecem cegamente ao pastor e às doutrinas da seita. Quem não vivenciou esse universo religioso pode ter dificuldade de entender isso. O protestante acha que TUDO é pecaminoso. Incute-se no nosso cérebro uma obsessão doentia pelo pecado. Ficamos com medo de tudo: ouvir música "mundana", ler um livro do Harry Potter, comer comida de festa junina que tenha sido "oferecida aos ídolos pagãos" (o Apóstolo João é um deus pagão na mentalidade evanjegue), falar palavrão (merda e bosta não é palavrão, mas desgraça e desgraçado é) e etc. Eles acham que devem odiar o pecado, e isso significa ser uma pessoa odiosa, nervosa e agressiva com todos que estejam "cometendo pecado" e ter o dever de REPREENDER, JULGAR E CONDENAR o "pecador", esbravejando de ódio. A pessoa se torna um paranoico louco doentio a procura do pecado, com medo de Jesus queimá-lo vivo no exato momento que estiver cometendo um pecado mínimo que seja.

Acontece que todo mundo comete os tais "pecados" inventados pelo falso cristianismo bíblico protestante. Isso inclui eles mesmos. Eles encarnam perfeitamente o conceito de HIPÓCRITA. Não conseguindo largar o pecado, o protestante puritano, seja ele presbiteriano, batista ou pentecostal, desenvolve dotes de espião e camuflagem no nível de James Bond, escondendo e limpando todo rastro de seus pecados: idas ao puteiro, bebidas e cigarros, masturbação (não que essas primeiras sejam errados, eles que dizem que são pecados mas cometem mesmo assim pois são vagabundos hipócritas mentirosos), roubos e furtos, mentiras, manipulações, maldades, provocações, ira, inveja, ciúme, irreligiosidade, gula, avareza, soberba, prepotência, falta de amor, frieza...

DAHLIA, NO FILME, COMETEU MUITOS ERROS MAS TAMBÉM FOI VÍTIMA DE UMA SOCIEDADE CONSERVADORA E DE UM CULTO RELIGIOSO PURITANO. 

JÁ NO JOGO, DAHLIA É A GRANDE VILÃ. É UMA MÃE EXTREMAMENTE ABUSIVA QUE ENTREGOU DE BOM GRADO SUA FILHA PARA QUE SOFRESSE TERRÍVEIS TORTURAS. DAHLIA É A LÍDER E SACERDOTISA DA SEITA FANÁTICA E RESPONSÁVEL POR TODOS OS HORRORES DE SILENT HILL. DAHLIA MANTEVE ALESSA SOB TORTURAS POR ANOS A FIM DE REALIZAR O NASCIMENTO DE SAMAEL E ISTO É UMA CLARA ANALOGIA DA TORTURA QUE OS CRISTÃOS COMETEM CONTRA SEUS FILHOS EM NOME DE SEU FANATISMO RELIGIOSO E SUAS CRENÇAS ESTÚPIDAS E CONTRADITÓRIAS, CAUSANDO INUMERÁVEIS TRAUMAS PSICOLÓGICOS E DESTRUINDO FUTUROS. DAHLIA ESPANCAVA E TORTURAVA ALESSA POR ELA NÃO QUERER ORAR E ACREDITAR EM SEU DEUS.

As pessoas de Silent Hill membros da seita confundiram e deturparam o rito indígena, passando a adorar o demônio Samael e a cometer atrocidades em seu nome. Chegaram ao absurdo de torturar uma menina virgem capaz de ter filho pois o mito dizia que essa menina deveria sofrer muito para que o ritual onde ela daria Luz a Deus e no qual a salvação chegasse ao mundo desse certo. Mas Alessa, presa e torturada no Hospital, percebeu que um Deus bom jamais poderia surgir através de tantas atrocidades e maldades. Então dividiu sua alma em duas partes, colocando outra parte em um bebê que viria a ser Cheryl e abandonando esse bebê fora de Silent Hill para que pudesse sobreviver, assim impedindo o ritual de se concretizar e impedindo Samael de chegar ao mundo. Ora, isso é explicitamente retirado do mito gnóstico de Sophia e seu filho demoníaco Yaldabaoth. Além disso é uma crítica aos cristãos, que supostamente adoram um deus Bom e são os pregadores do bem, mas as atitudes dos cristãos mostram o contrário. Um deus Bom jamais teria seguidores como os cristãos, pois os cristãos são preconceituosos, ignorantes, fanáticos, maldosos, avarentos, egocêntricos, caluniadores, corruptos, vivem para julgar e condenar, cometem atrocidades, são hipócritas, resumindo, os cristãos são adoradores do Diabo ao invés de Deus pois suas atitudes mostram que servem a Satanás. Portanto o filme e o jogo estão abertamente criticando o cristianismo como uma imensa porcaria sustentada por hipócritas doentios. O cristianismo é uma seita suja de hipócritas que destroi as almas das pessoas e transforma a sociedade num inferno.

A atmosfera macabra de Silent Hill é muito parecida com a atmosfera macabra de uma seita protestante, de uma família protestante. Você sente e vê que tem algo de errado com aquelas pessoas. Elas não são boas. Não são puras. Se acham muito justas, muito santas, acham que irão julgar o mundo e condenar os anjos... Elas são na verdade monstros, como as diversas criaturas do mundo paralelo de Silent Hill. Os monstros no Jogo e no Filme simbolizam os aspectos da mente e traumas de Alessa e muitos deles são as pessoas da cidade que fecharam os olhos para os horrores que a seita protestante cometia com o aval das autoridades, hospital, delegacia de polícia, prefeitura... Uma cidade inteira contaminada pelo protestantismo, pelo puritanismo, só poderia virar um cenário de terror. 



Alessa enquanto criança sofreu bullying de outras crianças da seita, fugiu para não apanhar e foi parar no banheiro da escola onde sofreu abuso sexual do faxineiro, também membro da seita. O monstro do banheiro que tentou matar a Rose representava esse aspecto horrível da história de Alessa.

Tudo isso me faz lembrar de Nietzsche. Ele cresceu em uma igreja evangélica e estava estudando para ser pastor. Quando finalmente acordou para o mar de podridão que o protestantismo era, ele se tornou um anticristão, ferrenho adversário da imundície cristã. Tenho severas críticas à obra de Nietzsche, principalmente sobre os aspectos niilistas, sobre a questão social e as classes e sobre o que ele dizia a respeito de budismo e outros temas. Mas em suas obras O Anticristo e Assim Falava Zaratustra ele discorreu sobre temas essenciais (que já haviam sido detectados por Gimnosofistas indianos e gnósticos cristãos na antiguidade) como a questão do sistemas opressores de valores que criamos e mantemos, a malignidade da casta dos Sacerdotes - os grandes responsáveis pela maior parte das desgraças do mundo - e, principalmente, a porcaria imunda que é o cristianismo protestante, a hipocrisia de seus adeptos, o estágio involutivo a que essas igrejas e seitas cristãs levam as pessoas e outras coisas que eu concordo totalmente.

Mas o que Nietzsche não detectou era que o grande inimigo do cristianismo estaria dentro dele mesmo, não fora. Se ele tivesse vivo hoje com certeza ficaria espantado em ver o que o puritanismo se tornou. Para Nietzsche o cristianismo iria morrer ao invés de mudar, de tão podre que era. O puritanismo cometeu tantas atrocidades na Terra que os próprios cristãos se tornaram anticristãos e ateus... Mas não todos. Os sacerdotes puritanos tem se tornado revolucionários e libertadores e o conhecimento dos sistemas opressores que nos condicionam se multiplicou enormemente. A injustiça e a podridão do cristianismo está sendo exposta e gradualmente a europa tomou ojeriza do cristianismo. Nas américas nunca o cristianismo esteve mais paganizado e o sincretismo e indiferentismo religioso avançam exponencialmente. Na ásia o cristianismo que cresce é a versão esquerdista da libertação, esvaziada da imundície conservadora e tradicional. Por que?

O protestantismo é baseado no ódio. E o ódio o consome. É baseado na obsessão pelo pecado, e a obsessão pelo pecado a consome. Quando uma criança cresce nesse tipo de seita puritana é como se a vitalidade dela fosse arrancada artificialmente. Uma hora ou outra ela acorda, percebe que foi manipulada, cresceu em um sistema falso de crenças e valores criado artificialmente e que só destrói a vida das pessoas. E todo aquele ódio, julgamentos e condenações, obsessão doentia com pecado se transmuta em ódio ao cristianismo, julgamento do cristianismo, condenação do cristianismo e obsessão em destruir o cristianismo. Eu chamaria isso de Carma, Lei do Retorno e Ação e Reação.

Os evangélicos são podres e imundos, como Nietzsche disse. Seus pastores são a pior raça que pode existir no universo e deveria ser exterminada sem piedade. Não tem como discordar de Nietzsche. Mesmo graças a Deus afastado dessas seitas vagabundas do inferno, ainda tomo conhecimento das ladroagens, vagabundices que esses malditos pastores tem cometido contra pessoas próximas, destruindo vidas, praticando crimes, todo tipo de canalhice em nome de "deus". O pior é ver tanta gente burra que segue esses falsos líderes mesmo estando na pindaíba. O que os protestantes e puritanos e evangélicos fazem é um tipo de lavagem cerebral em conjunto com ameaças de maldições, para manipular e destruir a pureza das pessoas. Assim destruídas, os crentes viram monstros e começam a perseguir e destruir toda a sociedade. Assim fizeram os monstros de Silent Hill, assim fazem os evangélicos.





O PURITANISMO HOJE

Hoje as igrejas reformadas e presbiterianas da Europa e EUA são progressistas em grande parte, aceitando inclusive a homossexualidade e a eutanásia e já não proíbem alcool ou tabaco ou ficam impondo regras sobre roupas e cortes de cabelo. Na Holanda (Países Baixos), os reformados defendem até mesmo o uso recreativo da Maconha. Os puritanos conservadores só decrescem em números dia após dia. Já na américa latina o puritanismo chegou com força através das igrejas pentecostais de bairros pobres e favelas e teve um "boom" nos anos 90 e começo dos 2.000, mas esse movimento está perdendo cada vez mais espaços para as mega-igrejas neopentecostais que pregam teologia da prosperidade e são cada dia mais laxas moralmente. Parece que a "verdade" pregada pelos monstros e aberrações de Silent Hill não resiste ao tempo.

Sobre aceitação da população LGBT e ministras mulheres, as igrejas de origem puritana histórica que hoje aceitam membros e pastores LGBT e realizam casamentos de mesmo sexo nos EUA são: United Church of Christ, Presbyterian Church USA (PCUSA), Reformed Church in America, Christian Church (Disciples of Christ), e outras.

Outras igrejas de origem não-puritana que aceitam mulheres ministras e LGBT são: The Episcopal Church, Evangelical Anglican Church in America, Alliance of Baptists, Cooperative Baptist Fellowship, Evangelical Lutheran Church in America, United Methodist Church, Affirming Pentecostal Church International, Affirming Apostolic Pentecostals, Unity Church, Mennonite Church USA, Moravian Church in America, Restorarion Church of Jesus Christ, e outras.

A Presbyterian Church PCUSA é a MAIOR DENOMINAÇÃO PRESBITERIANA dos EUA. Além disso, a United Church of Christ é uma denominação bem grande e com missões no mundo todo, com mais de 800.000 membros:


Logo, concluímos que Nietzsche errou. Não é preciso assassinar nenhum sacerdote. É preciso reeducá-los e mostrar que eles também são vítimas do sistema religioso e se tornam monstros, destruindo vidas. O cristianismo não precisa ser destruído, mas sim transformado: de religião do ódio para religião do amor. De religião da alienação para religião da consciência. De religião das trevas para religião da luz. O mal que o cristianismo causou na humanidade, as feridas todas estão abertas mas é possível cicatrizá-las com a educação, a humanização e o amor, o que mais falta no cristianismo é o amor, pois está fundamentada no ódio e na obsessão pelo pecado.

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A banda alemã Rammstein, de extremo sucesso comercial na Europa e no mundo,  mostra bem o resultado de tanto puritanismo na Europa. O clipe abaixo da música PUSSY é esclarecedor do que os alemães hoje acham do puritanismo. Aviso: conteúdo extremamente EXPLÍCITO:


Rammstein - Pussy from Sylsebkic on Vimeo.


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Texto antigo:

Tendo sido criado no protestantismo, mais tarde já na vida adulta passei para o catolicismo durante quase um ano, depois para a igreja ortodoxa durante quase 2 anos. Não dá para considerar que passei por espiritismo, hare krishna, nova era, wicca e outras religiões minoritárias pois apenas visitei uma ou duas vezes apenas e não me identifiquei com nenhuma. Também passei por escolas esotéricas como Teosofia e Rosacruz, não me identificando com nenhuma.

Por ter sido criado no protestantismo, essa foi a vertente que mais impacto teve na minha vida, tanto positivos quanto negativos. Vários apegos, traumas, obstáculos, problemas psicológicos, entraves, sofrimentos e medos, alguns dos quais levemente me assombram hoje ainda em alguns momentos, foram causados pela criação protestante que sofri. No entanto essa opressão me foi positiva porque ganhei o benefício da dúvida e pude me desencantar com as doutrinas falsas. Se fosse o contrário, um convertido em fase adulta, talvez ainda estaria preso na ignorância dessas crenças malignas.

Apesar de minha família ter bastantes amigos e conhecidos de outras denominações tradicionais, cresci num lar batista tradicional que passou pelo "avivamento" pentecostal, se tornando uma igreja batista "renovada". Assim sendo, por mais que tenha crescido pentecostal, minha educação religiosa foi baseada em teólogos do protestantismo batista tradicional. Com a adolescência veio a crise religiosa e existencial, o que me fez estudar as denominações protestantes todas, visitá-las e conhecer suas doutrinas. Esse foi o começo do caminho que me tirou do protestantismo e me levou ao catolicismo romano. Mas não vou contar a minha história aqui, mas criticar as doutrinas protestantes tendo como ponto de vista o Gnosticismo que acredito e pratico.




PROTESTANTISMO EM GERAL

A Reforma Protestante foi um importante evento para a história do mundo e, graças a ela, vários textos gnósticos puderam ser redescobertos sem o perigo de que a igreja católica os sequestrasse e destruísse. Além disso ela trouxe vários benefícios para a sociedade em geral, como a separação entre igreja e Estado, liberdade religiosa (nem sempre, mas em geral trouxe sim mais liberdade), alfabetização e educação das massas, acesso à informação e conhecimentos, discussões políticas e desenvolvimento da ciência política, de modelos republicanos, democráticos, de participação popular, pluralismo e etc. Graças a todas essas coisas em certo ponto podemos dizer que a Reforma foi boa para a evolução do espírito humano e quebra de sistemas de controle.

No entanto, grande parte das seitas protestantes fazem o contrário. Além disso muitos dos seus dogmas são contrários à Verdadeira Espiritualidade e blasfemam de Deus, transformando a religiosidade em uma tortura psicológica e Deus em um monstro ditador.


UMA RELIGIÃO TARDIA E DUVIDOSA

É no mínimo DUVIDOSO que um ramo religioso fundado 1.500 anos depois de Cristo tenha alguma validade. O gnosticismo é primitivo e existe desde o tempo dos "apóstolos" da bíblia. É realmente ridículo um protestante falar do gnosticismo como heresia, sendo que a Gnose é primitiva e o protestantismo é da Idade Moderna!!! Isso é realmente um cúmulo, uma verdadeira palhaçada esses bebês pretenderem ser a igreja verdadeira. 

Como leitor da bíblia protestante sei bem que seus fundamentos são refutados por sua própria bíblia.


A IGREJA DEIXOU DE EXISTIR

A primeira coisa que refuta o protestantismo é sua crença de que a igreja apostasiou e deixou de existir, para ser refundada 1000 e tantos anos depois de Cristo por Lutero. Isso é uma heresia antibíblica das mais notórias. Em Mateus 16:18 Jesus diz a Pedro que as portas do inferno nunca prevalecerão contra a Igreja. Os protestantes ensinam que prevaleceu e por mais de mil anos! Jesus prometeu a existência da Igreja até os fins dos dias. Os protestantes negam essas palavras de Jesus, negando a própria bíblia e o mestre que dizem seguir.


A BÍBLIA FALSA DE JUDEUS ANTICRISTÃOS

A bíblia protestante é a mais ridícula de todas as bíblias que existem e seu Velho Testamento é adorado pelos judeus, que tanto odeiam a Cristo.

Na época de Jesus não havia cânon estabelecido para judaísmo e cada ramo tinha seus próprios escritos, além de tradições orais. Assim os saduceus só criam na Torá. Os fariseus criam na Torá e nos Profetas. Os Essênios tinham uma miríade de textos a mais. Os Samaritanos só aceitavam as suas versões da Torá e rejeitavam toda a tradição dos fariseus e saduceus. E assim por diante.

Qual a bíblia que Jesus usava então? Primeiro que não existia bíblia. Segundo que, se Jesus ataca os fariseus e saduceus, ele não concorda nem com eles nem com suas escrituras e tradições. Jesus não só andava com Samaritanos como os defendia de preconceito e discriminação, o que demonstra que Jesus não era samaritano mas respeitava-os e suas crenças, apenas não comungava delas. Jesus não fala nada contra os Essênios e ainda por cima cita e usa textos e tradições apócrifas que não só eram usados como Escritura pelos Essênios mas foram reencontrados nas Cavernas de Qumran! Não resta dúvida de que Jesus era, de fato, um essênio ou um membro de uma seita derivada dos essênios. Tanto Jesus como seu mestre João Batista praticavam ritos ascéticos e estilo de vida típico do monasticismo essênio, como meditação no deserto, vida solitária e batismos de purificação em rios.

O caso mais conhecido é do Livro de Enoque. Não só é citado como Escritura e fonte de doutrinas por Jesus mas na epístola de Judas, além de vários padres primitivos e antigos o aceitarem como fonte de doutrinas verdadeiras (livro inspirado mas não canônico) ou como Escritura, como Justino Mártir, Atenágoras, Lactâncio, Ireneu, Tertuliano, Clemente, Orígenes.

No entanto, as semelhanças notórias de Enoque com o Apocalipse de João não só prova que o Apocalipse plagiou trechos inteiros de Enoque como isso foi identificado por alguns padres primitivos que usavam esse argumento para rejeitar não o livro de Enoque mas o próprio Apocalipse de João como falsificação!!! Dionísio de Alexandria e outros bispos da Ásia Menor rejeitaram o Apocalipse de João como falsificação. Doutrinas de Enoque a respeito do aprisionamento de almas no inferno são assimiladas nas Epístolas de Pedro do Novo Testamento. Enoque apresenta versões primitivas das Bem Aventuranças de Jesus, as mesmas foram reencontradas em Qumran num textos de Hinos essênios. Tanto Jesus quanto Enoque e os Essênios criam nas mesmas doutrinas que não existem no Velho Testamento. Paulo em I Coríntios e Colossenses, a Epístola aos Hebreus e Lucas citam trechos de Enoque que não existem no Velho Testamento.

A Epístola de Judas cita e usa doutrinas também da Assunção de Moisés e os Testamento dos Doze Patriarcas, textos do judaísmo apócrifo, ambos reencontrado em trechos em Qumran.

Além disso, Jesus citou a Septuaginta, a versão do Velho Testamento que tem textos a mais do que o velho testamento protestante. Basta ler o Novo Testamento e comparar as citações de Jesus do Velho Testamento com a versão Septuaginta e a versão Texto Massorético para ver que Jesus usa a Septuaginta e não o Texto Massorético!

Septuaginta, LXX ou Versão dos 70 foi a tradução de textos judaicos feita em ALEXANDRIA, no Egito, entre o século 3 a 1 antes de Cristo por sábios judeus, visto que grande parte dos judeus falava somente Grego e o Grego era a língua da alta cultura, do comércio e do dia a dia, para os judeus permanecerem fiéis à sua cultura precisaram traduzir para o grego os textos. 

Texto Massorético é a versão do Velho Testamento inventada no século 6 DEPOIS DE CRISTO por judeus, em plena idade média... Nessa época o cristianismo católico ortodoxo predominava no Império Romano do Oriente ( pois o império Ocidental já tinha caído sob os bárbaros) e os cristãos utilizavam a versão Septuaginta e traduções dela para Latim, Siríaco e outras línguas. Na Septuaginta, desde o século 3 antes de Cristo, haviam textos que era muito usados pelos cristãos para justificar Jesus como Messias, fato que incomodava bastante os judeus. Então, com o objetivo de "purificar" o judaísmo dessa pressão cristã enorme, os judeus fizeram uma revisão de suas escrituras e aboliram livros da Septuaginta que davam margem para o cristianismo e traduziram para o hebraico modificando e adulterando textos da Septuaginta, claramente colocando palavras que enfatizam o terror diante de Deus e o pecado dos hebreus que abandonaram a Aliança e creram em falsos profetas, numa óbvia tentativa de proteger o judaísmo da pressão cristã e de negar a Cristo como messias. O texto massorético é o texto usado pelo judaísmo moderno como sendo a Tanakh, o Velho Testamento judeu. Os massoretas retiraram da Septuaginta vários livros e trechos de livros, os chamados Deuterocanônicos, que existiam na Septuaginta do século 3 antes de Cristo e foram aceitos pelos cristãos primitivos, muitos gnósticos e a maioria dos padres da igreja.

Mas antes disso, já refutado pela ciência como fraude, o hipotético "Concílio" de Jamnia no século 1 tentou estabelecer um cânon judaico. Como sempre, os livros de Ester, Cântico dos Cânticos, Eclesiastes, Ezequiel e Provérbios entraram na discussão de sua validade, pois muitos judeus rejeitavam esses textos. Na verdade Jamnia era não um concílio mas uma escola rabínica. Não se tratava de um sínodo cujas decisões deveriam ser aceitas por todos os judeus, mas era apenas uma escola de estudos rabínicos que questionava a autenticidade de livros que circulavam entre os judeus, principalmente Cântico dos Cânticos, Ester e Eclesiastes. No fim deu em nada, a escola nunca teve importância e o judaísmo na verdade se alargou para incluir na Torá o Talmude e outras tradições judaicas como Mishná e Midrash,

Jesus não só citou grande parte dos livros do Velho Testamento como estava inserido numa cultura que aceitava livros que, na época, e para o grupo de judeus dele, os Essênios ou  um grupo deles derivado, eram não só inspirados mas verdadeiras Escrituras Sagradas.

O Novo Testamento nunca citou Esdras, Neemias, Ester, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos, logo os cristãos que acreditam no Novo Testamento nunca deveriam aceitar esses livros. Mas eles usam esse mesmo bizarro argumento para negar a inspiração dos Deuterocanônicos ( Tobias, Judite, I e II Macabeus, Sabedoria de Salomão, Eclesiástico, Baruque, Adições a Ester, Adições a Daniel) e dos apócrifos Assunção de Moisés, Testamento dos Doze Patriarcas e Enoque!

Os Protestantes possuem um grave problema de raciocínio lógico, além da falta de cultura e ignorância. O Novo Testamento cita Septuaginta e apócrifos, mas eles dizem que isso não é suficiente para aceitar esses textos como inspirados. O Novo Testamento não cita Ester, Eclesiastes e Cânticos, mas os protestantes dizem que isso não é argumento suficiente para negar a autenticidade desses livros, mesmo os próprios judeus da época de Jesus terem dificuldade de aceitar esses livros como inspirados! Só existe um nome para isso: disfunção cerebral.


IGNORÂNCIA, DESCONHECIMENTO E ARROGÂNCIA

Protestantes são ignorantes, extremamente ignorantes. Quanto mais ignorantes, mais arrogantes eles são. Os menos ignorantes são pessoas chatas e entediantes, enquanto os ignorantes são, pelo menos, divertidos, engraçados e irreverentes.

Protestantes não se interessam em estudar a história das próprias seitas que participam! Faça o teste você mesmo: vá a uma seita batista, pentecostal, presbiteriana, qualquer uma e pergunte a um membro da seita se ele conhece O NOME DO FUNDADOR DA SUA DENOMINAÇÃO. É 100% certeza de que ele não saberá responder. Pelo menos os Mórmons sabem que Joseph Smith é seu fundador. As Testemunhas de Jeová sabem que Charles Russel é seu fundador. Os adventistas sabem que Ellen G White é sua principal fonte de doutrina. Mas os batistas, pentecostais, presbiterianos, metodistas e outros não sabem. Já ouvi de um metodista wesleyano que quem fundou a igreja wesleyana foi John Wesley! Ele não sabia que John Wesley fundou somente a igreja metodista; a metodista wesleyana é uma denominação pentecostal criada no Brasil! Nem os anglicanos sabem quem foi Henrique VIII, o fundador do anglicanismo. Os batistas não sabem que foi a maçonaria que trouxe a igreja Batista para o Brasil e seus pastores fundadores eram todos maçons.

Protestantes não se interessam em estudar História do Cristianismo!!! Eles se dizem cristãos mas só conhecem o que seu pastor prega no culto! Ora, isso é um atestado de burrice monumental! 

Os protestantes não sabem o que pregam os Padres da Igreja. Eles não sabem o que foi a Patrística. Alguns raros mentirosos ficam citando os Padres da Igreja como fonte de doutrinas protestantes ou até mesmo como se protestantes fossem mas ignoram o dogma da Sucessão Apóstólica e a organização hierárquica episcopal citada expressamente pelos padres da igreja. Isso ou é mal caratismo ou ignorância extrema. 

Algumas seitas batistas chegam ao absurdo de dizer que são verdadeiras porque preservam a sucessão apostólica do cristianismo primitivo e que ela deriva de João Batista e passou adiante por vários grupos de forma ininterrupta como paulicianos, bogomilos e cátaros até chegar aos anabatistas e por fim aos batistas!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! É o caso dos batistas landmarkistas.

Protestantes desconhecem todas as denominações e pluralidades de cristianismo do chamado Cristianismo Primitivo e juram que eles é que são os verdadeiros cristãos. 

Protestantes acham que Jesus usava bíblia e que os apóstolos e primeiros cristãos andavam de bíblia pra cima e pra baixo fazendo estudos bíblicos! Eles ignoram que não existiu bíblia e que quem criou a primeira bíblia cristã foi Marcion, um proto-gnóstico que rejeitou todo o Velho Testamento. Os cristãos aprendiam nas reuniões através da exposição oral, visto que a maioria da população era analfabeta, e os textos que circulavam não eram os textos do novo testamento mas vários e vários evangelhos, escritos, tratados e cartas de vários tipos e o cânon só foi estabelecido após o Concilio de Nicéia.

Protestantes ignoram toda a história do cristianismo desde o primitivo gnosticismo até a falsa conversão de Constantino, a divisão administrativa da Igreja Imperial em patriarcados, os concílios da Igreja Imperial e as divisões e cismas que ocorreram por causa desses concílios e as novas denominações e igrejas que surgiram, como os Monofisistas, Miafisistas, Nestorianos, Arianos e outros. 

Protestantes são ignorantes pois acham que Constantino criou a igreja católica romana. Mentira. Antes do Cisma do Oriente NENHUM concílio da Igreja Católica foi realizado em Roma, muito menos presidido por algum Papa! Sempre foram presididos por Patriarcas e bispos do Oriente, a maioria Patriarcas de Constantinopla, Alexandria ou Antioquia. A Capital do Império Romano e da Igreja Católica, de fala grega, língua litúrgica grega, bíblia grega e tradição grega, era Constantinopla e não Roma!

Protestantes não sabem que as Igrejas Ortodoxas Orientais surgiram no Concilio de Calcedônia, quando os Patriarcas de Alexandria, Antioquia e Jerusalém recusaram a aceitar a doutrina calcedoniana das duas naturezas de Cristo e se separaram de Constantinopla e Roma.

Protestantes brigam até hoje a respeito da divindade de Jesus e desconhecem a controvérsia sobre a divindade de Jesus que deu origem à separação da Igreja Nestoriana do resto das igrejas ortodoxas e orientais. Eles nem sabem que existe uma Igreja Assíria e uma Igreja Caldéia até hoje. 


IDOLATRIA DA BÍBLIA

Protestantes tratam a bíblia como um amuleto mágico. Isso não é exagero. Além disso acham que ela caiu do céu pronta com os textos que existem. Ignoram a Septuaginta e aceitam a abominável e anticristã versão Massorética do velho testamento

Os protestantes usam a bíblia como um objeto de idolatria e adoração pagã. A bíblia está acima de Deus, Jesus e do Espírito Santo! A bíblia é mais poderosa do que Deus e Jesus. Eles tentam adequar qualquer doutrina ou conceito à bíblia deles. Mesmo que não tenha jeito, eles encontram. Isso deriva da heresia da Sola Scriptura. Essa heresia significa que Deus é incapaz e burro e não sabe dizer nada pra ninguém, por isso precisou escrever uma bíblia e deixou nas nossas mãos a função de explicar toda a realidade através desses livros, pois Deus não tem capacidade de explicar para as pessoas de outro jeito.


Protestantes idolatram sua pobre e vagabunda versão da bíblia mas, como bons ignorantes, desprezam a história da formação do cânon e não sabem que a lista que vemos hoje, com o Velho Testamento conforme a Septuaginta mais os livros que são aceitos pela igreja ortodoxa e variam de igreja para igreja só aparece com o bispo Atanásio de Alexandria em 382 contendo a Carta de Jeremias, Susana, Bel e o Dragão, 1 Esdras, 3 e 4 Macabeus, Salmo 151, Oração de Manassés, Salmos de Salomão e mais os Deuterocanônicos que constam na bíblia católica romana. A igreja ortodoxa etíope ainda tem mais livros como Livro dos Jubileus, Atos de Paulo, Livro de Enoque, 1 Clemente , 1, 2, 3 e 4 Sínodos, Didascalia e 1 e 2 Pacto. O fato é que a lista conforme a Septuaginta (mais parecida com o velho testamento catolico que tem os livros deuterocanônicos que não são aceitos pelos protestantes) só aparece com Atanasio de Alexandria. Antes dele não existia uma unica bíblia, cada igreja tinha a sua própria. Isso é fato, nem a igreja catolica romana nega isso. Os protestantes nem fazem ideia desses fatos!


A FALÁCIA DA SOLA SCRIPTURA: SOLO EU

A heresia da Sola Scriptura é tão ridiculamente refutável que, se fosse verdade essa doutrina idólatra de um pedaço inútil de papel, não haveria discordância entre todos aqueles que aceitam a Sola Scriptura (não entram nesse grupo os catolicos, ortodoxos, gnosticos e outros). Se só a biblia é a verdade absoluta então porque existem mais de 33.000 denominações protestantes que acreditam na sola scriptura? Outra fácil refutação da sola scriptura é ir a uma escola biblica dominical e fazer o seguinte teste: ler, sei lá, o Capítulo 1 do Evangelho de João e pedir a cada um dos membros da seita que interprete o texto. Se houver 20 pessoas no local, sairão 20 doutrinas protestantes diferentes. Se houver 100, 100 denominações diferentes. Se 300, 300 seitas protestantes diferentes! É assim que não existe sola scriptura, mas Solo Lutero, Solo Calvino, Sola Irmã Josevalda da Igreja Pentecostal Labaxúrias e Decantas e etc.

Ou seja, NÃO EXISTE sola scriptura! Ele é refutada pelo próprio principio da "Livre Exame da Escritura" fundado por Lutero. Pois se aplicamos o principio do livre exame, a "sola scriptura" morre e dá a lugar a bilhões de seitas e denominações diferentes e discordantes.

REINO DIVIDIDO CONTRA SI MESMO

A reforma protestante trouxe confusão religiosa, cismas, massacres, extermínios, genocídios e crimes causados pelos princípios da reforma e por poderes politicos. Jesus diz em Mateus 12:25 que o reino dividido contra si mesmo será destruído, se referindo à impossibilidade de ele expulsar demonios e trabalhar para os demonios ao mesmo tempo. Assim também é com o protestantismo, onde seitas que pregam sola scriptura atacam-se mutuamente e criam mil dogmas, em total contradição com a pregação de Jesus e com a bíblia. Massacres e perseguições as igrejas católica romana, católica ortodoxa, ortodoxa oriental e nestoriana realizaram mutuamente entre si ( e todas estas contra os Gnósticos, que nunca revidaram), mas o Protestantismo alega ser melhor que elas nesse quesito o que é mentira. Anglicanos e católicos se exterminaram durante a Reforma, o mesmo ocorreu entre calvinistas presbiterianos e católicos, calvinistas e anglicanos, luteranos e católicos, luteranos e anabatistas, luteranos e calvinistas, anglicanos e batistas, e assim por diante.


INQUISIÇÃO, RACISMO, ESCRAVIDÃO E GENOCÍDIO

John Knox, fundador da variante do calvinismo na Escócia, o Presbiterianismo, mandou queimar cerca de 1.000 mulheres acusadas de Bruxaria.

Os metodistas nos EUA escravizaram negros e justificaram isso com a doutrina evangélica.

Os batistas do sul dos EUA foram os maiores produtores de algodão tendo como base a escravidão negra. Proibíram tambores e instrumentos africanos, que eram usados para comunicação entre escravos fugidos e planos de fuga e insurreições. Os batistas do Sul ainda são conhecidos hoje nos EUA como os mais racistas evangélicos dos EUA. O pastor batista Reverendo Basil Manly escreveu um texto justificando a escravidão!!! Ele era um proprietário de escravos e de fazenda de algodão. 

Presbiterianos nos EUA defenderam com a doutrina calvinista a escravidão.

A Igreja Anglicana nos EUA e no caribe era detentora de fazendas onde a mão de obra era escrava!

As mesmas coisas ocorreram no Luteranismo e no Congregacionalismo: defesa da escravidão usando as doutrinas protestantes.

A Caça às Bruxas foi um dos maiores massacres da inquisição protestante e foi feita tanto em países católicos quanto ortodoxos também mas a violência nos países protestantes foi muito maior.

Os protestantes exterminaram e cometeram genocídio contra os índios nativo-americanos. Usaram as escrituras, argumentando que eles eram o povo escolhido, as colonias eram a Terra Santa e os índios eram os filisteus e cananeus!!!!! Assim cometeram guerra biológica, infectando de propósito tribos e nações inteiras, além do extermínio em guerras e estupros. A cultura dos índios, seus deuses e tradições xamânicas foi exterminada pelos protestantes.

Passemos a analisar as principais seitas protestantes e suas doutrinas.




O LUTERANISMO

A principal heresia de Lutero e que choca qualquer um que ler a Epístola de Tiago é a Justificação pela Fé somente, dogma de todo o protestantismo. A pessoa só é salva se uma "graça" de Deus descer nela e dar a ela a fé, e esta fé é que salva. Ninguém precisa se preocupar com boas obras para se salvar pois a fé em Jesus basta. Interpretando literalmente alguns trechos das epistolas de Paulo, trechos, aliás, muito mal escritos que provam que os escritos do Novo Testamento são falsificações com doutrinas gnósticas verdadeiras misturadas com doutrinas falsas e deturpações, Lutero criou um dogma bizarro que diz que um assassino latrocida vai para o céu imediatamente após matar e roubar, desde que tenha arrependimento sincero. Ou seja, todo mal que ele cometeu é apagado imediatamente!!! Que fácil. Assim, você pode matar o quanto quiser, se arrepender, depois matar de novo, depois se arrepender de novo, depois assaltar e estuprar, depois se arrepender. Deus nunca te julgará pois a fé te salvou e as boas obras não servem pra nada. Essa demoníaca doutrina é totalmente refutada pela Epístola de Tiago, e uma frase é suficiente para isso: A FÉ SEM OBRAS É MORTA - Tiago 2:26.

A missa de Lutero é vazia e sem graça, uma religião morta. A Igreja Luterana é uma igreja morta, tomada pela ideologização política, ecumenismo e pelo vazio existencial e doutrinal. A pregação do pastor é vazia, o ritual da missa é pobre e sem graça, os pastores cometem todo tipo de sincretismo com as abominações pentecostais e novidades do Vaticano II. Uma seita fundada 1517 anos depois de Cristo nunca terá mais autoridade, veracidade e valor que o Evangelho de Tomé escrito antes de todos os outros e a Epístola de Eugnosto, ambos textos gnósticos e escritos no século 1.




O CALVINISMO E AS IGREJAS PRESBITERIANAS ou REFORMADAS

Calvino introduziu interpretações absurdas, bizarras e doentias da bíblia que chocam qualquer pessoa mentalmente saudável.

Segundo ele, Deus predestinou, ou seja, elegeu antes de tudo as pessoas que deveriam ser salvas! Mas que Deus bom e legal, hein? Além disso, Deus já escolheu quem vai pro inferno, e não tem conversa! Já tá escolhido e pronto. Portanto ninguém precisa fazer nada pois Deus já escolheu tudo. Trata-se de um upgrade macabro na Justificação pela Fé. Se você não foi escolhido não adianta se esforçar pois não tem jeito, já está condenado.

Assim, Deus é culpado por todo mal, toda maldade. Ele não só criou o mal mas criou pessoas especialmente para sofrerem e serem torturadas eternamente no inferno. Esse fatalismo se parece com doutrinas pagãs da europa e oriente médio antigos.

Presbiterianos são, em geral, extremamente arrogantes porque acreditam que são eleitos, portanto foram predestinados ao Céu, enquanto os outros são pobres miseráveis destinados ao inferno.




A IGREJA ANGLICANA

Anglicanismo é uma mistura de catolicismo, luteranismo e calvinismo. A tendência mais católica ou protestante do culto depende da paróquia e do gosto daquela comunidade.

A doutrina foi inventada artificialmente pelos reis da Inglaterra e quem manda nos dogmas atualmente é o parlamento britânico, composto por ateus, judeus, esquerdistas, pessoas anti-cristãs e maçons.

A liturgia é muito parecida com a Luterana mas tem mais elementos católicos.

Justamente por tentar não desagradar as outras denominações, a doutrina anglicana é oca, não se posicionando sobre vários temas, virando uma igreja aparentemente inútil e tem afastado as pessoas do mundo inteiro, entrando em crises por falta de fiéis e dinheiro. É uma denominação em extinção.

Está totalmente dominada por ideologização política, principalmente o clero. Serve de apoio para padres católicos que querem se casar mas sem deixar de frequentar uma missa como a de Paulo VI, mas que continuam católicos em doutrina e dogma. É extremamente ecumênica e, por isso, bagunçada e confusa. Não existe explicação dos dogmas, nem sentido de suas doutrinas ou de sua própria existência. Parece que não serve para nada mas os ideólogos de esquerda viram nela uma forma de espalhar suas ideologias entre várias denominações diferentes. Os fiéis vivem perdidos, não sabem nem porque frequentam.

Cheguei a pensar que poderia se tornar gnóstica mas hoje em dia, observando sua situação, vejo que não tem jeito e essa denominação, se acabar, não fará falta nenhuma pois realmente está tomada pela ideologização política e é inútil e morta como o Luteranismo. Os poucos tradicionais que existem minguam e adotaram os cultos show dos pentecostais, mais parecendo igrejas batistas renovadas do que anglicanas e não tem feito sucesso, não se diferindo em quase nada dos outros protestantes.




OS BATISTAS

Essa denominação, na qual cresci, tem como uma das características fundamentais a forma de governo eclesiástico Congregacional, que se difere tanto da forma Episcopal (de igrejas como a catolica romana, catolica ortodoxa, luterana e anglicana) quanto da forma Presbiteriana (da igreja Presbiteriana). Essa forma de governo eclesiástico é muito interessante pois promove a democracia e a participação dos fiéis no governo. Igrejas desse estilo são bem ativas e os fiéis são animados a agir e se interessar pela governança e pelas questões administrativas e "políticas" da congregação. Pregam a liberdade religiosa desde o início do movimento.

Mas a característica principal dessa seita é o batismo somente de adultos e por imersão, ou seja, não aceitam que se jogue uma aguinha na cabeça: é preciso um rio, lago, piscina para mergulhar toda a pessoa na água. Por adultos eles entendem a pessoa plenamente capaz, o que, na prática, funciona a partir dos 14 anos de idade, quando eu me batizei.

Em geral, os membros não fazem ideia do que é ser batista, não se interessam por doutrina e dogmas e focam apenas em estudos bíblicos e atividades missionárias. Mas isso no passado, porque hoje em dia nem isso fazem, apenas vão para igreja atrás de curas e bênçãos.

Os batistas não sabem que seus fundadores, John Smyth e Thomas Helwys, eram originalmente puritanos, ou seja, calvinistas presbiterianos ingleses e que John Smyth abandonou as denominação que criou levando os membros da sua congregação para a Igreja Menonita, uma ramificação dos antigos Anabatistas, revolucionários camponeses que lutaram contra o feudalismo e que foram massacrados por ordem de Lutero na Alemanha. O próprio fundador da denominação se arrependeu da seita que criou.

Os batistas são conhecidos por sua notória hostilidade para com o catolicismo tradicional, a igreja ortodoxa, as igrejas ortodoxas orientais e todas as igrejas de tradição católica. Batistas tem horror de liturgia e pregam constantemente contra o que chamam de "religiosidade", ou seja, ritos litúrgicos ordenados. Assim entram em contradição com sua bíblia, pois em 1 Timóteo o apóstolo Paulo prega contra os Irreligiosos, para os quais a Lei do antigo testamento foi feita. Ou seja, Paulo ensina que as pessoas devem ser religiosas, ao contrário dos pecadores que são irreligiosos. Os batistas são irreligiosos e desprezam toda religiosidade, espiritualidade e desenvolvimento espiritual. Para eles basta ler a bíblia, ouvir pregação e obedecer às doutrinas que o pastor soltar no culto.

"Sabendo isto, que a lei não é feita para o justo, mas para os injustos e obstinados, para os ímpios e pecadores, para os profanos e irreligiosos, para os parricidas e matricidas, para os homicidas"

1 Timóteo 1:9

Outra crença doentia dos batistas é a ênfase na "Certeza da Salvação". Isso vem do medo do inferno, do medo do deus maligno que fingem adorar e não do amor ou da "liberdade" que pregam. Se são justificados pela fé e não pelas obras, como saber se a fé que possuem é sincera e honesta e que não irão para o inferno? Ora, afirmando constantemente que já estão salvos. Ou seja, trata-se de uma auto-sugestão extremamente forçada para aliviar o medo de queimar nos fogos dos infernos. Perde-se, assim, o amor por Deus e pela vida e vive-se num constante terror, necessitando ficar gritando para todo canto que "já está salvo".

Na década de 60 em Belo Horizonte, Minas Gerais, as igrejas batistas do Brasil foram avassaladas pelo movimento pentecostal vindo das igrejas pentecostais, o chamado "Avivamento", fazendo surgir as igrejas Batistas Renovadas, que são essencialmente Pentecostais. Isso gerou um cisma entre os batistas. Os tradicionais se isolaram e perderam espaço e prestígio, se tornando uma religião infértil e semi-morta. A maioria das igrejas batistas com o tempo se tornou "renovada", isto é, pentecostal e algumas até viraram Neopentecostais, como a Igreja Batista da Lagoinha que cresceu graças a venda de CDS de músicas emocionalmente forçadas e arrecadação de dinheiro com venda de produtos inúteis e supérfluos, assimilando todas as abominações e novidades sacrílegas, secularizadoras e mundanizantes que surgiram e ainda surgem nas mega-igrejas neopentecostais dos EUA, como teologia da prosperidade, pintar as igrejas de preto, transformar o culto em um show de pop-rock e música eletrônica e palestras de coach dentre outras abominações. Mesmo os batistas renovados mantêm especial desprezo por ritos e liturgias e continuam avançando em sua irreligiosidade, destruindo o Ocidente.

Uma das cantoras que saiu dessa igreja neopentecostal da lagoinha é Nivea Soares, que blasfema do Novo Testamento cantando uma música dizendo:

"eu quero me esvaziar de toda religiosidade"

Essa expressão define bem os batistas.

Mas antes dessa parte, nessa mesma música essa cantora retardada e hipócrita canta "eu quero me esvaziar de MIM" - MENTIRA! Batistas não pregam o esvaziamento de si mesmo, muito pelo contrário. Essa seita é conhecida pela arrogância e complexo de superioridade de seus membros. O Ego deles é enorme e eles vivem para satisfazer seus desejos e interesses pessoais. Quando a seita não atende mais a seus caprichos eles mudam de igreja. Batistas são conhecidos por pularem de igreja aqui e ali, quase como os neopentecostais. Igrejas Batistas Renovadas grandes são quase rodoviárias, as pessoas ficam pouco tempo e vão embora.

Batistas renovados pregam muito sobre que agora eles são "livres" pra adorar do jeito que quiserem, ao contrário dos católicos que estão presos na liturgia. Essa tal "liberdade" que pregam é a destruição da liturgia, da reverência e do foco na Divindade no cristianismo, que está destruindo não só o cristianismo ocidental mas o próprio Ocidente. A igreja batista destrói a religiosidade cristã e a fé cristã. É essa a "liberdade" que pregam.  Não é difícil entender porque essa denominação foi tomada pelo pentecostalismo e neopentecostalismo. Ela não possui estrutura e fundamentos sólidos. Bastou surgir um novo vento de doutrina que a tradição batista foi toda destruída.

Os batistas, principalmente os renovados, são conhecidos também por serem americanófilos e imitarem toda a decadência moral e os modismos dos EUA, desde a música até as roupas. Em suas igrejas, as mulheres usam muita maquiagem, batom, brincos e desfilam com roupas de marca apertadas, marcando bem o bumbum, peitos e provocando a lascívia nos homens. Os homens também usam roupas para aparecer e ultimamente tem usado roupas muito apertadas, coladas e ousadas, roupas que nem jovens que vão pra "balada" tem coragem de usar devido a indecência. Um quer parecer mais rico, próspero e bonito que o outro. Não admitem ir simples e desarrumados nos cultos. Vivem de aparência. São conhecidos pela hipocrisia, condenando os pecados alheios mas praticando todas as imoralidades sexuais e financeiras possíveis. Os jovens batistas são mundanos, não leem a bíblia, jogam games e assistem séries e filmes mundanos o tempo todo. Os jovens vão na igreja para paquerar, seduzir e levar para motel os "irmãos". Os batistas condenam quem escuta música do mundo mas eles leem livros do mundo, assistem filmes do mundo, séries, desenhos e tudo do mundo, mas música não pode. Em compensação, transformaram toda a música sacra em profana e suas músicas "gospel" não possuem qualquer diferença das músicas decadentes que tocam nas rádios mundanas. Há muitos homossexuais, gays e lésbicas, nessas seitas batistas e eles vivem vida dupla, condenando o pecado alheio e vivendo o pecado escondido.

Muitos pais de crianças e adolescentes preferem que seus filhos frequentem essas igrejas batistas renovadas tipicas de classe média e para jovens, com toda a mundanidade descolada pra "galera" se sentir "da hora", do que não frequentarem nenhuma igreja, com medo de más influências. Mas é exatamente esse tipo de seita em que as pessoas vão pra "curtir" que vai destruir a religiosidade desses jovens. Jovens que crescem em igrejas batistas tem uma enorme tendência para virarem ateus e perderem a fé na bíblia e Jesus devido à irreligiosidade pregada nesses ambientes "radicais" que são pura "curtição".

Batistas desde sempre desprezaram o estudo teológico pois, desde seus fundadores, trata-se de uma seita sem fundamento teológico definido, sem dogma, credo ou definição de fé, ninguém devendo se aprofundar em teologia. Seus seminários teológicos são fracos e escondem dos estudantes a maior parte da história do cristianismo, por isso eles desconhecem toda a escolástica, todos os padres da igreja e todos os gnósticos. Pastores batistas conhecem santo Agostinho de nome e olhe lá, não perdem tempo lendo nada que seja anterior à Reforma. Para eles a bíblia e as doutrinas inventadas pelo pastor que pregar no culto bastam.

Como várias outras seitas protestantes eles cuidam e condenam a vida alheia quando são os maiores pecadores. Pregam o terrorismo psicológico retirando trechos soltos da bíblia e deturpam forçando que as pessoas devem não só ir para a igreja 4 vezes na semana mas participar de todas as atividade e de algum ministério. Você não pode ser um crente "de banco", tem que prestar serviço e trabalhar de graça para a seita senão é um servo inútil e está em pecado. Dizem que no juízo final Jesus vai lhe perguntar o que você fez. Se você só assiste o culto e vai embora significa que não fez NADA e será condenado. No entanto, entram em contradição com a doutrina maluca da Justificação pela Fé que tanto pregam, pois se ninguém precisa fazer nada para ser salvo porque o crente tem que trabalhar em algum ministério sob pena de ir para o inferno?

Daí eles entram em milhares de contradições ridículas e inventaram uma teoria do "galardão", impondo invenções extra-bíblicas e mitológicas sobre o "céu" dizendo que se você for um servo inútil vai ficar na "favela" do céu! Sim, isso mesmo, no céu tem uma periferia onde ficam quem fez pouco pela igreja. Essas pessoas nunca irão ver Deus. Quem fez muito vai morar em bairros nobres da Jerusalém Celeste e verá e andará com Deus. Os servos inúteis serão salvos mas não verão a Deus e morarão em bairros pobres....

Sim, leitores, foi essa doutrina debiloide que roubou toda minha infância.

Como não perdem a salvação, ameaçam as pessoas com castigos na Terra. Se você falar mal do pastor, criticar os irmãos, cometer "pecados" terríveis como se masturbar ou transar com sua colega do curso Deus vai enviar doenças mortais e crises financeiras. Se escutar música do mundo, legiões de demônios vão entrar na sua casa e destruir tudo o que você construiu.

Ouvir música secular, seja ela erudita, clássica, pop, sertaneja ou qualquer outro tipo é pecado pois esses autores foram auxiliados por demônios e fizeram pactos satânicos. Mas pode assistir todas as novelas pornográficas e imorais da Globo, o Big Brother e todos os realities shows e programas sensacionalistas e imorais que não é pecado. Pecado mesmo é ouvir Milton Nascimento, Iron Maiden e Madonna.



OS PENTECOSTAIS

Um dos maiores casos de histeria coletiva e fraude que já surgiu na humanidade (perdendo só para o Islamismo) é o surgimento do movimento pentecostal. Seu fundador, o negro Wlliam Seymour, era da Louisiana, uma região com bastante cultura afro-americana. Em sua juventude ele frequentou casas de Voodoo sincréticas que absorviam também doutrinas do catolicismo e do ocultismo. Tendo se convertido ao protestantismo numa seita batista e se mudado para Los Angeles na California, ficou chocado com o racismo das igrejas onde pessoas negras escutavam do lado de fora e pessoas brancas podiam entrar normalmente no templo. Assim, influenciado pelos ritos de incorporação de entidades e antepassados (Voduns) das religiões afro-americanas e pela mistura de raças do catolicismo, ele se empenhou em encaixar essas ideias na bíblia e inventou uma teoria maluca do "batismo com o espírito santo" inspirado na Crisma católica. Com esse batismo viriam os tais dons espirituais, que tinham descido sobre os apóstolos em Pentecostes e estranhamente nunca mais aparecido no cristianismo primitivo. Pessoas de todas as raças, negros, latinos, brancos e asiáticos passaram a se reunir e formar igrejas mistas. Depois de tantos séculos, justamente nos EUA fundado e colonizado por maçons, judeus e outras correntes anticristãs, esses dons retornam, em Los Angeles, para toda a humanidade, 1.900 anos depois....

William Seymour forçou, retirando textos de seu contexto e pegando frases soltas, que o dom de falar línguas diz respeito não a línguas estrangeiras que se tornam inteligíveis mas sim línguas estranhas, de outro mundo, dos anjos ou outras entidades. Para falar essas línguas é preciso estar incorporado pela entidade vodun "Espírito Santo" que atua como um Exu ou Preto Velho. Exatamente como nos cultos afroamericanos (Santería, Voodoo, Candomblé, Umbanda e outros), o crente deve "baixar" o vodun "Espírito Santo" através de técnicas forçadas e induções artificiais, com uso de toques e batidas musicas, danças frenéticas, movimentos desconexos do corpo e outros artifícios para deixar a pessoa semi-atordoada, acreditando que está possuída pela entidade.

O pentecostalismo acelerou o processo de crescimento do esoterismo, ocultismo, espiritismo e cultos da Nova Era no ocidente e afastou os protestantes da teologia e da doutrina, se transformando em puro rito de incorporação de entidades. Tal culto além de ser antibíblico é notoriamente anticristão.

Na igreja batista renovada tentaram me "batizar" com o espírito santo mas, graças a Deus, minha alma foi salva dessa palhaçada anticristã. Nunca consegui falar em "línguas" e presenciei pessoas que me confessaram fingir possui dons espirituais para não se sentirem inferiores!!!

Dentre as denominações mais conhecidas desse movimento estão as Assembléias de Deus e a Igreja Pentecostal Deus é Amor.

Essas seitas são caracterizadas pelo fundamentalismo, conservadorismo, homofobia e comportamento selvagem, bárbaro, doentio e macabro de seus membros. Mulheres que deixam todos os pêlos do corpo igual um gorila e se cobrem demasiadamente, homens que não podem usar bermuda mesmo no calor infernal do nosso país, proibição de assistir tv, filmes, ouvir músicas, ter amizades fora da seita, usar roupas vermelhas, fazer penteados no cabelo, estudar, fazer cursos são apenas alguns dos absurdos sectários dessas seitas, tudo imposto com extremo autoritarismo e ameaças de vingança divina e maldições.

A Igreja Pentecostal Deus é Amor é uma conhecida seita de analfabetos, selvagens, incultos, ignorantes, malucos, transtornados e realmente doentes. Não é possível que Deus seja Amor quando vemos as doutrinas e comportamentos dessa seita maluca! Ao passar na porta desse buraco horrendo já se percebe uma estranha atmosfera de loucura e histeria. Não dá vontade nem de entrar. Eis um exemplo, em plena Praça 7, hipercentro de Belo Horizonte, o Mortal Kombat entre um pregador batista renovado e uma pregadora da Pentecostal Deus é Amor, deixando a todos escandalizados:






OS METODISTAS

A doutrina da igreja Metodista é bastante parecida com dogmas gnósticos. O metodismo também é elogiado pela Igreja Ortodoxa pela semelhança de dogmas e pelo fato de os metodistas praticamente nunca atacarem os católicos e ortodoxos como as outras seitas protestantes fazem. A Igreja Metodista possui um excelente diálogo ecumênico com a Igreja Católica Romana.

Surgindo no seio da Igreja Anglicana, os fundadores e irmãos John e Charles Wesley buscavam maior sinceridade e devoção espiritual numa época em que a igreja anglicana já dava sinais de decadência, descrença, vazio existencial e inutilidade.

O objetivo dos dois irmãos era fazer os crentes viverem de verdade o evangelho, com jejuns, orações, grupos de oração, boas obras e estudos. Para isso criaram métodos rigorosos, daí vem o nome da denominação. São contrários aos divertimentos levianos, gastos exagerados e supérfluos e alcoolismo.

Infelizmente os metodistas estão presos ao protestantismo pelos dogmas da Justificação pela Fé (apesar de crerem na necessidade de obras para confirmar a fé, o que já os difere dos demais protestantes e os aproxima do gnosticismo), a crença na falsa bíblia protestante e a rejeição das tradições do cristianismo primitivo gnóstico como veneração dos aeons, veneração da Virgem Barbelo, simbolismo, liturgia solene e outros.

A maioria das igrejas metodistas são arminianas, portanto não-calvinistas, o que é um ponto positivo.

O metodismo acabou por ser influenciado por duas grandes heresias: o pentecostalismo e o a ideologização política de esquerda, causando cismas na denominação. Grande parte dos metodistas estão n'uma ou n'outra dessas duas abominações. Como os batistas, não possuem delimitação de dogmas e regras de fé e, portanto, ficam susceptíveis a todo vento de doutrina e heresia.

Não há salvação para o metodismo.



OS ADVENTISTAS

Essa seita é parecida com os batistas porém dá enorme ênfase ao Velho Testamento se tornando judaizante em muitos aspectos. Manifestam verdadeiro ódio mortal à Igreja Romana e, muito mais que os batistas, não suportam nenhum rito solene. Os membros dessa seita não suportam nenhuma igreja católica, santos, nossa senhoras ou padres. O ódio total à igreja católica e também em muito menor quantidade aos demais protestantes é característico dos membros dessa seita. Sua observância do sábado é fanática.

Surge a partir de Guilherme Miller, um batista que, analisando as "escrituras", concluiu que Jesus ia voltar em 1844. O que eu disse sobre cada protestante ser uma denominação em si? Depois do fracasso de falsa profecia, os seguidores desse demente inventaram doutrinas extra-bíblicas pra explicar o erro e daí surgiu o tal "juízo investigativo" que começou em 1844...  Anos depois veio a idolatria de guardar o sábado. Depois, uma mulher chamada Ellen G. White trouxe mais novidades extra-bíblicas.

Eles acreditam que "a bíblia interpreta-se a si mesma" (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!) e rejeitam o livre exame de Lutero. Engraçado que a bíblia esperou chegar o ano de 1863 para interpretar-se a si mesma (esse foi o ano de criação formal da seita adventista). Que bíblia paciente. Acreditam que Deus criou o mundo em seis dias literais (risos).

Sua versão do fim do mundo é confusa e tem até uma TERCEIRA vinda de Jesus, algo totalmente inexistente na bíblia!!

Não acreditam que o homem possui uma alma imortal mas que recebeu um "sopro" de vida de Deus no passado, o que caracteriza paganismo. Depois que morre nada acontece, a pessoa fica num "sono" esperando o julgamento e o fim do mundo, mais doutrina pagã. Acreditam que os escritos da Ellen G. White são inspirados mas devem ser submetidos à bíblia, ou seja, não existe sola scriptura como em toda seita protestante.



AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ

A doutrina dessa seita maluca é uma bizarra mistura de milenarismo e política e não tem nada de cristã. Pelo contrário, eles não tem vergonha de dizer que são anticristãos e que o cristianismo é a Babilônia e a organização de Satanás.

Como as adventistas, tem profecias falhas sobre o fim do mundo mas em muito maior quantidade. Não vou explicar porque essa religião é falsa pois o leitor pode digitar no google "heresias testemunhas de jeová" ou algo parecido que aparecerão centenas de sites muito bem documentados. Existe até um forum de ex membros que contam todos os podres, manipulações e doutrinações dessa seita: http://extestemunhasdejeova.net/forum/index.php.

Basicamente trata-se de uma empresa que usa as pessoas para converter o maior número de pessoas que pagarão e comprarão coisas cujo lucro irá para um pequeno grupo de velhos chamado "Corpo Governante". Para isso, ameaçam as pessoas com o Armagedom iminente e outras doutrinas malucas sobre o fim do mundo, deixando-as aterrorizadas e com medo de o Armagedom chegar e não serem salvas. Assim exploram economicamente as pessoas, transformando elas em ESCRAVOS que trabalham de graça MESMO!!!!

A mais chocante doutrina dessa seita nojenta é a necessidade de duas testemunhas para levar qualquer acusação adiante em um ato chamado Comissão Judicativa onde três anciãos julgam o acusado de pecado grave. Assim é que um escândalo de acobertamento de pedofilia estourou na Australia levando a denuncias do mesmo tipo em Portugal, EUA e outros países do mundo. As vítimas com medo do castigo de Jeová não denunciavam às autoridades policiais mas aos Anciãos dessa seita. E estes anciãos induziam a vítima de pedofilia a SENTAR E DEBATER com o criminoso para ver se a denúncia era verdadeira ou falsa! Praticamente todas as denúncias não foram levadas às autoridades e foram abafadas pela seita e os centenas de pedófilos foram simplesmente "desassociados" da seita ou a denúncia era desprezada por falta de provas e ele continuou frequentando normalmente!

Como alguém pode acreditar numa instituição assim? Tem que tá muito carente pra entrar numa merda dessas.

Além disso eles adoram Jeová abertamente, o demônio que criou o mundo. Pelos frutos conhecemos a árvore: os adoradores de um demônio só podem agir como demônios também.


CONCLUSÃO

Minha experiência pessoal por várias dessas seitas me mostrou que o protestantismo não é uma religião verdadeira mas falsa, artificial, inventada para enganar incautos, para acobertar atividades político-econômicas de sociedades secretas na europa e na américa.

O protestantismo não promove mística, ou seja, não te incentiva a se aprofundar nos mistérios da vida, de forma individual. Não lhe ensina a ter um contato direto e pessoal com a Divindade.

Eles apresentam uma Divindade pronta e, para ter acesso à ela, você precisa fazer parte de uma organização e obedecer cegamente a seus dogmas. Se você sair e criar sua própria organização, lhe taxam de herege e lhe amaldiçoam com mil esconjuros!

O protestantismo no geral oprime a alma humana. Você não se sente livre, nem feliz, nem com amor por Deus. Eu só conheci o que é realmente Amar a Deus quando obtive êxtases lendo Platão e percebendo que Deus já está dentro de mim: ele é parte da minha Alma e eu sou parte dEle! Para despertar esse Deus Interno, preciso tão somente concentrar minha mente nele e deixar ele agir! Sem repressão, sem pensar em pecado, em castigos, em leis do velho testamento ou do novo! Sem precisar frequentar nada!

Deus é lindo, Deus é maravilhoso, Deus é amor! E ele não tem nome, não tem rosto, não tem templo! Posso adorá-lo no templo ou no meu quarto! Posso adorá-lo em minha mente ou usar uma imagem para representá-lo! Ele não é Pai nem Mãe, mas é Pai e Mãe! Ele não é masculino nem feminino, mas é masculino e feminino ao mesmo tempo!

Posso acender uma vela ou um incenso, uma lamparina, uma tocha, até um isqueiro para ele! Posso desenhar uma representação dele e levar comigo para me lembrar que ele está sempre comigo! Posso usar rosários e crucifixos, mandalas, correntes, qualquer coisa! Ele não se importa com essas coisas, nunca se importou nem se importará! O universo, ou melhor, os Universos são infinitos demais para Deus se importar com um pedaço de papel, imagem, pano ou cordão que se use. O protestantismo proíbe a criatividade na adoração a Deus. É essa a liberdade que o protestantismo prega?

Deus está no silêncio! Pois quando nossa mente está barulhenta, cheia de pensamentos e desejos, não há espaço para Ele agir. Ele precisa de espaço. Se estamos cheios de nós, ele não pode agir. Como Deus pode habitar enquanto o pastor grita suas doutrinas inventadas e enche os fiéis de desespero, medo e terror? Que Deus é esse que precisa de gritos, berros, música extravagante que excita a carne e dinheiro para agir? Isso não é Deus. Isso são os donos dessas seitas querendo a adoração que é devida só a Ele!

Não sou protestante pois o "diabo" não existe! O que é existe é Yaldabaoth, o criador desse mundo. E ele não tem tanto poder pois ele não é Deus. Se ele tivesse tanto poder, não poderíamos sequer pensar em fugir dele. Mas ele é derrotado quando invocamos a Divina Sabedoria, que o põe em seu devido lugar inferior!

Protestantes chamam Terrorismo Psicológico de "temor de Deus". Temor de Deus não é o que eles dizem, mas sim é reverência e humildade, é saber que estamos presos em um corpo corruptível e que precisamos evoluir, nos desgarrando da matéria, para purificar nossa alma e libertar o Deus interno, retomando nosso lugar de Deuses no céu.

Não sou protestante porque não sou filho do pecado de Adão e Eva, mas sou Filho da Luz e de Deus e meu lugar original e verdadeiro é com Ele.

segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Mitos Cosmogônicos Egípcios: o Demiurgo e a Criação do Mundo



Acima, Ptah-Sokaris-Osiris, sincretismo que ocorreu entre os deuses Ptah, Sokar (Seker) e Osiris (Ausar)

Uma coisa que muitas pessoas falam errado é afirmar que existia uma "mitologia egípcia". Na verdade existem várias mitologias egípcias. Ao longo de 3.000 anos de Egito Antigo, essas mitologias foram se desenvolvendo e se sincretizando, mas nunca houve uma unificação total. Cada grande cidade e metrópole continuou com suas mitologias próprias. E dentro de seus mitos existem mitos sobre a criação do mundo. Apesar de usarem a mesma linguagem, esses mitos são diferentes uns dos outros. Ainda assim, existem elementos em comum. Um deles é a recorrente figura do Demiurgo, palavra grega que significa Artesão ou Artífice.

Os egípcios antigos desenvolveram a ideia de que o mundo foi modelado a partir de uma matéria pré-existente. Um Deus secundário ou autógeno modelou esta Matéria ou Caos Primordial, Águas Primordiais. Através dessa modelação, outros deuses vieram à existência para dar origem as várias substâncias e elementos do cosmo. 

As principais Cosmogonias ( ou contos da criação do mundo) que nos chegaram dos egípcios são as compilações de Hermópolis, Heliópolis, Mênfis e Tebas. Platão deve ter se inspirado principalmente no conto da criação de Mênfis, pois neste Ptah é claramente citado e apresentado como Artesão e Demiurgo do cosmos. Quando Ptah começou a falar, ele criou deuses, seres humanos e todas as coisas, através das IDEIAS ou ESSÊNCIAS que ele elaborou em sua MENTE e que verbalizou como Palavra. Portanto, Ptah PRIMEIRO EMANOU IDEIAS, MODELOS ABSTRATOS, PENSAMENTOS, e só depois pôs essas ideias em prática através da Palavra, iniciado o trabalho Demiúrgico de criação do cosmos. Isto é a doutrina platônica do Demiurgo.

Essa teoria do demiurgo foi assimilada por Platão, que deu a ela um desenvolvimento especial como uma Metafísica independente de uma religião específica. Já dissemos sobre a origem egípcias da teoria das ideias de Platão na postagem: https://gnosedesi.blogspot.com/2016/04/o-origem-egipcia-das-doutrinas-nao.html. Algumas versões mostram o Demiurgo como Verbo, criando (modelando) o mundo através de sua palavra. A ideia egípcia é que, assim como um artesão ou oleiro usa massa, barro, argila para formar uma peça, do mesmo modo o Artesão ou Demiurgo modelou uma massa sem forma e a partir dela deu a forma do Universo Material como vemos. Bem mais tarde, os cristãos irão identificar este Demiurgo egípcio-platônico com Jesus, dizendo que Jesus é o Verbo de Deus, a Primeira Criatura dele e o Criador do Cosmos. Portanto é óbvio que a teologia cristã, como vemos fundamentada no Evangelho de João, é nitidamente emprestada da religião egípcia milenar.

Estas interpretações faziam parte de Mistérios Menores que eram ensinados publicamente, através de iniciações e encenações teatrais religiosas. Mas recebemos informações de que haviam Mistérios Maiores ou Verdadeiro Mistérios. Esses ritos versavam sobre a verdadeira natureza do homem, Deus. Na história mais primitiva do Egito somente o Faraó poderia ser iniciado nesses mistérios, pois somente ele possuiria a capacidade de ser divinizado. Com o passar dos milênios e séculos esses ritos foram se estendendo à aristocracia e, por fim, no Egito greco-romano se estenderam a todas as classes sociais e todos os homens possuiriam capacidade de se divinizarem. É interessante notar como esses Mistérios falam sobre o retorno do homem à sua verdadeira natureza perdida de Deus. Mas não temos relatos da Queda do homem, e de como ele perdeu sua ligação com o Divino que ele já é. Serão as diversas escolas herméticas e gnósticas egípcias que vão falar e desenvolver sobre esse processo de queda. 

Os mitos egípcios falam da criação do mundo e dos seres humanos de forma alegórica, através de deuses e deusas com aspectos animalescos. Eles usavam os animais que habitavam o Egito. O Egito Antigo era um pântano alimentado pelo Nilo, cheio de terra lodosa habitada por muitos répteis que gostam de ambientes pantanosos: râs, sapos, cobras, mas também aves e mamíferos habituados a esse tipo de terreno. São esses animais que serão usados para tentar explicar as ideias abstratas e filosóficas que os egípcios desenvolveram tentando explicar o mistério da Existência do Mundo.

Téon de Esmirna, um matemático adepto da escola de Platão, fala desses Verdadeiros Mistérios egípcios que são diferentes de outros mistérios que já tinham se espalhado pelo mundo a séculos e não eram autênticos:

A sabedoria do matemático e filósofo Téon, nascido nesta cidade, encontra-se dentro da ação destas Escolas de Filosofia que são, como Prometeu, modeladoras do melhor do caráter humano.

Pouco se sabe da sua vida; supomos que nasceu e viveu nesta cidade, pois por altura da sua morte um dos seus filhos mandou construir um busto com uma inscrição a ele dedicada. Ptolomeu refere-se no Almagesto a um Téon, a que a posteridade chamou “o Antigo“, para o diferenciar de Téon de Alexandria, o pai da divina Hipátia.

Assim, estima-se que viveu entre os anos 70 d. C. e 135 d. C, aproximadamente, claro. É conhecido pela sua obra “Matemáticas para entender Platão“, pois outras obras suas de comentários a filósofos e matemáticos da época perderam-se. Uma recente descoberta num manuscrito árabe permitiu saber que escreveu outra obra sobre a ordem pela qual devem ser lidas as obras de Platão, um debate de viva atualidade, e com mais de dois mil anos.

O seu livro “Matemáticas para entender Platão“ é pródigo em todo o tipo de citações clássicas, pelo que sabemos que a cultura de Téon era enciclopédica. A obra do platónico inglês Thomas Taylor (1758-1835) “The Theoretic Arithmetic of the Pytagoreans“ divulgou amplamente o conhecimento deste livro na cultura ocidental.

Recordemos que para Platão, como bem refere em A República, e para este filósofo de Esmirna, a matemática é a escada que nos permite aceder ao mundo inteligível, a partir da confusão (para a alma) das sensações e do vago das opiniões. É quem nos abre o olho da Alma para a visão do Verdadeiro, olho fechado, vítima da necessidade, quando esta se precipita na vida material; esquecida de si própria e vítima de um conhecimento que é, apenas, sensação.

Deste modo, para Téon de Esmirna, a Matemática é como a iniciação nos Mistérios que leva à epopteia final, o êxtase ou rapto divino, fusão com o Todo. Assim o descreve o próprio na sua obra:

“Podemos comparar a filosofia com a iniciação nas coisas verdadeiramente sagradas e com a revelação dos autênticos mistérios. Há cinco partes na iniciação: a primeira é a purificação preliminar, porque a participação nos mistérios não pode ser outorgada indiscriminadamente a qualquer pessoa que o deseje, pois há alguns aspirantes aos quais o heraldo do caminho os afasta, como àqueles cujas mãos são impuras, ou cujo discurso carece de prudência. Mas mesmo aqueles que não são rejeitados devem ser sujeitos a certas purificações. Depois destas purificações vem a admissão aos ritos secretos (que é a iniciação propriamente dita). Em terceiro lugar vem a cerimónia que é chamada “visão plena“ [ou seja, a revelação epóptica].

O quarto nível, que é a finalidade e o objetivo da “visão total“ é o enfaixamento da cabeça e a coroação [investidura e entronização], para que aquele que recebeu as Coisas Sagradas seja ao mesmo tempo capaz, por sua vez, de transmitir a tradição a outros, quer seja através do dadouchos (as cerimónias em que se levam tochas) ou através dos hierofantes (intérpretes das Coisas Sagradas) ou por algum outro ofício sacerdotal. Finalmente, o quinto nível, que é a coroa de todos os que o precedem, é a amizade com Deus, e o disfrute da felicidade que consiste em viver em familiar intimidade com Ele.

É exatamente do mesmo modo que opera a tradição da razão platónica. De facto, começa-se desde a infância com uma certa purificação que consiste no estudo das teorias matemáticas apropriadas. De acordo com Empédocles, “é necessário que aquele que deseja submergir nas puras ondas das cinco fontes comece por purificar-se a si próprio das suas manchas“.

E Platão também diz que se deve buscar a purificação nas cinco ciências matemáticas que são a aritmética, a geometria, a estereonomia, a música e a astronomia. A tradição dos princípios filosóficos, lógicos, políticos e naturais corresponde à iniciação. Plena visão chama ele à ocupação do espírito com as coisas inteligíveis, com a verdadeira existência e com as ideias. Finalmente, ele diz que o enfaixamento e a coroação da cabeça deve ser considerada como a faculdade, que é dada ao adepto por aqueles que o ensinaram, para conduzir outros à mesma contemplação.

O quinto estado é essa felicidade consumada de que ele começa a desfrutar e que, segundo Platão, “ o identifica com a Divindade, tanto quanto é possível“.

https://www.matematicaparafilosofos.pt/teon-de-esmirna-e-a-matematica-sagrada/

O fim último dos Mistérios Maiores egípcios é alcançar a Identificação com a Divindade. Deus e o Ser Humano são da mesma natureza, pois jamais Deus poderia ter criado coisas a partir de algo que não fosse ele mesmo. Ele é o princípio e o fim, o único Ser. Os seres todos dependem de um único Ser para existir. Tal Identificação Suprema é impossível sem um desenvolvimento gradual. São poucas as pessoas que conseguem entender e realizar isso. A maioria não quer, continua presa na crença que existe como um ser individual separado de todo o universo.

Quando estudamos os Medioplatônicos e Neoplatônicos de Alexandria, vemos que sua filosofia nada mais é do que o estudo e tentativa de definição em um sistema unificado das doutrinas dos Mistérios Egípcios, com influência das filosofias gregas e das religiões diversas pagãs e orientais, ou seja, uma Teosofia. É exatamente o que os Gnósticos fizeram, mas estes se basearam essencialmente nas doutrinas evangélicas de Jesus, enquanto aqueles se basearam nas filosofias e religiões pagãs. Para saber mais um pouco sobre religiões de mistério: https://gnosedesi.blogspot.com/2019/07/acepcoes-da-palavra-gnose-gnosis.html

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MITOS COSMOGÔNICOS I – O MUNDO ANTES DA CRIAÇÃO (EGITO ANTIGO)*

ARTIGO /

A partir deste número, Cosmos e Contexto irá examinar alguns mitos de criação do Universo em diferentes civilizações. Neste texto, seguimos a apresentação de Serge Sauneron** e Jean Yoyotte*** proferida no encontro ocorrido em 1959, na França, onde se juntaram antropólogos, arqueólogos e historiadores para discutir acerca desta questão.

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Segundo as descrições mitológicas da gênese, as coisas criadas não saíram do nada pela ação de uma divindade atemporal. Os textos nos deixam adivinhar a existência prévia de um caos, de um “mundo anterior”, poderíamos dizer, que já continha em si, mas em estado latente ou sob uma disposição diferente, toda a “matéria prima” que será posta em obra para a criação. Melhor ainda, o demiurgo em potencial está como afogado neste caos; ele deverá então primeiro tomar consciência de si próprio antes de despertar para a existência e iniciar seu trabalho.

Com o que se parecia esse mundo caótico? Muitos textos comentam essa questão, onde é surpreendente constatar que os Egípcios o definiram como a ausência (ou o contrário) dos elementos constituintes do mundo criado. O “caos” não pode ser explicado, ele não se parece com nada, ele é, de certo modo, o “negativo” do presente. Assim diz uma fórmula dos Textos das Pirâmides, quando pretende divinizar o rei defunto assimilando-o ao demiurgo: “(Este rei nasceu) enquanto que o céu não tinha nascido, enquanto que a terra não tinha nascido, enquanto que os homens não tinham nascidos, enquanto que os deuses não tinham sido paridos, enquanto que a morte não tinha nascido.” Encontramos várias definições similares do não-criado inicial. Mas este não-criado tinha uma forma concreta.

No tempo do faraó Osorkon III (século VIII a.C.), a cheia do Nilo atingiu uma altura sem precedentes na memória do povo. Este dilúvio foi como um retorno aos tempos primordiais: “ O Noun subiu […] esta terra toda, ele veio bater os dois vertentes montanhosos como no tempo das origens. Esta terra estava entregue à sua potência como à de um mar….” A presença, como único aspecto descritível do caos, de uma extensão de água absoluta contendo os germes das criações em espera, o Noun, é o único traço absolutamente comum a todas as cosmogonias egípcias… e a muitas outras. O surgimento do demiurgo se fará de maneira distinta segundo as tradições: surgimento de um outeiro, eclosão de um ovo, desabrochar de um lótus, jorro misterioso de um deus de quem tudo nascerá. Mas este oceano total e aparentemente estéril, anterior a toda manifestação da vida e do movimento, é o dado permanente e comum, admitido por diversas interpretações.

Isto não deveria nos surpreender. Não nos surpreenderia também de ver que, segundo a maioria das teologias, a primeira coisa criada que se manifestou fora uma espécie de ilha, um montículo de terra saído do mar preexistente. Seria pouco verossímil considerar que os egípcios imaginaram a gênese de seu mundo a partir de especulações puramente abstratas. Na realidade, eles parecem terem transposto à aurora do universo a imagem amplificada de um fenômeno concreto: a formação progressiva do vale do Nilo, seu habitat. Os historiadores da pré-história podem seguir, nos terraços das falésias arábicas, as etapas da lenta descida rumo ao talvegue dos habitantes primitivos dos platôs. A seus pés, os humanos tiveram, durante séculos, o espetáculo de um torrente lodacento, de um verdadeiro mar iniciando-se, aos violentos remoinhos e aos turbilhões destrutivos, o Nilo, que se cavava uma cama através da massa do continente africano. Ao fim desta gigantesca formação geológica, este Nilo transformou-se num rio dotado de ritmo anual, cheia e baixa das águas. Á paisagem inicial, feita de rochas e água corrente, somou-se um novo elemento, as emergências limosas que a maré deixava após seu refluxo, em suas beiras e no meio de seu leito, e as praias arenosas que marcavam as franjas. Ao lado do torrente acalmado nascera o pântano, zona incerta, meio aquática meio terrestre, luxuriante de vegetação, fervilhante de pássaros e pequenos animais. Lembrança desta longa gênese cujos homens tinham seguido as últimas etapas e cujas gerações tinham incontestavelmente guardado uma vaga lembrança, a cheia do Nilo devia, nos tempos históricos, trazer anualmente o país à sua forma original, a de um imenso mar donde emergia apenas os vilarejos e os diques; logo após a retirada das águas, todo o vale uniformemente untado de uma camada terrosa, verdejava e se cobria de todas as formas de vida.

Estes fatos de geografia física sendo lembrados, acreditaremos de bom grado, sem dúvida, que os Egípcios imaginaram a criação do mundo como uma réplica distante e generalizada do nascimento do solo às margens do Nilo. A sociedade faraônica foi uma sociedade agrária por excelência e os sacerdotes mais eruditos sentiram e descreveram muitas vezes as coisas divinas empregando o vocabulário dos homens da terra. Concebendo o primeiro berço do sol como um lótus (nenúfar) ou como o ovo de um pássaro aquático, desenhando os deuses primordiais com cabeças de batráquios e de répteis, os Egípcios tinham em mente a visão do pântano, local elementar de toda planície aluvial. Fazendo da emergência de uma ilha o primeiro ato da gênese, atribuindo à areia uma importância fundamental na formação do solo, eles transfiguravam a imagem, repetida constantemente desde a pré-história até os tempos modernos, do nascimento das “terras novas”, ilhas jovens de limo e praias agarradas nas bordas dos meandros, “terras novas” que o camponês reencontrava no outono, depois do refluxo do Nilo, este Noun sempre recomeçado. Postulando a existência de uma água inicial, o Noun, “pai dos deuses”, assim, eles generalizavam na escala cósmica, a lembrança das épocas onde todo vale não estava ainda aterrado, onde o Nilo “batia as duas montanhas”, onde “todo o Egito, com exceção de Tebas, era um pântano, onde nada emergia ainda das partes do país que se encontram mais abaixo do lago de Moeris”, segundo Heródoto.

Para os cosmógrafos egípcios, o Noun, agora rejeitado à periferia do nosso mundo, permanece: ele é somente o imenso reservatório cujos mares são os afloramentos, de onde o Nilo extrai sua corrente, de onde o aumento da cheia nasce sob a impulsão do deus Hapi (princípio de inundação), de onde vem também a água das fontes e das chuvas. Sob o clima saariano do Egito, onde a vida só pode existir graças à cheia, aparece como uma evidência que esta água do Noun é a própria condição da vida.

Os textos egípcios descrevem então a gênese como um estabelecimento do universo onde nós estamos – e tal como nós o vemos – mas não como um mero sair do nada: a água já existia! A água era anterior ao criador de todas as coisas (1). Nessas condições, o deus Noun, personificação do oceano primordial, não poderia ele ser considerado como o primeiro deus autógeno e como o verdadeiro iniciador da gênese? Esta dupla questão, o Egípcio se colocou. Em geral, justapõe-se duas doutrinas que concernem à identidade “Daquele que veio de si mesmo à existência”: é o Noun que nós nomeamos correntemente “o pai dos deuses” ou o sol de quem dizia-se em Heliópolis que ele era o seu próprio criador e que estava na origem de tudo? Em uma narrativa mitológica, o Livro da Vaca do Céu1, Ré interpela assim o deus Noun: “Ó, tu, o mais antigo dos deuses, de quem eu sou originário!” e Noun responde: “Meu filho Ré, tu, o deus que é maior do que seu pai e do que seus criadores…” (os ditos “criadores” sendo os Oito Deuses que, segundo a cosmogonia de Hermópolis, tinham misteriosamente preparado o nascimento do sol).

O DEMIURGO

O Egípcio admite então que as componentes do mundo atual, os deuses e os astros, o céu, a terra e o reino dos mortos, os seres subaéreos, em resumo todas as dimensões da existência humana, tiveram, exceto a água, um começo. Daquele que provocou este começo, os textos, tão amplamente distribuídos no tempo e no espaço, não nos deixaram uma definição comum, universalmente válida, nem mesmo o meio de deduzir uma entre elas para a satisfação de nossa lógica cartesiana. Seria em vão querer condensar em algumas frases uma “noção egípcia” do demiurgo, criador não-criado. Certamente, houve um ser que colocou em movimento a gênese do nosso universo, mas este ser não se confunde com o criador de todas as coisas, e sua personalidade, variável e multiforme, não se deixava apreender facilmente na desordem densa das tradições divergentes e das sínteses convergentes.

Nós podemos pelo menos reconhecer que todos os sistemas, no estado onde chegaram até nós, dão ao sol, ao grande sol do Egito, terrível e benfeitor, um papel fundamental na criação, que este deus de luz tenha tudo criado e construído por ele mesmo, ou que ele tenha extraído de sua substância uma hierarquia mais ou menos longa de divindades cósmicas para obrar o detalhe da criação, ou ainda que ele tenha se encarregado de dar vida aos seres fabricados por um outro demiurgo. Mas, nas descrições do papel do sol, nós podemos detectar por comodidade três tendências primitivamente bem diferenciadas. Uma (menfita), a menos lisonjeira para o astro supremo, reduz este último ao papel de luminária permanente do mundo, a terra inicial, emergida do Noun sendo o demiurgo universal. A segunda (heliopolitana) faz do sol o demiurgo absoluto (o deus da terra sendo apenas seu neto). Estas duas teses diametralmente opostas, admitem um princípio comum: o criador supremo, mestre de sua cidade, do Egito e do mundo, não é originário de ninguém, ele é autógeno por excelência. Nisto, as tendências menfitas e heliopolitanas se distinguem da terceira tendência (provincial), que supõe que o demiurgo, em ocorrência o sol, foi colocado no mundo por uma entidade divina proveniente do Noun antes dele, um “proto-demiurgo” poderíamos dizer, e que, segundo algumas tradições, elaborou uma parte da criação.

A noção de demiurgo autógeno

Assim é, segundo a visão heliopolitana, partilhada pelos menfitas desde os tempos antigos, depois enriquecida e comentada por gerações de teólogos, o nascimento do demiurgo: o Noun líquido sendo determinado como um absoluto, anterior a toda gênese, um acontecimento misterioso se produz no dia da “Primeira Vez”, a inexplicável emergência do deus criador. Os textos são ricos de alusões a este episódio fundamental. O demiurgo “veio à existência de si mesmo”, nenhum ventre que o tenha carregado, nenhum pai que o tenha gerado, nenhum deus que tenha assistido ao seu nascimento. Ele é, por definição, o Solitário, o Único, sem família e sem testemunhas, daí o seu mistério total.

As frases que falam do nascimento do demiurgo, como também aquelas que descrevem o nascimento das coisa criadas, empregam geralmente o verbo kheper, que corresponde a uma noção bem difícil de apreender, e mais difícil ainda de transpor, do pensamento egípcio. Segundo os contextos onde figuram esta palavra, um ocidental moderno é constrangido a traduzi-la de maneira bem diferente: “nascer”, “vir à existência”, ou “existir”, “ser na existência”, ou “devir”, “se transformar (em)”, “se manifestar (de tal forma)”; o substantivo kheperou será por vezes traduzido por “(modo de) existência”, outras por “transformação”. Somente uma melhor apreciação do sentido fundamental desta raiz kheper, sentido estático e dinâmico segundo os casos, permitirá determinar as verdadeiras concepções metafísicas dos Egípcios sobre o assunto da gênese do criador (e das criaturas). As longas dissertações cosmogônicas do Papyrus Bremner Rhind usam e abusam dos termos kheper kheperou com uma sutileza desconcertante. Ao menos podemos dizer, por hipótese de trabalho, que kheper, ao mesmo tempo “existência” e “transformação”, representa, quando se aplica ao demiurgo, não um verdadeiro nascimento ex nihilo, mas melhor, a “realização” de uma entidade existente já virtualmente e que o kheperou do deus inicial constitui a adoção por ele de um “modo de existência” tangível e ativo. Esta conclusão parece confirmar pelas alusões textuais à “sonolência”, ao estado de “inércia” onde se encontrava o deus, no tempo onde ele estava misturado ao Noun. Se o oceano primitivo era seu habitat, ele não era sua razão de ser. A gênese do mundo atual começa quando o deus, constituindo seu próprio corpo, toma consciência de si mesmo sem o aporte de uma ajuda externa.

O tema menfita: “A terra que se levanta”

Desde sempre na doutrina de Ménfis dominava a primazia da terra será sempre proclamada bem alto, mesmo nas sínteses eruditas que procuraram conciliar as crenças locais e os sistemas de Heliópolis e de Hermópolis. O grande deus da cidade é Ptah de outra forma chamado Ta-tenen “a terra que se levanta”. Ptah (literalmente, sem dúvida, “o escultor”) é o fundador das artes e ofícios, patrono da construção, da escultura, da metalurgia. Como o deus Khnum, e sem dúvida por “contaminação sincretista”, ele é às vezes descrito como o oleiro que faz os seres vivos, mas nós o definimos sobretudo como um criador de imagens, aquele que derreteu do metal as carnes do Faraó ou aquele que colore cores de vida o corpo real modelado por Khnum. Sendo Ta-tenen, Ptah é o solo, iniciador da gênese, o mestre de todas as matérias trabalháveis, como plantas indispensáveis a todos; é ele que coloca e mantém o céu no lugar. Se identificando com Noun, ele provoca a inundação do Nilo. O sol, definitivamente, é apenas uma parte do deus menfita ou mesmo “a obra de suas mãos”, e ele se contenta em ser uma fonte de luz.

O tema heliopolitano: o sol e seus filhos

A tese que faz do sol – chamado Atum, Khepri, e ainda Ré-Harakhte – o demiurgo autógeno é uma das mais antigas, uma vez que ela constituía, desde o IIIº milênio, o dado essencial do sistema helipolitano. No curso da história, a maioria dos deuses supremos venerados nas grandes cidades da província seriam identificados com Ré, mestre de Heliópolis: o obscuro Amon, senhor de Tebas, este vilarejo que se torna uma capital em torno de 2000 a.C.; Khnum, o carneiro procriador, divindade maior de Assuã, Esna e de outros lugares; o crocodilo Sobek, filho das águas nascidas no coração de uma ilhota de areia, e que era adorado sobretudo em Sumenu e em Crocodilópolis. Amon-Ré, Khnum-Ré, Sobek-Ré, etc, serão tão assimilados ao sol “vindo à existência de si mesmo”, que os atributos dados a esses deuses por seus mitos primitivos foram relegados ao segundo plano, até quase inteiramente obliterados, pela concepção heliopolitana do demiurgo e que nós conferiremos os modos de aparição e os processos de criação próprios ao mestre de Heliópolis. A doutrina da “cidade do sol” predominará então em numerosos hinos sincretistas cantados desde o Novo Império (por volta de 1500 a.C.) e até a época romana (século IIIº da nossa era) para saudar esses deuses, que se tornaram solares por contaminação. Esta doutrina será finalmente mantida nas escolas onde o astro era tido por filho de alguém, ao preço de sábias especulações destinadas a reduzir o paradoxo.

Adoradores convencidos de um demiurgo único e autógeno, mestre supremo do cosmos e protótipo de Faraó, a gente de Heliópolis nem por isso deixava de fazer intervir outras divindades além de Ré-Atum-Khepri na sua narrativa da gênese. Mas a hierarquia de deuses da qual nos falam com frequência não prepara o nascimento deste criador; ela é oriunda dele. Nós o vemos nos mais antigos vestígios da teologia heliopolitana que figuram nos Textos das Pirâmides e nos Textos dos Sarcófagos, e cujo dados se encontrarão, à exaustão, nos escritos de todas as épocas. Um grupo de nove deuses, a Enéade, encarna os elementos e as forças do cosmos; ela é parte integrante do corpo solar. Testemunhamos uma demiurgia escalonada, onde se afirmam sucessivamente Atum (o sol), em seguida Sou (ar e luz) e Tefnut (a humidade), depois os filhos desse casal, Geb, o deus-terra, ao qual algumas tradições atribuirão a criação contínua de minerais e de plantas, e Nut, deusa do céu “que colocou no mundo os (outros) deuses”. Estes outros deuses são OsírisIsisSeth et Néftis, heróis da célebre lenda de Osíris. Somando a Ré-Atum, Shu e Tefnout, Geb e Nut, completam a Enéade. Mas, na forma antiga da teogonia heliopolitana, os quatro filhos de Nut não representavam, diferentemente dos cinco primeiros, partes do universo físico e, segundo os mitos clássicos, eles participaram na criação apenas de maneira indireta e complementária. Contudo, toda a novena, concebida como um único “corpo” é uma manifestação do demiurgo.

Na verdade, o único destes personagens que tem um papel realmente ativo na criação, é Shu, a atmosfera luminosa. É ele que vem separar a terra (Geb) e o céu (Nut), estabelecendo os esteios do mundo, os oito Heh [Hehou], e eleva a abóboda celeste. Ele é um verdadeiro demiurgo, originário do demiurgo mas tão antigo quanto ele e consubstancial; ele é o sopro de Atum, o vento de vida, força dinâmica do universo. Da sua associada, sua gêmea Tefnut, fala-se pouco. Sem dúvida ela era, na elaboração primitiva do mito, a necessária contrapartida feminina de Shu (mas sua identificação com a humidade atmosférica é uma pura conjectura dos egiptólogos). De todo modo, os teólogos insistiam ainda na dependência íntima do casal Shu-Tefnut em relação a Atum, de quem ele é mais que um filho pela carne, mais ainda que uma dupla emanação pelo espírito : ‘Eu era um e me tornei três”.

Mitos provinciais: o “Proto-demiurgo”

Paralelamente ao princípio admitido nas metrópoles antigas, Heliópolis e Mênfis, e mostrando o demiurgo vindo à existência de si mesmo, uma tendência “provincial”, então suscetível de apresentar tantas variantes quanto haviam cidades, admitia, com os Heliopolitanos, que o sol era o autor principal do mundo atual, mas o supunha fabricado por uma divindade anterior, nascida antes dele na água absoluta.

Estes sistemas afirmando a existência de um demiurgo pré-solar pertencem, provavelmente, aos fundamentos mais antigos das crenças faraônicas. É assim que nós temos todas as razões para presumir que um mito arcaico colocava em cena uma vaca primordial oriunda do Noun para derrubar o sol. Uma das narrativas cosmogônicas de Esna e diferentes alusões dispersas nos textos falam de fato da “vaca Ahet que pariu Ré” e de quem nós dizemos que era “sua mãe desde a Primeira Vez”. Nos tempos históricos, a personalidade desta Ahet se confundia com a de uma outra vaca primordial, Mehet-ourte (literalmente: “a Grande Nadadora”), em grego Methyer. Em todo caso, é certo que em Saïs, a deusa Neith, ilustre patrona desta metrópole do Delta, era identificada com a vaca Ahet e que ela foi tradicionalmente considerada como a mãe do deus solar e como iniciadora primeira da criação, papéis que ela ainda preencherá nas sínteses teogônicas de Esna no começo de nossa era.

Mas o melhor exemplo conhecido, senão o mais claro, de um sistema fazendo intervir um “proto-demiurgo” é o de Hermópolis: as pessoas desta cidade, os sábios de Crocodilópolis e de Tebas, seus herdeiros espirituais, sustentavam que o sol, por mais importante que ele fosse, não tinha sido o primeiro, mas que ele tinha sido procriado por uma coletividade inseparável de quatro casais divinos, os Oito, a Ogdóade, que tinha fecundado uma planta (ou um ovo) para que houvesse luz.

SÍNTESES COSMOGÔNICAS

Tais são então as principais concepções egípcias relativas à personalidade do demiurgo, convergentes em alguns pontos, divergentes em outros. Em um Egito politicamente e moralmente centralizado, a concorrência destas doutrinas colocava um problema de lógica, mesmo para os espíritos dispostos a apreender uma mesma realidade a partir de abordagens diferentes. Os sacerdotes de diferentes cidades também procederam a sínteses para conciliar à maneira os dados contidos nas tradições. Desde cedo, esforços foram feitos para conciliar parcialmente os três sistemas maiores (Mênfis e Heliópolis, Heliópolis e Hermópolis) e, quando as cidades, antigamente pouco influentes, tornaram-se importantes, seus cleros, descontentes de identificar o grande deus local à Ré de Heliópolis, retomaram os dados dos sistemas maiores e ainda os de outras cidades, para elaborar sínteses particulares.

O inventário destes trabalhos eruditos nos apresentam um troca-troca inextricável. Para não nos perdemos no labirinto de todas as sutilezas nascidas do espírito egípcio, nos contentemos de evocar alguns exemplos notórios de sínteses cosmogônicas.

1. Heliópolis e Hermópolis: Em Heliópolis, onde o sol, deus do lugar, estava nas origens, onde sua luz era primordial, não foi evidentemente nunca contestado o caráter de demiurgo autógeno de Rá-Atum-Khepri, e o tema hermopolitano da Ogdóade serviu apenas para relegar os Oito ao grau de emanações indiretas de Atum : eles eram os suportes do céu, os Hehou originários de Shou, ou seja da atmosfera luminosa.

2. Heliópolis e Mênfis: o “documento de teologia de menfita” admite que Ptah demiurgo se diferenciou em oito hipóstases das quais a principal é Atum. Em seguida, no Novo Império, conciliou-se o sistema invasivo de Heliópolis e a doutrina decididamente particularista de Mênfis, à satisfação das duas partes, concluindo que o demiurgo, o futuro sol, tinha antes se manifestado sob a forma de uma “terra emergindo” (Ta-tenen, ou seja Ptah) criando assim seu próprio suporte e pôde-se invocar o demiurgo ao mesmo tempo como sol e como terra : “Ó Ré que criou tudo que é, ó Ta-tenem que dá vida aos homens.”

3. Hermópolis e Mênfis: Segundo uma síntese menfita da Baixa Época, o demiurgo tendo antes manifestado em Ptah suscitou a Ogdóade, que colocou no mundo o sol no coração de um lótus.

4. A síntese tebana: Na Baixa Época, os Tebanos, atribuindo ao mesmo tempo a criação do sol à Ogdóade hermopolitana, decidiram que esta era filha de uma serpente Ir-ta “aquela que fez a terra” (identificada ao Ptah menfita), ela mesmo filha de uma misteriosa serpente inicial Kematef, “aquela que cumpriu seu tempo” (entidade que, sob o nome de Kneph, era ainda conhecida dos Pais da Igreja como tendo gerado o criador, no dito do Egípcios). Os dois répteis eram duas manifestações primordiais do grande Amon de Tebas. Esta surpreendente sequência de demiurgos é evidentemente o resultado de um compromisso entre as diferentes tradições regionais.

Salvo em algumas compilações de Esna, onde aparece um tipo de bipartição igualitária (Neith criando o físico e Khnum criando o biológico), os sacerdotes recorreram nas suas sínteses a dois processos que levavam ambos a subordinar os demiurgos reconhecidos em outro lugar ao grande deus local, e que, além disso, são bastante difíceis de diferenciar totalmente. Um processo, mais “filosófico”, consistia em apresenta os demiurgos estrangeiros como emanações, hipóstases do deus local. O outro, “histórico”, consistia a supor a existência de uma hierarquia de criadores, de quem o deus local era o chefe.

As múltiplas implicações de tais sínteses colocaram evidentemente aos teólogos dos períodos recentes numa enorme quantidade de problemas subsidiários. Assim, no corpus dos textos tebanos, nós poderemos ressaltar duas afirmações contraditórias sobre este assunto. Por vezes a Ogdóade foi criada pelo sol; outras o sol foi criado pela Ogdóade. Os teólogos souberam justificar implicitamente os dois termos da contradição: “a Ogdóade foi a manifestação primeira até que tu tenhas completado seu número, sendo o Um”. Esboço consubstancial de Amon-Ré, a confraria dos oito ancestrais podia ser chamada seu criador e sua criatura.

A experiência, por outro lado, mostrava que todo nascimento demandava a intervenção de um macho e de uma fêmea: Atum ele mesmo logo se dividiu em um casal sexuado, a Ogdóade hermopolitana, contava com quatro casais. Por outro lado, algumas mitologias colocavam uma deusa (Ahet, Neith) na origem da gênese, lá onde os outros colocavam um deus macho. Chega-se à conclusão que o demiurgo, fosse o que fosse, era um princípio hermafrodita: Ptah, Khnum, Amon e a grande Neith foram então nomeados comumente : “o pai dos pais e a mãe das mães.”

Estes dois exemplos mostram como os sacerdotes, querendo resolver as antinomias nascidas do sincretismo, chegaram à definições cada vez mais unitárias do criador: definitivamente, as inumeráveis tradições representavam apenas variantes descritivas das manifestações de um mesmo ser. E como os primeiros deuses originários do sol eram ao mesmo tempo, na doutrina predominante de Heliópolis, figuras elementares (ar, luz, terra, céu), como Noun ele mesmo podia apenas se explicar como a forma primeira do deus intemporal, o sincretismo chega a uma forma de panteísmo. “Tu elevastes o céu à largura de teus braços, tu alargastes a terra na medida dos seus passos”, canta um hino ao sol nascente. O cosmos é então à escala de seu artesão. Poder-se-ia citar, para ilustrar o resultado panteísta das especulações relativas ao demiurgo, muitos outros hinos do Novo Império e várias composições da Baixa Época. Assinalemos somente esta espécie de conclusão se pode ler no fim de um belo hino à Amon primordial: “Tu és o céu, tu és a terra, tu és o mundo inferior, tu és a água, tu és o ar que está entre eles.”

MODOS DE MANIFESTACÃO DO DEMIURGO

A acreditarmos nos teólogos do Egito faraônico, o Noun era a forma inorgânica e pré-temporal do deus criador e o montículo primordial foi a sua primeira forma dinâmica e constituiu o alicerce necessário que ele se deu para poder tomar forma. Mas as águas e o montículo eram ainda apenas formas prévias e inativas. Sob quais aparências descritíveis o deus autógeno apareceu no momento onde ele conseguiu se tornar um demiurgo? Novamente, nós nos depararmos com uma multiplicidade de tradições concorrentes.

A aparição do demiurgo sendo, essencialmente, a eclosão da vida atual, alguns mitos a descrevem como o resultado de um processo biológico. Assim os temas do ovo inicial e do lótus inicial, desempenham um papel fundamental em certas evocações mais naturalistas da gênese. O tema do ovo cósmico apresenta sem dúvida diversas variantes. Os textos não cosmogônicos conhecerão sobretudo a lembrança de uma obscura deusa, senhora de forças vitais da espécie humana, e cujo nome, Qerehet, é aquele que designa o ovo primordial. O nascimento do sol e o começo das coisas a partir de um ovo constituíam por outro lado um elemento essencial da cosmogonia de Hermópolis.

O tema do lótus aparece fluentemente na iconografia e escritos bem variados atribuem este modo de aparição ao demiurgo solar. Os diversos deuses que foram identificados a Ré foram automaticamente definidos ou figurados como “aquele que se levantou no grande lótus proveniente do Noun”, sentado ou em pé sobre o cálice do nenúfar (Amon-Ré, Herichef de Heracleópolis, Khnum de Esna, Harpócrates, os deuses serpentes Harsontus e Dendera e Neferhotep de Hou, etc.) O lótus, nenúfar que enraíza sobre os fundos lamacentos cuja corola desabrocha pela manhã sobre as águas onde ela estava fechada durante a noite, penteava uma imagem brilhante do que foi a primeira vida, se afirmando sobre a primeira lama, impregnada de água do Noun. Os alicerces dos templos e as bases das colunas florais serão então frequentemente ornadas com imagem do lótus inicial carregando o sol infantil, e as vinhetas ilustrando o capítulo 81 do Livro dos Mortos, “Fórmula para se transformar em lótus” reproduzirão também, com uma felicidade particular, o cálice iluminado de onde o Ser pode jorrar: “Um lótus puro, vindo da pradaria húmida”. Este tema do lótus, cobertura espontânea do sol, é especialmente desenvolvido nos textos de inspiração hermopolitana e, de fato, parece ter sido originário de Hermópolis (onde ele se justapunha paradoxalmente ao tema do ovo inicial).

Segundo muitas lendas primitivas, muito mal conhecidas pois alguns sobrenomes e alguns figurações secundárias de grandes deuses são praticamente os únicos vestígios que nos restam, um deus primordial se manifestou sob a aparência de uma serpente: assim o enigmático Nehebkau, réptil com os braços de homem que foi talvez originariamente um gênio da mãe-terra; Kematef que era para os Tebanos da Baixa Época, o protagonista efêmero da gênese.

Se é verdade que estas serpentes foram todas “seres ctónicos primordiais” – como os exegetas modernos o admitem correntemente – teríamos que concluir que um antigo fundamento mitológico descrevia o iniciador da criação como um gênio do sol encarnado em um réptil. Na realidade, estes ofídios primordiais, como podemos julgar, não apresentavam todos a mesma característica. Sendo apelidados ‘filhos da terra”, algumas são talvez forças emanadas do solo preexistente, mas Ir-ta é, literalmente, “aquele que fez a terra”. Harsontus é explicitamente descrito como “o sol que era uma bela serpente de cobre no interior do lótus de ouro saído do Noun, a Primeira Vez”. E, definitivamente, nada permite concluir que Atum, na sua cidade de Heliópolis, foi, paradoxalmente, uma personificação da terra, antes de se tornar o sol por excelência, mas ele foi talvez uma “serpente d’água” esboço do sol no Noun, pois a enguia foi, assim, seu animal sagrado.

Ainda existiam outros temas zoolátricos. Segundo alguns, o demiurgo tinha se elevado sob o aspecto de um voador: “O Grande Grasnador”, macho do ganso do Nilo, que quebra o ovo onde tinha sido formado e se atira gritando; o Fênix, a bela garça cinzenta que pousa sobre as emersões durante a inundação, e evoca o sol planando sobre as águas; Khepri, o escaravelho sagrado cujo desenho simbolizava frequentemente o deus solar de Heliópolis e servia por outro lado para anotar hieroglificamente o verbo kheper, “vir à existência”. Mas convém assinalar que a garça e o escaravelho foram sobretudo lembrados como imagens da renovação cotidiana do sol e como símbolos de ressurreição.

Enfim, duas formas bem distintas da aparição do demiurgo principal são sempre, uma e outra, subjacentes em todas as tradições, qualquer que seja a “poesia” mitológica prevalente. Ou o deus é a Terra (tipo Ptah) que se impõe sobre o elemento líquido e extrai as coisas e os vivos da sua substância. Ou então ele é o Sol (tipo Ré-Atum) cuja claridade é a condição mesma de toda criação apreensível; a chama repentina, ejetada do sexo de Atum, ou irradiada pelos dois olhos da criança que saiu do lótus na “Ilha do Fogo, dissipa as trevas e, segundo os sábios de Tebas, cozinham os elementos lodacentos que formarão a terra.

Longe dos diversos quadros naturalistas, muitas evocações cosmogônicas se exprimem exatamente como se o corpo que o demiurgo se deu a Primeira Vez, tenha sido um corpo humano; olho, boca, língua, mão, coração, membro viril, braços e pernas. Este modo de aparição, conforme a iconografia habitual e que responde incontestavelmente a uma noção antropomorfista do deus (e não a uma noção de um simbolismo) encontra seu prolongamento na imagem que nos é feita dos processos criadores do demiurgo. Que a sua técnica seja puramente material ou que ela seja intelectual, este precisa de um corpo parecido com o nosso.

OS MECANISMOS DA CRIAÇÃO

Por simplicidade iremos distinguir somente duas categorias principais na diversidade dos meios empregados pela divindade antropomórfica para suscitar a gênese dos deuses e dos outros seres.

Para caracterizar a primeira, citemos primeiro o velho mito heliopolitano que fazia nascer as primeiras criaturas, na espécie do casal divino Shu-Tefnut, do líquido seminal que o demiurgo solitário tinha feito jorrar pela sua mão; depois a outra versão, da mesma tradição, segundo a qual este casal nascera dos escarros (ishesh, tefen) do demiurgo, tema retomado à exaustão nos textos de todas as épocas. Do mesmo modo é a história, também frequentemente evocada, do nascimento dos homens originados pela metamorfose das lágrimas do sol. Materialmente, então, “os homens saíram de seus olhos e os deuses de sua boca”, mas devemos notar a intervenção do jogo de palavras teológico, que postula uma correspondência íntima entre as palavras, articulações da linguagem, e a força vital das coisas por eles designadas. De uma certa maneira, estas gêneses por emanação física descrevem como um processo espontâneo a materialização dos “substantivos”, o que os textos atestando a “criação pelo verbo” atribuem a uma iniciativa consciente “daquele que fez os nomes”.

A este segundo modo de criação, pelo espírito e pela fala, se ligam à doutrina menfita antiga que, com muita penetração, conta como Ptah concebeu no seu coração os seres por criar e deu por sua língua uma existência real a suas ideias; a divertida lenda de Atum suscitando oito gênios aéreos conversando com a água primordial; a de Neith criando o universo em sete propostas, palavras simples ou frases completas; e o tema sincretista de Amon “anunciando as coisas por vir” para as fazer nascer. Na realidade é difícil traçar uma demarcação clara entre os processos físicos e o recurso à magia verbal, pois os teólogos interpretaram muito cedo os primeiros como “símbolos” do segundo. Desde o IIIº milênio, os sacerdotes menfitas admitiam assim que “a semente e as mãos de Atum” eram nada menos que os dentes e os lábios de Ptah. Bem mais tarde ainda, as passagens cosmogônicas do Papyrus Bremner-Rhind admitem que o sol, gerando Shou-Tefnout (pelo escarro e pela masturbação), não fazia apenas que implementar o plano de criação concebido no seu coração, e uma forma derivada da doutrina heliopolitana, cujo texto tardio de Edfu, apresenta Shu, não mais como um sopro exalado com a baba do criador, mas como uma pura emanação dos seus lábios, encontrando assim o tema do verbo criador.

Face aos processos essenciais dessas cosmogonias, frequentemente os textos definem o ato criador apenas pelos termos vagos: “fazer”, “formar”, “parir”, “inaugurar”, “fazer vir à existência”, etc. Outras expressões são mais reveladoras: “construir”, “moldar”, “fazer em torno”, “modelar”. Estes verbos são do vocabulário artesanal; eles não são sempre empregados por pura metáfora, eles assumem com frequência, nas evocações cosmológicas, um sentido perfeitamente concreto, os três últimos em particular. O que nos leva a considerar, ao lado do “processo por emanação física” e “do processo verbal”, um terceiro tipo de técnica criadora: “o processo artesanal”, modo de ação demiúrgica complementar, uma vez que ele se aplica praticamente à formação dos únicos seres vivos (e à manutenção das espécies).

Vimos acima que Ptah menfita, mestre das imagens, molda e anima o corpo do rei; deus dos solos, ele permite que os deuses tenham corpos visíveis, e verdadeiramente vivos: suas estátuas são de terra, de madeira ou de pedra. Mas a ideia que Ptah tenha sido primitivamente o escultor inicial do mundo animado, antes de se tornar uma Terra-Mãe, para depois ser um criador pelo Verbo, é, por mais plausível que seja, uma conjectura dos pensadores modernos.

Por outro lado, o deus Khnum, que foi venerado sob o aspecto de um carneiro em cinco cidades notórias do Médio e do Alto Egito e que era popular por todo o país, foi o demiurgo-artesão por excelência: ele foi o deus-oleiro, fabricante soberano dos deuses, dos homens e das bestas, incluindo os répteis e a espécie aquática. É Khnum, carneiro caloroso e modelador sútil, que coloca os pequenos nos ventres das mães; sobre o círculo de seu torno, o deus fabrica “o ovo”, o vaso ou a criança embrionária, amassando os germes de vida. Se as alusões ao “modelador de carnes” são numerosas nas inscrições sagradas e aparecem na literatura profana, se a representação frequente, de Khnum fazendo seu trabalho no torno onde todo ser animado acede à existência, nós não pudemos encontrar, textos que especificam com rigor de que matéria prima o deus cria suas criaturas. Mas o tema do oleiro dos oleiros permite presumir com alguma verossimilhança que uma das velhas tradições faraônicas via em nós, e em nosso irmãos os animais, seres vindos dos barros nilóticos, pré-formados sob os dedos de Khnum primordial.

Lembremos enfim de um último processo de criação, a gênese do mundo e da vida sob o impulso de um deus de ar. Este deus era uma misteriosa força alada saída de um ovo misterioso depositado em Hermopólis, que ele fosse o sopro da boca do demiurgo (e que, em Heliopólis, era personificado pelo Shou), este grande deus que se vangloria, com soberba e dogmatismo de “não ter sido formado em um ovo”.

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 1 (1) Entre os Oito Deuses da tradição hermopolitana, o primeiro é ele mesmo nomeado Noun; e tem um duplo feminino Naunet. Embora o gênio Noun pareça por vezes diferente do “Noun o Antigo”, ele se confunde geralmente com esta personificação do oceano inicial; ele e Naunet são os “pais” dos três outros casais, de quem não podemos dizer se são aparentados de maneira descendente ou colateral.

* Trecho adaptado do texto La Naissance du Monde selon L’Égypte Ancienne, em La Naissance du Monde, de Anne Marie Esnoul et al. – Éditions du Seuil, França,1959.

** Serge Sauneron (1927-1976) – egiptólogo francês, diretor do IFAO – Institut Français d’Arquéologie Orientale.

*** Jean Yoyotte (1927-2009) – egiptólogo francês, titular da cátedra de Egiptologia no Collège de France, e diretor de estudos na EPHE – École Pratique des Hautes Études.