terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Maniqueísmo em Fujian Parte 4 FINAL: Gnosticismo, a origem de todos os Esoterismos

VENERAÇÃO DA ÁRVORE DA VIDA. Reconstrução de imagem do século 11 d.C. A figura mostra várias etnias do mundo todo se unindo para praticar o Maniqueísmo.  Veneração da Árvore da Vida é um afresco maniqueísta na Caverna 38 (nº 25 segundo Grünwedel) das Cavernas de Bezeklik em Turpan , Xinjiang , China, que retrata uma cena de adoração maniqueísta da árvore da vida . De acordo com os ensinamentos desta religião, existe uma árvore da vida que cresce no Reino da Luz. Ela tem três troncos, que simbolizam o Leste, o Oeste e o Norte do Reino da Luz. 

Este afresco foi descoberto no início do século XX e já se encontrava bastante danificado. Para facilitar a pesquisa, o arqueólogo alemão Albert Grünwedel desenhou um esboço a preto e branco, seguido de cópias a cores feitas pelo arqueólogo francês Joseph Hackin . [ 1 ] : 229–231 

O centro da imagem retrata uma árvore da vida com três troncos. A árvore tem galhos e folhas exuberantes, flores perfumadas em plena floração e numerosos frutos. Há enormes cachos de uvas pendurados nos galhos. Toda a árvore parece um enorme dossel. O lago sob a árvore pode ser o "Lago Perfumado dos Sete Tesouros", com dois pássaros no lago observando a multidão em adoração. À esquerda e à direita do tronco, havia seis pessoas saudando a árvore da vida. Quatro delas estavam ajoelhadas na frente e duas em pé atrás. Elas estão bem vestidas e usam coroas altas ricamente decoradas. Entre elas, há anjos com asas, fiéis e outras divindades. O nome, os louvores e os votos dos anjos estão em uigur , escritos no lago e na faixa lateral abaixo da pintura. [ 3 ]

Abaixo do lago de incenso, há uma inscrição uigur escrita em letras uigures em linhas verticais, semelhante às orações: "Esta é uma reunião de divindades guardiãs", "Com(?) a imagem do pavão. Eu, Sävit, escrevi. Que não haja pecado. [...] Que [...] seja protegido", "Ötükän Ngošakanč (e) Qutluk Tapmïš Qy-a, que sejam protegidos... Eu humildemente fiz [...] que estejam em paz. Por favor, perdoe meus pecados." Embora alguns dos conteúdos das orações envolvam afrescos, essas palavras não foram deixadas pelo autor original.

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 A Ideia cabalística da Árvore da Vida (Sephirot) é também copiada do maniqueísmo. A Árvore das Sephirot judaica é medieval. O Maniqueísmo é dos anos 200 d.C.

Na parte 3 dissemos:

"A PREGAÇÃO MANIQUEÍSTA FOI TÃO INTENSA QUE O HINDUÍSMO ASSIMILOU CONCEITOS E PRÁTICAS ESOTÉRICAS GNÓSTICOS, COMO JÁ VIMOS NA POSTAGEM "MANIQUEÍSMO NA ÍNDIA": https://gnosedesi.blogspot.com/2025/11/maniqueismo-na-india.html

OS YOGA SUTRAS DE PATANJALI SÓ FORAM ESCRITOS E SISTEMATIZADOS APÓS CRISTO, ENTRE 2 E 5 D.C. ANTES DELES O QUE EXISTIA ERA A MEDITAÇÃO DE ESVAZIAMENTO E OBSERVAÇÃO CRIADA PELOS SRAMANAS, COMO BUDA E MAHAVIRA, QUE DESENVOLVERAM VIPASSANA, SHAMATA E OUTRAS.

FORAM OS GNÓSTICOS QUE INVENTARAM AS TÉCNICAS AVANÇADAS DE MEDITAÇÃO CONHECIDAS COMO MENTALIZAÇÕES, VIZUALIZAÇÕES E IDENTIFICAÇÕES COM DIVINDADES E O USO DA CONCENTRAÇÃO MENTAL PARA CRIAR CORPOS DE LUZ E ENERGIAS. TUDO ISSO SÓ APARECE SISTEMATIZADO ENTRE 600 E 1000 D.C. NOS TANTRAS HINDUS, JUSTAMENTE O PERÍODO DE MAIOR SUCESSO E MUNDIALIZAÇÃO DO MANIQUEÍSMO. VEDANTA, GURUS, TANTRA, DEVATA YOGA, GURU YOGA, LAYA YOGA, KUNDALINI YOGA, RAMAKRISHNA, ADVAITA VEDANTA, TUDO O QUE ELES PRATICAM É GNOSTICISMO CRISTÃO COM ROUPAGEM HINDU.

ESSAS PRÁTICAS APARECEM NA IDADE MÉDIA ENTRE OS CÁTAROS E JUDEUS CABALISTAS PORQUE OS GNÓSTICOS CRISTÃOS ENSINARAM ISSO A ELES. E É POR ISSO QUE ISSO REAPARECE NO RENASCIMENTO EUROPEU ENTRE OS PLATONISTAS DA ITÁLIA, OS HERMETISTAS, OS NEOPLATONISTAS DE FLORENÇA COMO MARCILIO FICINO, OS OCULTISTAS E EM TODO O ESTOERISMO OCIDENTAL, PORQUE SAIU SIMPLESMENTE DOS CRIADORES DE TUDO ISSO: OS GNÓSTICOS CRISTÃOS.

OS HINDUS DIZEM QUE SUA RELIGIÃO É MAIS ANTIGA E A ORIGEM DE TUDO. FALSO. O HINDUISMO ORIGINAL ERA POLITEISMO E XAMANISMO COM SACRIFÍCIO DE ANIMAIS IGUAL AO POLITEISMO CANANEU, GREGO, SUMERIO, BABILONICO ETC. TODA METAFÍSICA HINDU É ROUBADA DOS MOVIMENTOS SRAMANA E DEPOIS DOS GNÓSTICOS E MANIQUEÍSTAS.

OS HINDUS DEVEM TER ACHADO QUE SUA RELIGIÃO É MAIS ANTIGA DEPOIS QUE MANI E OS MANIQUEÍSTAS COLOCARAM VISHNU NARAYANA COMO O PRIMEIRO DOS BUDAS, MAS ISSO FOI SÓ PRA CONVERTER ELES. E PIOR, NEM É MESMO VISHNU, É O CRISTO PRIMORDIAL, O LOGOS GNÓSTICO, O HOMEM PRIMORDIAL OHRMIZD MANIQUEÍSTA. ISSO É TÃO VERDADE QUE ANTES DE TODOS ELES, JUDAISMO, BUDISMO, HERMETISMO, HINDUISMO E TAOISMO, SÃO OS TEXTOS GNOSTICOS QUE APRESENTAM PELA PRIMEIRA VEZ NA HUMANIDADE ESSES EXERCICIOS. GENTE, É SPO LER A BIBLIOTECA DE NAG HAMMADI.

O BUDA NARAYANA NA VERDADE TEM MAIS A VER COM ADÃO E COM O CRISTIANISMO GNÓSTICO DO QUE COM HINDUÍSMO, OU SEJA, É GNOSTICISMO CRISTÃO."

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Como visto em Maniqueísmo na Índia https://gnosedesi.blogspot.com/2025/11/maniqueismo-na-india.html as doutrinas e toda a Metafísica gnóstica foram assimiladas e adaptadas dentro do Hinduísmo. Está tudo explicado em https://gnosedesi.blogspot.com/2025/11/valentinianismo-e-shankaracharya-o.html :

Mas por quê Shankara insistiu tanto em assimilar o Gnosticismo na tradição védica? Eu acho que é pela disputa com os budistas. Shankara viveu numa época de reavivamento Hindu contra as doutrinas budistas e se empenhou em debates e refutações contra o Budismo. Ao perceber que os gnósticos acreditavam na Alma Divina dentro dos Homens (Atman, o Eu Superior), ao contrário do budismo que nega o Atman, Shankara deve ter visto uma ótima oportunidade de reduzir as forças budistas trazendo para o hinduísmo os budistas esotéricos e demais gnósticos da Índia, enfraquecendo assim ainda mais as forças budistas. Basta lembrar que Shankara foi um reformador social e religioso imbuído da missão de trazer os indianos de volta para a Tradição Védica e combater o Budismo. Ele inclusive é lembrado hoje na Índia por ter "derrotado definitivamente o Budismo". Acontece que ele precisou do Gnosticismo para isto. O budismo já estava perdendo para a Gnose e o Hinduísmo antes de Shankara, mas com Shankara a derrota foi realmente consumada. Os argumentos budistas não conseguem vencer o Advaita Vedanta, o Gnosticismo. Mas esse budismo que foi refutado é apenas o exotérico. Como Blavatsky provou nas suas traduções de pequenas partes dos Tantras Tibetanos, essa mesma doutrina Gnóstica da Não-Dualidade é dogma central do Budismo Esotérico mais secreto do Tibet, uma verdade que deve ser encarnada pelo Adepto, o Iniciado pelos Monges e Lamas mais capacitados. Essa doutrina do Atman, da Alma Superior nos Homens, o Cristo Interno dos Gnósticos, está nos Tantras Tibetanos!

Eu acho que isso foi muito bom para os gnósticos, pois assim foram aceitos pela sociedade hindu como verdadeiros hindus com todos os direitos, sem precisar renegar sua Fé. Apenas mudaram os nomes de seus deuses e entidades. Fugiram da perseguição católica, zoroastriana e islâmica e ainda divulgaram no mundo inteiro a mais elevada Metafísica da Terra, que foram eles que criaram. E ainda continuaram praticando as mais esotéricas doutrinas gnósticas sem sofrer qualquer tipo de censura, pois elas continuaram sendo ensinadas de geração em geração até hoje com o nome de Tantra na Índia e no Tibet.

E também na postagemVALENTINISMO TANTRA E SHANKARACHARYA: : https://gnosedesi.blogspot.com/2025/11/valentinianismo-e-shankaracharya-o.html

O fato de o cristão Terebinthus se tornar um Iluminado e se autodenominar Buddha e ainda se empenhar nos debates com os adeptos do culto de Mithra na Babilônia pode muito bem ser o início do sincretismo que deu origem ao Buddha Maitreya, que já falamos na postagem https://gnosedesi.blogspot.com/2018/05/maitreya-cristo-cosmico-budismo.html. Então, esses sincretismos entre Gnosticismo, Mitraísmo e Budismo, deram origem a algumas tradições dentro do Mahayana.

Nós já falamos que a maioria dos estudiosos modernos concorda que a tradição Tantra do hinduísmo e do budismo tem origem na Pérsia e outros países ao norte da antiga Índia (Tajiquistão), e que essas ideias eram exatamente a religião Maniqueísta que chegou a se tornar religião oficial do Império Uyghur. Iremos explicar posteriormente mais como a religião Bon do Tibet, hoje aceita como uma das escolas do Budismo Tibetano pelo Dalai Lama, é na verdade um sincretismo do Maniqueísmo com o xamanismo original das tribos tibetanas e com o budismo. Mas nós já falamos algo sobre isso na postagem https://gnosedesi.blogspot.com/2018/11/troma-nagmo-chod-pratica-de-origem.html.

Precisamos falar aqui sobre os erros de Helena Blavatsky. Em sua obra A Doutrina Secreta, Blavatsky afirma que antes do Budismo chegar no Tibet, povos de origem Atlante haviam deixado, muitos milênios atrás, uma doutrina esotérica universal, a tal Doutrina Secreta, no Tibet e em outras partes do mundo, como Índia e Egito. Ela vai analisando esses conteúdos que diz estarem contidos nos Livros de Dzyan ou Estâncias de Dzyan. Vamos lá, segundo Blavatsky:

Sobre Scitiano e Terebinto, já falamos o seguinte em  https://gnosedesi.blogspot.com/2025/11/abraxas-e-caulacau-parte-1-ligacoes.html :

Há também a declaração feita sobre os livros maniqueístas de Cirilo de Jerusalém, 1 a quem, como bispo, devemos acreditar em tentar falar apenas o que ele acreditava ser verdade, e que, como bispo de Jerusalém, provavelmente sabia muito sobre a história anterior de sua própria diocese. Cyril nos fala de um certo Cito (Scythianus) que viveu em Alexandria e escreveu livros que fingiam ser o evangelho, mas "não tinha os atos de Cristo, mas o mero nome apenas", ao qual o "Acta Archelai" acrescenta que ele fundou sua seita durante a vida dos apóstolos, e veio a Jerusalém na esperança de obtê-los aprovados. Scythianus teve um discípulo chamado Terebinthus, 2 que aparentemente veio a Jerusalém com o mesmo propósito, mas foi rejeitado pelas autoridades e retirou-se para a Pérsia, onde assumiu o nome de Buda. Esses livros foram a base sobre a qual Mani fundou seus ensinamentos. As semelhanças entre o "Saddharma pundarika" e o "Pistis Sophia" dão probabilidade à história. Deve ter havido em circulação em Alexandria, durante a segunda metade do primeiro século dC, um livro budista ou uma coleção de livros que era o Ur-evangelium de várias heresias.
Minha opinião é clara: as doutrinas gnósticas que encontramos no Mahayana são heréticas, contrárias ao Budismo Theravada e a todos os tipos mais antigos e não se encaixam no Budismo a não ser forçando muito e com a artimanha dos "ensinos esotéricos de Buda". Portanto Pistis Sophia surgiu primeiro. Sua Metafísica egípcio-platônico-judaico-gnóstico-cristã não deixa dúvidas. Todo o Budismo Esotérico e Mahayana e muito pior o Vajrayana e seus Tantras são estranhos DEMAIS ao pensamento do Buda e do Budismo mais antigo. Isso claramente saiu de fontes não budistas: GNÓSTICAS CRISTÃS!

Os mantras podem ter sido hindus originalmente mas sua evolução para práticas de meditação avançadas e esotéricas como vemos em Kriya Yoga, Raja Yoga, Tantra Yoga, Kundalini Yoga, Jnana Yoga e todas as outras do tipo certamente não são hindus nem budistas. São gnósticas e foram copiadas.


As semelhanças entre o Saddharma Pundarika Sutra (Sutra de Lótus) e a Pistis Sophia (texto gnóstico do século 2 d.C.) são frequentemente citadas por historiadores da religião para sugerir um intercâmbio cultural profundo entre o Budismo Mahayana e o Gnosticismo cristão no Egito. 

Aqui estão as principais razões e paralelos que explicam essa proximidade:
1. Estrutura Narrativa e Cenário
Ambos os textos compartilham uma estrutura de "revelação celestial":
  • A Assembléia: No Sutra de Lótus, o Buda aparece em uma montanha (Pico dos Abutres) cercado por uma multidão de seres celestiais e discípulos para revelar uma verdade final.
  • O Jesus Gnóstico: Na Pistis Sophia, o Cristo ressuscitado aparece aos seus discípulos no Monte das Oliveiras, após passar onze anos ensinando-os, para revelar mistérios que não haviam sido ditos anteriormente.
  • Luz Transfiguradora: Em ambos, a revelação é precedida por um fenômeno de luz ofuscante que emana do mestre, sinalizando que ele transcendeu a forma humana comum. 
2. A Figura da Sabedoria (Sophia vs. Prajna)
  • Sophia: Na Pistis Sophia, a figura central é a "Sabedoria" que caiu no caos e busca retornar à luz através do arrependimento e do conhecimento (gnosis).
  • Prajnaparamita: No Budismo Mahayana, a "Perfeição da Sabedoria" é personificada como a "Mãe de todos os Budas". Ambos os sistemas tratam a Sabedoria como um princípio feminino cósmico essencial para a libertação. 
3. Doutrina do Arrependimento e Ascensão
  • Os Arrependimentos de Sophia: O texto gnóstico detalha treze arrependimentos de Sophia enquanto ela sobe pelos "Aeons" (reinos celestiais).
  • Ascensão Espiritual: O Sutra de Lótus descreve a progressão dos discípulos através de diferentes estágios de iluminação e a promessa de que todos, incluindo seres considerados "caídos" ou inferiores, atingirão a condição de Buda. 
4. Conexão Histórica: A Rota Comercial de Alexandria
Estudiosos como Edward Conze sugerem que essas semelhanças não são coincidência, mas fruto do contato em Alexandria: 
  • Mercadores e Monges: Alexandria era o maior centro comercial do Império Romano no começo de nossa era histórica e mantinha rotas marítimas constantes com a Índia. Monges budistas e filósofos gnósticos frequentavam os mesmos portos e mercados.
  • Scythianus e Terebinthus: A lenda mencionada por Cirilo de Jerusalém sobre Scythianus (que teria trazido livros da Índia) e seu discípulo Terebinthus (que se chamou de "Buda") reflete o esforço da Igreja primitiva em rotular essas ideias gnósticas como "paganismo disfarçado". 
5. O Conceito de "Ekayana" e Universalismo
  • Um Único Caminho: O Sutra de Lótus introduz o Ekayana (Veículo Único), afirmando que todas as formas anteriores de ensino eram apenas meios hábeis (upaya) para a verdade final.
  • Mistérios Superiores: A Pistis Sophia opera de forma similar, apresentando-se como a revelação suprema que torna obsoletos ou completa os ensinamentos anteriores do cristianismo ortodoxo.


VI. Conclusão

Essas duas expedições enriqueceram muito nosso conhecimento sobre o maniqueísmo e nos proporcionaram uma compreensão direta das crenças maniqueístas locais. Com base em nossa pesquisa recente, podemos chegar às seguintes conclusões:

Primeiramente, o maniqueísmo é uma religião viva, não algo que desapareceu completamente desde o século XIII, como se acredita comumente. Hoje, em Xiapu, ainda se podem ver certificados de ordenação emitidos há mais de 20 anos. Embora não sejam muitos, eles comprovam que o maniqueísmo tem sido transmitido de geração em geração na região de Xiapu. Os clássicos e livros rituais maniqueístas locais foram copiados de geração em geração e ainda são usados ​​atualmente. Na vila de Jianglong, no condado de Pingnan, todas as famílias prestam culto a Mani e Lin Deng. Existem templos em Fuzhou, Xiapu e Jinjiang que prestam culto a Mani e Lin Deng, e o incenso queima continuamente. Os sacerdotes de Mani em Xiapu e Pingnan têm sucessores habilidosos na realização dos rituais. Todos os anos, do 12º ao 21º dia do segundo mês lunar, são realizadas atividades em homenagem a Lin Deng nas vilas de Baiyang, Shangwan e Tahou, no município de Baiyang. O conteúdo principal das atividades inclui apresentações culturais, recepção dos deuses, orações por bênçãos, culto à genealogia e entrega de relíquias culturais. O nível de animação é ainda maior do que o do Ano Novo. [31] Tudo isso demonstra a forte vitalidade do maniqueísmo em Fujian.

Em segundo lugar, o Palácio Fuzhou Fushou, o Palácio Jinjiang Jingzhu e a Vila Pingnan Jianglong consagram o Buda da Luz Mani e Lin Deng. O Palácio Xiapu Dihui e o Palácio Longshou consagram Lin Deng. Jinjiang Cao'an consagra o Buda da Luz Mani. Embora não haja Lin Deng, a imagem do Buda da Luz Mani é quase idêntica ao rosto infantil visto no Palácio Fushou, indicando que provém do mesmo sistema. Em suma, o maniqueísmo em várias partes de Fujian pode ser classificado no sistema maniqueísta Xiapu e pode ser coletivamente chamado de "Xiapu Mingjiaomen" ou "Maniqueísmo Xiapu". Este é o consenso alcançado pelos membros da equipe de pesquisa após investigação sistemática. No entanto, esta questão é complexa e requer pesquisa aprofundada e sistemática, o que não é o foco principal deste artigo, portanto, será omitida. Além de Fujian, o maniqueísmo também era prevalente em Wenzhou e Cangnan, em Zhejiang, durante as dinastias Song e Yuan. Concluiu-se que o maniqueísmo de Wenzhou se originou em Xiapu.[32] Os maniqueístas de Cangnan também consideram Lin Deng como seu oitavo ancestral, e sua origem também deve estar em Xiapu. Por extensão, o maniqueísmo em Wenzhou e Cangnan também pertence ao sistema maniqueísta de Xiapu. Portanto, Lin Deng foi reconhecido pelos maniqueístas em vários lugares como o fundador da "Seita Mingjiao de Xiapu". Como resultado, ele foi por muito tempo venerado como líder pelos maniqueístas em Fujian, Zhejiang e outros lugares, e também pelo povo. Eu disse anteriormente que Lin Deng era o líder do maniqueísmo. O Sr. Lin Wushu discordou. Ele acreditava que, aos olhos dos aldeões, Lin Deng era apenas uma "divindade taoísta" e um "deus local". "Eles não veneravam Lin Deng como o deus de Mingjiao". [33] Se a condição física do Sr. Lin permitir no futuro, ele poderá ter a oportunidade de visitar Fujian e Zhejiang para investigar as relíquias maniqueístas e o maniqueísmo vivo. Ele poderá ter uma compreensão completamente nova.

Em terceiro lugar, o maniqueísmo sofreu mudanças em resposta a diferentes circunstâncias durante sua disseminação e, em vez de aderir aos clássicos originais, transformou-se em direção a uma abordagem mais humanista, realista e secular. Quando o maniqueísmo chegou à China durante a Dinastia Tang, mostrou uma clara tendência à budistaização;[34] após a Dinastia Song, o maniqueísmo em Fujian e Zhejiang mostrou uma clara tendência à taoísta,[35] enquanto o componente de crença popular aumentou e se aprofundou gradualmente.[36] Essas mudanças podem ser vistas como manifestações da dessinização, sinização e popularização do maniqueísmo, ou como novos desenvolvimentos e mudanças no maniqueísmo em Fujian. Mais de mil anos após a extinção do maniqueísmo ortodoxo, o "Xiapu Mingjiaomen" continua ininterrupto em Fujian e Zhejiang até os dias de hoje. Por quê? Isso deve estar intimamente relacionado à atitude e aos conceitos progressistas do maniqueísmo em várias partes de Fujian, o que merece uma exploração aprofundada.

(Todas as fotos utilizadas neste artigo, com exceção das Figuras 3, 15 e 20, foram tiradas por Yang Fuxue.)



Projeto financiado por: Projeto do Fundo Nacional de Ciências Sociais de 2014 "Um estudo sobre o maniqueísmo em Xiapu" (Nº: 14XZS001).

Sobre os autores: Yang Fuxue (1965-), de Dengzhou, província de Henan, é pesquisador do Instituto de Cultura Étnica e Religiosa da Academia de Dunhuang e possui doutorado. Ele também é professor e orientador de doutorado no Instituto de Estudos de Dunhuang da Universidade de Lanzhou, especializado em estudos uigures e religião antiga. Li Xiaoyan (1979-), do sexo feminino, de Guyuan, província de Ningxia, é doutoranda (2015) no Instituto de Estudos de Dunhuang da Universidade de Lanzhou, especializada em religião antiga. Peng Xiaojing (1980-), do sexo feminino, de Xuzhou, província de Jiangsu, é funcionária do Instituto de Cultura Étnica e Religiosa da Academia de Dunhuang, especializada em religião antiga.


Observação:

[1]. E. Spät, "Os 'Professores' de Mani na Acta Archelai e Simon Magus",  Vigiliae Christiane  Vol. 58, Não. 1, 2004, pp.

[2]. Santo Agostinho,  De Natura Boni , Washington, 1955.

[3]. G. Flügel,  Mani, seine Lehre und Schriften , Leipzig, 1969, pp. 4-80.

[4]. CE Sachau (ed.),  The Chronology of Ancient Nation , Londres 1879;idem, Al-Biruni's India, Londres, 1887.

[5]. AP Martinez, “Os dois capítulos de Gardīzī sobre os turcos”,  Archivum Eurasiae Medii Aevi , II (1982), 1983, pp. 134, 136; [Reino Unido] Martinez, traduzido por Yang Fuxue e Kai Xuan: “Gardīzī sobre os turcos”, Nova Coleção de Traduções de Estudos Uigures, Lanzhou: Gansu Education Press, 2015, pp. 258-259.

[6]. LV Clark, “The Turkic Manichaean Literature”, P. Mirecki - J. Beduhn (eds.),  Emerging from Darkness. Studies in the Recovery of Manichaean Sources , Leiden-New York-Köln, 1997, pp. 89-141; H. -J. Klimkeit, “The Significance of the Manichaean Texts in Turkish”, Commemorative Essays for Mr. Geng Shimin's 70th Birthday, Beijing: Nationalities Publishing House, 1999, pp. 225-245; [German] Klimkeit, translated by Yang Fuxue and Fan Lisha, “The Importance of Turkic Manichaean Texts”, Collection of Translations of Uyghur Studies, Lanzhou: Gansu Nationalities Publishing House, 2012, pp. 137-154.

[7]. Chen Jinguo e Lin Yun, “A descoberta de Mingjiao: uma análise dos eventos maniqueístas no condado de Xiapu, província de Fujian”, Além da Arte: Palestras de artistas famosos na “Sala de aula de arte e literatura” da Academia Central de Belas Artes, Pequim: Editora da Universidade de Pequim, 2010, pp. 343-389; Fan Lisha e Yang Fuxue, “Os documentos maniqueístas de Xiapu e sua importância”, Estudos de Religiões Mundiais, nº 6, 2011, pp. 186-193.

[8]. Lin Wushu, “Distinguishing Differences in the Poems and Prose of the Xiapu Version of the Lower Section of the Eulogy”, Journal of World Religions, No. 3, 2012, pp. 172-173; Yang Fuxue and Bao Lang, “The Relationship between the Xiapu Manichaean Document “Mani Guangfo” and Dunhuang Documents”, Dunhuang and Turpan Studies, Vol. 15, Shanghai: Shanghai Ancient Books Publishing House, 2015, pp. 409-425.

[9]. Yuan Wenqi, “Um estudo sobre a grande descoberta de textos rituais maniqueístas em Xiapu, Fujian”, Estudos de Religiões Mundiais, nº 5, 2011, pp. 169-180.

[10]. Ma Xiaohe, “Remains of the Religion of Light in Xiapu County, Fujian Province”, Eurasian Studies, Vol. 9, Special Issue of the Second International Symposium on Traditional Chinese Studies, Beijing: Zhonghua Book Company, 2009, pp. 83-84.

[11]. Yang Fuxue, “Os registros dos deuses de Leshantang e o maniqueísmo em Fujian: um estudo comparativo de documentos maniqueístas de Xiapu, Dunhuang e Turpan”, Wen Shi, Vol. 4, 2011, pp. 135-173.

[12]. Yang Fuxue, “Lin Deng e seu status na história do maniqueísmo na China”, Journal of Chinese History Studies, nº 1, 2014, pp. 112-116; Peng Xiaojing e Yang Fuxue, “A conexão entre a oração maniqueísta da chuva em Fujian e a tradição da oração da chuva ao longo da Rota da Seda”, Journal of Shihezi University, nº 1, 2016, pp. 29-33.

[13] O Gazetteer de Fuzhou durante o Período Wanli, Volume 15, "Xianfan", Pequim: Bibliografia e Documentação Press, 1990, p. 403.

[14] He Qiaoyuan, Livro de Fujian, Volume 7, Fangyu Zhi, Fuzhou: Editora Popular de Fujian, 1994, p. 172.

[15]. Zhan Liangtu, “Explorando as Origens dos Poemas no Templo Cao'an em Jinjiang”, Journal of Shihezi University, 2016, No. 11.

[16]. Compilado por He Qiaoyuan da Dinastia Ming, Livro de Fujian, Volume 7, Fangyu Zhi, Fuzhou: Editora Popular de Fujian, 1994, p. 172.

[17]. Zhan Liangtu, Um Estudo do Templo Cao'an em Jinjiang, Xiamen: Xiamen University Press, 2008, p. 82.

[18]. Zhan Liangtu, Um Estudo do Templo Cao'an em Jinjiang, Xiamen: Xiamen University Press, 2008, Figs. 24, 25.

[19]. Yang Fuxue, “Lin Deng e seu status na história do maniqueísmo na China”, Revista de Estudos de História Chinesa, nº 1, 2014, pp. 114-115.

[20]. He Qiaoyuan, Livro de Fujian, Volume 7, Fangyu Zhi, Fuzhou: Editora Popular de Fujian, 1994, p. 172.

[21]. Samuel NC Lieu, "Precept and Practice in Manichaean Monasticism",  Journal of TheologicalStudies , New Series 32, 1982, p.163; ibid,  Manichaeism in the Later Roman Empire and Medieval China: a historical survey, Manchester , 1985, pp. 89, 264; ibid,  Manichaeism in Central Asia and China , Leiden-Boston-Köln, 1998, p. 86.

[22]. Moriyasu Takao, “Sobre o čxšapt ay uigur e a disseminação do maniqueísmo no sul da China”, RE Emmerick (ed.),  Studia Manichaica. IV. Internationaler Kongress zum Manichäismus ,Berlim, 14-18 de julho de 1997, Berlim, 2000, p. 436; [Japão] Moriyasu Takao, traduzido por Yang Fuxue e Ji Jiachen: “Uigur čxšapt ay and the Spreading of Manichaeism in Southeast China”, Nova Coleção de Traduções de Estudos Uigures, Lanzhou: Gansu Education Press, 2015, p. 176.

[23]. Yang Fuxue, “Notas suplementares sobre a abertura da religião maniqueísta em Fujian por monges uigures”, Estudos das Regiões Ocidentais, nº 4, 2013, p. 111; Yang Fuxue, Estudos sobre a religião maniqueísta nos uigures, Pequim: Editora de Ciências Sociais da China, 2016, p. 238.

[24]. Li Linzhou, “Um importante local maniqueísta em Fuzhou — Fuzhou Taijiang Yizhou Puxi Fushou Palace”, Fujian Religion, No. 44.

[25]. Lin Wushu, “Análise dos atributos religiosos do ‘Mingjiao Wenfo’ no Palácio Fushou em Puxi, Fuzhou”, Revista da Universidade Sun Yat-sen, nº 6, 2004, pp. 118, 122.

[26]. Ma Xiaohe, “Um estudo dos Cinco Budas do Culto Ming: Um estudo dos documentos Xiapu”, Fudan Journal, nº 3, 2013, pp. 100-114; Lin Wushu, “Um suplemento ao culto dos Cinco Budas do Culto Ming”, Literatura e História, nº 3, 2012, pp. 385-408.

[27]. Yang Fuxue, “Lin Deng e seu status na história do maniqueísmo na China”, Revista de Estudos de História Chinesa, nº 1, 2014, p. 123.

[28]. Peng Xiaojing e Yang Fuxue, “Uma exploração das divindades maniqueístas do Palácio Fuzhou Fushou”, Estudos de Religiões Mundiais, nº 3, 2016, p. 124.

[29]. Yang Fuxue e Peng Xiaojing, “Estudos diversos sobre a estátua do Buda Mani no Palácio Fushou, Fuzhou”, Estudos em História da Imagem (segundo semestre de 2015), Pequim: Editora Popular, 2016, p. 152.

[30] Instituto de História, Academia Chinesa de Ciências Sociais et al., eds., Coleção Britânica de Manuscritos de Dunhuang (excluindo escrituras budistas chinesas), Vol. 5, Chengdu: Editora Popular de Sichuan, 1992, p. 224. O texto pode ser encontrado em Lin Wushu, Maniqueísmo e sua Difusão para o Leste, Pequim: Zhonghua Book Company, 1987, p. 231.

[31]. Lin Zizhou e Chen Jianqiu, “Uma investigação sobre as atividades sacrificiais de Lin Deng do culto Ming em Xiapu, Fujian”, Cultura Religiosa Mundial, nº 5, 2010, pp. 82-85.

[32]. Lin Shundao, “Um estudo sobre a introdução do maniqueísmo em Wenzhou”, Estudos de Religiões Mundiais, nº 1, 2007, p. 131.

[33]. Lin Wushu, “Minhas opiniões sobre a adoração de Lin Deng em Xiapu”, Wen Shi, No. 2, 2015, p. 109.

[34]. Yang Fuxue e Bao Lang, “Sobre a dependência maniqueísta do budismo vista a partir da versão Xiapu do Buda Mani”, Journal of Religious Studies, nº 4, 2014, pp. 256-266.

[35]. Lin Wushu, “Um estudo sobre o “Maniqueísmo Song baseado no Taoísmo”, em Zhang Rongfang e Dai Zhiguo (eds.), Chen Yuan e Lingnan: Atas do Simpósio Acadêmico Comemorativo do 130º Aniversário do Nascimento do Sr. Chen Yuan, Pequim: Editora de Ciências Sociais da China, 2011, pp. 81-107.

[36]. Chen Jinguo, “Sobre a desbarbarização e localização do maniqueísmo: um estudo de caso dos sítios históricos e textos rituais existentes do maniqueísmo no condado de Xiapu, província de Fujian”, submetido como artigo ao Simpósio Internacional sobre “Confucionismo Popular e Grupos de Salvação” (Universidade Fo Guang, Taiwan, 9 a 11 de junho de 2009).

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