quarta-feira, 26 de julho de 2023

O filme da Barbie: uma porcaria burguesa e neoliberal

 A cara que a personagem Sasha fez ao conhecer a Barbie na escola foi minha cara o cinema todo vendo essa bosta de filme. Que ódio de ter gastado dinheiro nessa merda.



Eu desconfio totalmente da capacidade cognitiva de alguém que tenha gostado desse filme. Pior ainda se a pessoa se diz de Esquerda, porque o filme é um ode ao Neoliberalismo.

Concordo com todas as críticas aos homens, mas o filme é perverso em tantos níveis que nem sei por onde começar.

Trata-se de uma tentativa de atualizar a Barbie para o século XXI. O filme tenta simplesmente JUSTIFICAR O CONSUMISMO com a desculpa de que nós fomos tolos esse tempo todo e não entendemos que a Barbie não é pra objetificar a mulher e criar um padrão, mas sim para que cada criança criasse sua própria história, que cada mulher fosse dona de seu destino e usasse sua imaginação para ir além... Bonito, muito bonito, mas nós sabemos que isso é mentira. Barbie foi criada como Marilyn Monroe. Assistam ao vídeo MARILYN MONRE E JESUS CRISTO da Senhorita Bira e vocês verão quem é a Barbie, o que é Barbie e o que ela realmente representa para o Ocidente:




Barbie é a Marilyn Monroe. É a feminilidade COMPRADA, CONSUMIDA. Estamos no capitalismo, gente! Tudo é comprado, até ser mulher agora é comprado.

Não se sinta mal comprando Barbie. Ela significa a liberdade da mulher contra o machismo! Ela não está impondo um padrão de beleza, imagina! Vocês entenderam errado...

Os homens no filme são reduzidos a idiotas que assediam. Até mesmo os gays são retratados como idiotas que assediam, numa cena do Ken e da Barbie andando na praia. Até os gays são estereotipados como idiotas.

A Barbie Mulher Trans não tem identidade e se submete ao universo da Barbie Barbie (a principal), como se o papel dela fosse simplesmente enaltecer o consumo de Barbies. Veja, você pode COMPRAR uma Barbie trans, não tem problema algum. É claro que não tem problema, mas a boneca trans não faz mais nada no filme além de servir de suporte à Barbie Barbie. Não fez sentido algum aquela boneca ali.

A única hora em que aparecem TRABALHADORES no filme eles estão assediando a Barbie e falando coisas nojentas. São os pedreiros no canteiro de obras. Não há faxineiros, atendentes, vendedores no filme! A classe trabalhadora simpelsmente NÃO EXISTE NEM NO MUNDO DAS BARBIES, NEM NO MUNDO REAL (A Barbie foge do mundo das barbies e vem para o mundo real). Mas o mundo real do filme de real não tem nada. As mulheres são completamente deslocadas da classe trabalhadora!

As personagens latinas são mulheres chatas de classe média. A mulher pobre dos EUA não existe e a classe trabalhadora menos! Não sei se vocês conseguiram perceber a maliginidade disso. O filme trata a classe pobre e trabalhadora como simplesmente inexistente nos EUA. Enaltece a vida fútil e estúpida do americano de classe média que agora é militante feminista e pode consumir suas Barbies em paz porque agora Barbie tem um novo significado. Pior, coloca latinas nesse papel de americano médio estúpido justamente para desconectar a população latina de sua origem trabalhadora e se identificar artificialmente com o americano médio, destruindo assim as bases da luta socialista.

O filme deixa claro: o inimigo é o sexo masculino, não a burguesia. A criadora da Barbie, uma velha hipócrita e mentirosa, não é vilã. A fábrica dela não explora os trabalhadores nem destroi o meio ambiente com seus plásticos. Não, o vilão é o Diretor da Mattel e seus auxiliares que, se vocês não sabem, são empregados!

Enfim, o filme é uma ode ao Neoliberalismo e ao consumo, tenta limpar a imagem da Barbie com as mulheres, rebaixa homens, gays e trans a meros fantoches e coadjuvantes, ataca a classe trabalhadora e faz uma sutil lavagem cerebral de que o consumo de massa não é ruim se você forçar militância identitária nele. A classe trabalhadora não existe e quando existe é um bando de homem assediador.

O único ponto positivo do filme é o deboche ao homem branco tentando aprender espanhol pra se comunicar com a esposa e a filha, foi a única cena que me fez rir e que fez uma crítica interessante à sociedade americana, o resto todo do filme é uma enorme caçamba de lixo.

Eu estava sentado do lado de duas crianças e uma adolescente. A adolescente e o menino do meu lado pegaram o celular e começaram a mexer até o filme acabar. As mães começaram a fofocar e a sair da sala pra comprar comida. O filme é TÃO RUIM, MAS TÃO RUIM QUE NEM AS CRIANÇAS GOSTARAM.

Sobre as críticas aos tiozões conservadores que estão revoltados: eles esperavam o quê? Uma barbie camponesa medieval católica analfabeta e morta de fome com 11 filhos rezando pelo marido e pelos filhos que foram pras cruzadas matar cátaros e muçulmanos? Ora, estamos no mundo da Burguesia. O filme prega os valores burgueses, não cristãos. Tanto os tiozões bolsonaristas que odiaram o filme estão errados quanto quem gostou dessa bosta também está.

Não perca seu tempo assistindo. Vai por mim, o filme é uma merda.

domingo, 23 de julho de 2023

O potencial simbólico desperdiçado dos X-Men como indígenas

 



Como fã dos X-Men desde que assisti ao desenho clássico dos anos 90 no programa TV Colosso que passava de manhã na Globo e fui mais tarde colecionar os quadrinhos no final dos anos 90 e começo dos 2000, tenho propriedade pra falar sobre eles porque sei quase tudo e adoro demais esses personagens.

Complexo de Messias é uma saga ruim. Desde 2006  a Marvel passou a boicotar os X-Men e o Quarteto Fantástico por causa dos direitos cinematográficos que ela vendeu para a Fox Studios por dificuldades financeiras graves. Os mutantes foram sendo excluídos das historias e a Marvel passou a planejar o Marvel Cinematic Universe sem eles e que nasceu em 2008 com o filme do Homem de Ferro. O boicote começa oficialmente no final da saga Dinastia M quando a Feiticeira Escarlate (a Wanda) surtando mais uma vez, a louca, e criando uma realidade alternativa e depois desfazendo tudo transformando 99% dos mutantes em homo sapiens com sua fatídica frase: chega de mutantes. Alguns anos depois, um retcon é feito e Wanda e seu irmão Pietro são desfeitos mutantes e agora são aprimorados do Alto Evolucionário.

Obs: a Marvel quase foi a falÊncia nos anos 90 por estragar todas as suas revistas com artistas ruins, sagas caça-níqueis e uma especulação das revistas que eram vendidas não para serem lidas mas revendidas por lojas de quadrinhos, o que causou a queda total da qualidade a partir de 1996, depois da debandada de seus melhores artistas que fundaram a Image Comics, dentre eles o maior e melhor de todos Jim Lee, na minha opinião.

Obs 2: Homem de Ferro deveria ser um vilão, já falei isso na internet uns anos atrás que esse personagem é um fascista de merda e agora a poucas semanas a Marvel resolveu colocar tecnologia Stark em Sentinelas caça-mutantes, então eu acho que isso pode estar sendo trabalhado. Eu postei a uns 3 anos atrás que Wanda seria revelada mutante em WandaVision e que a Joia da Mente despertaria o gene dela e isso aconteceu não com a Wanda mas com a Kamala Khan (Ms Marvel), então eu acho que a Marvel anda lendo meus posts internet afora e roubando minhas ideias (que são ótimas, aliás, o meu final para Game of Thrones postado em vários comentários no YouTue recebeu centenas de curtidas e elogios e pessoas esperaram para que acontecesse o que eu teorizei, e claro que os dois idiotas Dumb&Dumber não copiaram nada de mim e virou aquele fiasco de final horrendo, até demitidos de Star Wars eles foram por causa disso hahaha).

Mas os X-Men sempre foram usados para simbolizar o racismo e o preconceito contra minorias, e isso serviu e ainda serve muito bem. Mas não é suficiente. Os latinos tem se tornado uma população crescente a ponto de serem a maioria da população da California, enquanto a população branca vem diminuindo nos EUA. Os indígenas são muito pouco abordados nas histórias e podemos contar nos dedos alguns mutantes indígenas somente:

FORGE (Jonathan Silvercloud)




MIRAGEM (Danielle Moonstar)



PÁSSARO TROVEJANTE (John Proudstar)




APACHE (James Proudstar)




Complexo de Messias é muito ruim. O auge do boicote, com os mutantes sendo caçados e só restando 198 mutantes no mundo todo... A Marvel colocando os piores roteiristas e desenhistas, títulos cancelados, todo investimento indo para a porcaria chata e entediante dos Vingadores... Até mesmo os personagens mais sem graça e toscos da Marvel, os Inumanos, ganharam uma série horrível e que fracassou tão vergonhosamente que foi cancelada, uma vergonha, uma mancha suja na história da Marvel. E a Fox laçando aqueles filmes horríveis só pra gente passar mais raiva ainda. Eu cheguei a desistir de colecionar os quadrinhos nessa época e por causa dessa maldita saga, não aguentei passar de 2009.

Mas então, 10 anos depois finalmente acaba a Década Perdida. Em 2018 temos a notícia de que a Fox fez um acordo com a Disney que havia comprado a Marvel e os direitos de X-Men e Quarteto Fantástico foram para a Marvel de novo. Muito suspense e promessas de mudanças quando Jonatan Hickman em 2019 lança uma real e chocante nova era para os X-Men: DINASTIA X. Xavier desiste de seu sonho pacífico e adota as mesmas ideias de Magneto (que já havia deixado de ser "vilão" a décadas). Os dois se unem e decidem criar um país mutante na ilha mutante Krakoa. Toda a história desse novo país está entrelaçada com o passado e a família do faraó mutante En Sabah Nur, o APOCALIPSE! Apocalipse se junta a causa e os três, Xavier, Magneto e Apocalipse vão a Israel numa reunião da ONU dizer que a humanidade tem novos deuses e que a Terra deveria se curvar diante da nova potência Mutante por bem ou por mal!






Os vilões mutantes, todos perdoados, passando pelos portais e entrando em Krakoa. Entre eles, o pior de todos se tornou agora o maior dos amigos: Apocalipse!




XAVIER DÁ AS BOAS VINDAS AA APOCALIPSE NA NOVA POTENCIA MUNDIAL MUTANTE: KRAKOA



XAVIER, MAGNETO E APOCALIPSE SAINDO DA REUNIÃO DA ONU APÓS FAZEREM AMEAÇAS VELADAS À HUMANIDADE:



Cabe lembrar que Xavier já foi considerado de direita, mesmo estando mais para social-democrata. Garota Marvel (Jean Grey) sempre deu vários indícios de ser de Esquerda enquanto o Ciclope não deixa dúvidas de que é Comunista raiz. Hoje em dia diríamos que todos eles deixaram a social-democracia ou o trotskismo e adotaram abertamente o marxismo-leninismo maoísta, até mesmo stalinista. O Estado de Krakoa controla totalmente a economia mas não os costumes e práticas culturais mutantes, que são livres. O Grande Conselho (que decide quase tudo no país) é como o Partido Comunista Chinês. No fim das contas, Magneto sempre teve razão e Krakoa é a materialização da organização da classe trabalhadora em prol da revolução.

O lixo do pastor Willian Stryker, evangélico anti-mutante e clássico vilão é claro que está na Extrema Direita, o pior dos lixos que existe. Nas revistas dos X-Men tem até mesmo uma organização chamada A DIREITA, criada pelo branco racista e supremacista Cameron Hodge para perseguir e exterminar os mutantes. Quem lê as histórias já percebe que a revista é pra detonar com a Direita e os conservadores mesmo.



quarta-feira, 28 de junho de 2023

Yahu (Yhwh, Yahweh, Javé, Jeová) é Qos, Deus de Edom, adorado na Arabá

Yahu (Yhwh, Yahweh, Javé, Jeová) é Qos, Deus de Edom, adorado na Arabá.


Acima, vaso pintado encontrado em Kuntillet Ajrud com desenho e escrita dizendo YAHWEH E SUA ASHERAH. Asherah que ele roubou de Baal.

São extremamente claras as evidências de que Yahu é uma divindade estrangeira e foi posteriormente assimilada em Judá e Israel. Há evidências bíblicas e não bíblicas, incluindo arqueológicas, disso.

Yahu, Baal e Qos são variações regionais de uma antiga divindade semita espalhada por todo o crescente fértil. Considera-se que todos os três são derivações de Hadad, Deus da Tempestade relacionado também à fertilidade. Seu símbolo é o Boi e os Chifres e é um deus "tarado", que sulca a terra com seu pênis, goza e ejacula na terra seca dando fertilidade vegetal e atraindo animais. A chuva é o gozo de Baal que fertiliza a terra! Hadad é ladrão, rouba mulheres de outros deuses e as seduz para seu lado e seus intentos. Daí entendemos porque a rixa mortal entre Yahu e Baal na biblia. Mas não há rixa alguma entre Yahu e Qos, assim como o Ahura Mazda dos persas não é atacado de forma alguma na Bíblia (muito pelo contrário, El Elyon é transformado em Ahura Mazda em Deuteronômio 32:8-9).

Yahu é muito provavemente o próprio Qos ou uma variação de Qos adorada em Arabá por edomitas e midianitas. Por isso os textos silenciam sobre Qos, passam pano para os Edomitas assim como silenciam sobre Ahura Mazda e puxam saco dos persas.

Em lembrei quando era criança. Eu realmente acreditava que a chuva era Deus tomando banho e as nuvens eram a espuma do sabão que se formava. Isso era real para mim, não sei de onde tirei isso, mas eu acreditava que Deus tomava banho e por isso chovia. Até quando somos crianças tentamos dar explicações para as irracionalidades da bíblia e dos mitos que nos são ensinados.



A ARABÁ, região desértica e parte de um vale de rift, fica entre o sul do Mar Morto e o Golfo de Aqaba no Mar Vermelho. A região deu posteriormente o nome a Arábia, mas na antiguidade era uma região bem definida de Edom, país vizinho de Judá que falava uma língua semítica aparentada às línguas cananeias.


Yhwh, Deus de Edom

Estou trabalhando em uma parte da minha tese que discute a história mais antiga da divindade israelita Yhwh, e acho que parte do material merece ser compartilhada. Muitas pessoas podem não estar cientes da evidência que existe de que Yhwh era originalmente uma divindade do território sudoeste de Edom, a oeste de Arabah , um grande vale que vai do Mar Morto até o golfo de Aqabah . A evidência começa na Bíblia hebraica com um pequeno número de textos bíblicos antigos que sugerem que Yhwh se originou naquela área:

Deuteronômio 33:2 : Yhwh veio do Sinai, e nos subiu de Seir; ele brilhou do monte Parã.

Jz 5:4–5 : Yhwh, quando saíste de Seir, quando saíste do campo de Edom, a terra tremeu, e os céus caíram; sim, as nuvens deixaram cair água. Os montes tremeram diante da presença de Yhwh, o do Sinai; diante de Yhwh, o Deus de Israel.

Hab 3:3 : Deus veio de Teman, o Santo do monte Paran.

Entende-se que Seir estava localizada no lado leste da Arabá, onde os edomitas foram originalmente estabelecidos. Mais tarde, eles se expandiriam para o oeste, deslocando os horeus. É provável que o Monte Parã esteja localizado perto do deserto de Parã, localizado a oeste da Arabá. Ninguém sabe a localização exata do Monte Sinai , mas as suposições vão desde o sul da península do Sinai até o golfo de Aqabah até o leste, território midianita. Dado que Moisés tropeça na montanha enquanto cuidava das ovelhas de seu sogro midianita, provavelmente não é muito longe do lado leste da Arabá. Teman está na borda ocidental da Arabá.

Agora, a tradição do êxodo faz com que Yhwh se revele primeiro neste território a um homem que acabou de se casar com um membro da família de um sacerdote midianita. Esse sacerdote, Jetro/Reuel, invoca o nome de Yhwh e até preside os sacrifícios oferecidos a ele (Êxodo 18:10–12). Os midianitas e edomitas poderiam ter adorado Yhwh? A Bíblia adverte os israelitas a não odiarem os edomitas, já que “eles são seus irmãos”, e não há menção de uma divindade edomita em nenhum lugar da Bíblia hebraica (nem consigo encontrar uma referência a uma divindade exclusivamente midianita). Isso contrasta com a polêmica levantada contra as divindades padroeiras das outras nações ao redor de Israel, inclusive ao sul. Também contrasta com a aprovação da violência perpetrada contra os edomitas e midianitas em outras partes da Bíblia. Phineas, por exemplo, foi defendido por matar um israelita que trouxe uma mulher midianita para o acampamento (Números 25:1–9), mas Moisés, que ordenou aos israelitas que não se misturassem com os midianitas, era casado com a filha de um sacerdote midianita! Isso sugere que a tradição mais ampla do êxodo data de um período muito posterior ao da tradição associada ao início da vida familiar de Moisés, quando os midianitas e os edomitas eram povos inimigos.

Também temos referências não bíblicas à localização de Yhwh no território edomita. Em Kuntillet 'Ajrud , uma estação intermediária a oeste da Arabá, foi descoberta uma inscrição que chama a divindade israelita de “Yhwh de Teman”. Algumas fontes egípcias também vinculam Yhwh ao território. Dois textos, um do século XIV aC e outro do século XIII aC, mencionam “a terra de Shasu, ou seja, Yhw'”. Isso lança o Tetragrammaton como um topônimo associado ao Shasu, que eram nômades (o significado de “Shasu”) localizados na região de Edom, segundo outros textos egípcios. Os estudiosos geralmente concordam que o Shasu contribuiu com ações, se não com a linha primária, para a etnia israelita subsequente. Esse ethnos é atestado pela primeira vez no final do século XIII aC em uma estela de vitória erguida pelo egípcio Merneptah. Essa estela descreve “Israel” como um povo e provavelmente os localiza na região montanhosa central do norte de Israel.

Isso tudo pode ajudar a explicar por que nenhuma outra cultura de Canaã adorava Yhwh. Baal, El e Asherah parecem ser divindades reconhecidas e reverenciadas por várias etnias em Canaã, mas Yhwh é apenas de Israel. Eles eram indígenas, ele era importado. O conflito constantemente destacado na Bíblia entre Yhwh e Baal é intrigante à luz da completa ausência de qualquer conflito entre Yhwh e a divindade patriarcal cananéia El. Jz 5:4–5 nos dá pistas. O poder de Yhwh é descrito com imagens associadas ao motivo da divindade da tempestadeO mesmo pode ser dito de numerosos outros textos. O Salmo 29, por exemplo, refere-se repetidamente a trovões e relâmpagos como expressões da glória de Yhwh. Baal também era uma divindade da tempestade e, embora as divindades que desempenhavam a mesma função dentro do panteão pudessem ser toleradas além das fronteiras nacionais (consulte o capítulo 1  aqui ), na mesma região haveria espaço suficiente para apenas uma. Baal e Yhwh estavam, portanto, em constante competição pelos devotos da divindade local da tempestade. Yhwh não trouxe imagens associadas à divindade patriarcal para Canaã, mas ao invés disso ele se apropriou daquelas imagens, junto com a estação, da divindade patriarcal cananéia local. Não havia necessidade de combater sua influência.

Assim, uma divindade edomita de toda a Arabá foi trazida para o norte, para as terras altas centrais, por volta do final do século XIII. Em algum momento, uma federação ou coalizão de tribos dedicadas a essa divindade se uniu, talvez conforme descrito na Canção de Débora em Juízes 5, e se desenvolveu em um estado.

Aqui estão alguns artigos acadêmicos para leitura adicional, se você estiver interessado no tópico:

N. Amzallag, “ Yahweh, o deus cananeu da metalurgia? ” JSOT 33.4 (2009): 387-404.

J. Blenkinsopp, “ A hipótese midianita-quenita revisitada e as origens de Judá ”, JSOT 33.2 (2008): 131-53.

J. Kelley, “ Rumo a uma nova síntese do deus de Edom e Javé ”,  Antigo Oriente: Cadernos do Centro para o Estudo da  História Oriental Antiga 7 (2009).

T. Schneider, “ A primeira ocorrência documentada do Deus Javé? (Book of the Dead Princeton 'Roll 5') ,” JANER 7.2 (2007): 113-20.

N. Shupak, “ O Deus de Teman e o Deus Sol Egípcio: Uma Reconsideração de Habacuque 3:3-7 ,” JANES 28 (2001): 97-116.

https://danielomcclellan.wordpress.com/2013/01/05/yhwh-god-of-edom/

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As Origens de Javé e a Hipótese Quenita Revivificada

O Deus de Israel é referido por vários nomes no Antigo Testamento. Os dois mais significativos são “El” (com suas variantes) e “Yahweh”. Graças em grande parte às bibliotecas religiosas descobertas entre as ruínas de Ugarit, uma cidade-estado da Idade do Bronze ao norte de Israel, agora sabemos muito sobre El como uma divindade cananeia distinta que era considerada o deus supremo em Ugarit. , como seria mais tarde em Israel.

É geralmente entendido que os cultos dedicados a Javé e El se originaram independentemente um do outro antes de sua eventual fusão - um processo ainda não concluído quando grande parte do Antigo Testamento foi escrito. Mas determinar como o Senhor veio a ser o patrono de Israel e Judá não é tão simples. A falta de evidências arqueológicas exigiu que os estudiosos da Bíblia confiassem principalmente no texto da própria Bíblia.

A teoria conhecida como hipótese quenita é aquela que existe desde o século 19, inicialmente proposta pelo teólogo FW Ghillany em 1862. De acordo com essa visão, Yahweh era originalmente o Deus da tribo quenita antes do assentamento israelita de Canaã. A hipótese quenita perdeu força à medida que os estudos bíblicos modernos minaram algumas de suas principais premissas, mas parece estar voltando graças a descobertas mais recentes e a uma reavaliação dos textos bíblicos.

Encontrando o Senhor novamente, pela primeira vez

Há passagens no Antigo Testamento em que o autor está claramente ciente de que os israelitas nem sempre adoraram Javé, e várias tentativas são feitas para explicar como e quando o nome divino passou a ser usado. Uma dessas passagens ocorre em Êxodo 6, onde Javé se revela a Moisés pela primeira vez na narrativa sacerdotal ('P'):

Deus falou com Moisés e disse-lhe: 'Eu sou o Senhor. Para Abraão, Isaque e Jacó, apareci como El Shaddai; Eu não me dei a conhecer a eles pelo meu nome Javé.' (Êxodo 6:2–3)

Isso está em tensão com a narrativa não sacerdotal ('J') em Êxodo 3, segundo a qual Javé havia se revelado anteriormente a Moisés no Monte Horebe:

Ali o anjo de Javé apareceu a ele na forma de uma chama de fogo…. 'Eu sou o Deus de seu pai', disse ele, 'o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó'. (Êxodo 3:2a, 6a)

O Gênesis leva a adoração a Javé ainda mais longe, aos tempos primitivos:

Um filho também nasceu de Seth, e ele o chamou de Enosh. Este homem foi o primeiro a invocar o nome de Javé. (Gênesis 4:26)

Jetro e Javé: A Conexão Midianita

Na história do Êxodo, Jetro, sogro midianita de Moisés, é um sacerdote de Javé (Êxodo 18:7-11), embora não seja israelita. Ao combinar essa observação com a “descoberta” de Javé por Moisés em Midiã e outras passagens que veremos abaixo, muitos estudiosos concluíram que Javé tinha sido originalmente um deus midianita sobre o qual os israelitas aprenderam de Jetro por meio de Moisés. Além disso, o sogro de Moisés é chamado de “Hobabe” em Juízes (1:16 e 4:11), onde é descrito como um “queneu”; isso poderia ser harmonizado com o relato do Êxodo se os queneus fossem um ramo dos midianitas. Essa visão da introdução de Javé a Israel tornou-se conhecida como a hipótese dos queneus ou midianitas. 

Quando essa teoria estava originalmente em voga, ainda se acreditava que Moisés era um personagem histórico, e o êxodo do Egito, um evento histórico que ocorreu mais ou menos conforme descrito na Bíblia. No entanto, agora sabemos pela evidência arqueológica que os israelitas se originaram como cananeus; e a evidência da própria Bíblia mostra que a história do êxodo, quaisquer que sejam suas origens, é um texto complexo contendo muitas tradições diferentes (algumas bastante tardias) que, combinadas em sua forma literária atual, não podem ser consideradas um relato histórico. Esses problemas enfraquecem severamente a velha hipótese quenita. Como Karel van der Toorn coloca,

A visão de que, sob a influência de Moisés, os israelitas se tornaram javistas durante sua jornada para o deserto... negligencia o fato de que a maioria dos israelitas estava firmemente enraizada na Palestina. Além disso, o papel histórico de Moisés é altamente problemático. …É apenas na tradição posterior que ele se tornou o ancestral lendário dos sacerdotes levíticos e um símbolo do movimento 'Yahweh-somente'; sua real importância permanece no escuro. (van der Toorn 245)

Sem um Moisés histórico e um êxodo histórico do Egito, a hipótese quenita ainda é viável?

As Origens de Yahweh em outras partes da Bíblia

Fora do Êxodo, uma variedade de textos bíblicos associa Javé às regiões ao sul e ao leste de Judá, áreas montanhosas geralmente associadas a Midiã e Edom.

Javé vem do Sinai.
Ele amanhece sobre nós de Seir .
ele brilhou do Monte Parã . (Deuteronômio 33:2)

Deus veio de Teman ,
o Santo do Monte Paran .
…Vi as tendas de Cushan em aflição;
as cortinas das tendas da terra de Midiã tremeram.
(Habacuque 3:3a,7)

Senhor, quando saíste de Seir ,
quando marchaste desde a região de Edom … (Juízes 5:4a)

Quem é este que vem de Edom ,
de Bozrah em vestes manchadas de carmesim?
…“Sou eu, anunciando vindicação,
poderoso para salvar.” (Isaías 63:1a,c)

Seir é sinônimo de Edom, personificado como um horeu cujos descendentes vivem em Edom em Gênesis 36:20. Teman pode se referir vagamente à área ao sul de Israel, ou mais especificamente à área ao redor da capital edomita de Bozrah. Parã era a área deserta ao sul de Israel e a oeste de Edom.

Tais textos frequentemente associam Javé a uma montanha e localizam o Sinai na mesma área. Essas são provavelmente tradições anteriores àquela que encontramos no Êxodo, que exigiriam que o Sinai estivesse mais diretamente entre a Palestina e o Egito – em algum lugar da península que agora leva seu nome. (E deve ser dito, ninguém hoje sabe com certeza qual montanha deveria ser o Sinai.)

Evidência extra-bíblica para o Senhor

A evidência arqueológica para o nome Yahweh é comparativamente escassa. A mais antiga evidência epigráfica (inscrição) da Palestina que se refere a Javé é a Estela Mesa de cerca de 840 aC. Nela, o rei Mesa de Moabe se vangloria de uma campanha em que consagrou os “vasos de Javé” a Quemós após conquistar a cidade de Nebo de Israel.

Dois textos egípcios, no entanto, mencionam “ Yhw na terra dos Shasu (nômades)” em listas de topônimos em torno de Edom. Estes datam dos reinados de Amenophis III (século XIV) e Ramsés II (século XIII). Geralmente se pensa que Yahweh deve ter sido originalmente associado a uma montanha de mesmo nome em Edom ou próximo a ela.

As ruínas de Kuntillet 'Ajrud na península do Sinai, que pode ter sido um santuário no final do século 9 e início do século 8 aC, têm inscrições que fazem referência a “Yahweh de Teman” e “Yahweh de Samaria” junto com El, Baal, e Aserá. Esta é mais uma evidência de que o Senhor foi adorado em Edom (Teman) e em Israel (Samaria) desde uma data antiga. (Sobre a existência de versões regionais de Javé, veja meu artigo anterior “ Javé e o Shemá ”.)

A evidência extra-bíblica inicial é, portanto, consistente com a possibilidade de que Yahweh foi primeiro venerado por tribos nômades da Idade do Bronze em Edom, e mais tarde adotado em Samaria, ao norte.

A Tribo de Caim

É provável que a maioria dos leitores da Bíblia se lembre pouco ou nada sobre os queneus. Parece ser um clã obscuro que aparece agora novamente em certas histórias encontradas em Números, Juízes e 1 Samuel. E, no entanto, essa tribo é mencionada pela primeira vez na Bíblia - antes de Jacó e Esaú, e antes de qualquer uma das doze tribos estereotipadas ser mencionada - por meio de seu ancestral homônimo, Caim.

Nem é preciso mencionar que Caim e os outros patriarcas homônimos da Bíblia não eram indivíduos históricos, e aqueles que inventaram e escreveram suas histórias não pensavam sobre a história da mesma forma que nós. O propósito das histórias e genealogias escritas sobre tais personagens é explicar a natureza e as relações dos clãs, castas sacerdotais e nações na época do próprio autor.

A ortografia em inglês é enganosa, mas “Cain” e “Kenita” são basicamente os mesmos em hebraico – Caim é Qayn e Kenite é Qayn ou Qayni . É comumente aceito que o Caim de Gênesis 4 foi considerado o patriarca e herói ancestral da tribo quenita (cf. Dia 336). Como Adão, ele é um tipo de Primeiro Homem, tendo sido gerado diretamente por Javé, pelo menos em certo sentido (o estranho hebraico de Gênesis 4:1 diz que Eva gerou um homem “por Javé”) e, além de fundar uma notável cidade, seus descendentes são os progenitores da pastorícia nômade, música e metalurgia.

Ada deu à luz a Jabal; ele foi o antepassado dos que vivem em tendas e têm gado. O nome de seu irmão era Jubal; ele foi o ancestral de todos aqueles que tocam lira e flauta. Zilá deu à luz Tubalcaim, que fazia todo tipo de ferramentas de bronze e ferro. (Gn 4:20-22a)

Parece que era assim que os queneus se viam - uma antiga tribo guerreira de devotos de Javé que vivia em tendas, tocava música e trabalhava em metal. Suas histórias faziam parte da tradição israelita. E então o autor do Gênesis mudou tudo: transformou Caim de guerreiro em assassino e reutilizou os nomes da genealogia de Caim para criar uma nova genealogia para a linhagem superior de Seth. Alguns estudiosos até pensam que em uma versão anterior da história, foi  Caim  quem foi “o primeiro a invocar o nome de Yahweh”, uma honra agora concedida ao obscuro Enosh (Wyatt 86).

Mas isso é outra história para outro artigo. A questão é que na própria história de origem os queneus se consideravam devotos de Javé desde o início, mesmo que esse fato seja obscurecido pelo presente texto do Gênesis.

Os predecessores tribais de Judá

O sul da Palestina foi pouco povoado durante a maior parte da Idade do Ferro. Por exemplo, a pesquisa de dados arqueológicos de Broshi e Finkelstein estima uma população total de cerca de 120.000 pessoas para toda a Judá no século VIII aC (Idade do Ferro II) (consulte a bibliografia abaixo). Isso é muito menos do que foi estimado por uma geração anterior de estudiosos que se baseavam na narrativa bíblica de colonização e expansionismo – uma reinvenção idealista do passado de Judá, como agora percebemos.

No entanto, podem ser encontradas tradições sobre os habitantes originais de Judá e suas regiões fronteiriças que associam intimamente várias tribos edomitas ao assentamento do sul da Palestina - em contraste com a narrativa dominante da conquista israelita. Por exemplo:

  • Os quenezeus Calebe e Otniel desempenharam um papel proeminente na conquista de Judá e são retratados como ocupando grandes porções dela. (Curiosamente, é Caleb sozinho e não Josué que reconhece Canaã para Moisés na fonte não sacerdotal mais antiga, Nm 13:30.)
  • A heroína Jael, uma nômade quenita, ajuda Israel a derrotar o rei Jabim em Juízes 4–5.
  • Áreas dentro e ao redor de Judá são habitadas por jerameelitas e queneus na época de Davi. (1 Sam. 27:10, 30:29) A capital original de Judá, onde Davi é feito rei, Hebron, também é uma cidade calebita (Jos. 14, Juízes 1:20).
  • Jerameel e Calebe são integrados na genealogia de Judá pelo Cronista (2:9) por meio de Esrom, que é rubenita em uma tradição alternativa encontrada em Números.
  • Os quenezeus e os temanitas estão entre as tribos edomitas (filhos de Esaú) listadas em Crônicas 1.
  • Os queneus e os quenezeus são listados em Gênesis 15:19 como tribos nativas da terra prometida.
  • O pano de fundo do incidente de Baal Peor (Num. 25) parece ser uma aliança matrimonial midianita-simeonita (Blenkinsopp 145). O território dos simeonitas estava inteiramente contido no que mais tarde se tornou Judá.
  • Os clãs levíticos de Corá e Hemã também são listados como edomitas (Gn 36:5, 14, 16, 22; 1 Cr 1:35).

A partir dessas e de outras referências a tribos edomitas e proto-árabes em Judá, muitos estudiosos concluíram que Judá foi colonizada desde o início por uma federação frouxa de clãs semi-nômades — queneus, quenezeus, calebitas, otnielitas, simeonitas, rubenitas e assim por diante. - e que suas tradições de assentamento foram posteriormente atribuídas a Judá (Weinfeld 395). De fato, de acordo com o renomado orientalista Edward Lipinski, nunca houve uma tribo chamada Judá; o nome vem de 'eres yehūdã , que significa “terra de ravinas” (Lipinski 367). Nas primeiras histórias bíblicas sobre as tribos (por exemplo, a Canção de Débora), Judá está visivelmente ausente. Mais adiante nos textos bíblicos, Judá ganha destaque, enquanto as tribos de Simeão e Rúben desaparecem — embora a ficção das “doze tribos” seja mantida (veja meu artigo “As doze (ou mais) tribos de Israel ”).

A evidência arqueológica é consistente com essa visão do surgimento tardio de Judá. Não há evidências de um estado judaico baseado em Jerusalém até o século VIII; A primeira aparição de Judá no registro histórico é uma menção em uma tabuleta de argila assíria datada de 733 AEC.

Yahweh e Qos, o(s) Deus(es) de Edom

O deus tribal dos antigos edomitas era Qos, que é atestado principalmente por meio de nomes teofóricos que datam do século VIII aC e possivelmente antes. Qos, que significa “arco”, era essencialmente uma arma divinizada; ele era um deus da tempestade e um deus da guerra (veja “Qos”, DDD ) - assim como Yahweh, que é associado a um arco em várias passagens da Bíblia.

Você brandiu seu arco nu,
saciadas estavam as flechas sob seu comando. (Hab. 3:9)

O Senhor também trovejou nos céus,
e o Altíssimo fez soar a sua voz.
E ele disparou suas flechas e os espalhou;
ele lançou relâmpagos e os derrotou. (Salmos 18:13-14)

Além disso, acredita-se que Qos, Yahweh e o cananeu Baal tenham sido manifestações locais do antigo deus sírio da tempestade Hadad (Kelly 260).

Deve-se concluir que Javé e Qos coexistiram na religião edomita ou eram dois nomes para o mesmo deus (Kelley 266; Blenkinsopp 150-151). É notável que a Bíblia distingue Javé dos deuses de outros vizinhos - o filisteu Dagon, o amonita Milcom, o moabita Chemosh e assim por diante - mas nunca menciona Qos em todas as relações de Israel com Edom. A religião de Edom nunca é denunciada ou rejeitada. Existe até um personagem chamado Kushaiah (1 Cr 15:17) cujo nome pode significar “Qos é o Senhor” (Kelley 268).

Em última análise, a Bíblia hebraica em sua forma atual é preservada para nós pelos escribas da Judéia, e o papel de Edom na devoção a Javé ficou em segundo plano em relação a Judá e Jerusalém. A ascensão de um estado vassalo assírio/babilônico que era ocasionalmente hostil a Judá manchou ainda mais a imagem de Edom. Ainda assim, permanecem vestígios da importância de Edom. A história de Jó parece se passar ali, por exemplo, e seus amigos têm nomes edomitas. A tradição de Jacó e Esaú parece pressupor Israel e Edom como irmãos dentro da família abraâmica – não Israel e Judá. Jr. 49:7 e Obad. 8 recordam Edom como tendo sido outrora a terra dos sábios. Amós 1:11 e Obad. 10 chame Edom de irmão de Israel. Deuteronômio 23:7–8 diz:

Não abominarás nenhum dos edomitas, porque eles são teus parentes... Os filhos da terceira geração que nascerem deles serão admitidos na assembléia do Senhor.

Outras conexões

Se Juízes 4.11 preserva uma memória genuína sobre a migração dos queneus para o norte de Israel, não é difícil ver como esses grupos nômades poderiam ter se estabelecido em Samaria e apresentado Javé à cultura cananéia local. Os midianitas são retratados como comerciantes na história de José, e achados arqueológicos mostram que eles tinham conexões com regiões tão distantes quanto a Anatólia (“Midianitas”, ABD ). Outras referências bíblicas apóiam “uma série de relações entre os montanheses centrais [Israel] e os caravaneiros do sul no período do Ferro I”, de acordo com o estudioso bíblico Mark S. Smith (Smith 145). As inscrições em Kuntillet 'Ajrud também sugerem que as caravanas samaritanas e edomitas teriam interagido umas com as outras a caminho do Egito.

Outro elo entre os queneus e Samaria são os misteriosos recabitas, um grupo nômade que não bebe vinho e é totalmente devoto a Javé de acordo com Jeremias 35. Um recabita também ajuda Jeú a massacrar adoradores de Baal em 2 Reis 10, e o grupo está ligado a os queneus em 1 Cr. 2:55.

Conclusão

A evidência não permite certeza, mas a seguinte versão da hipótese quenita é consistente com os textos bíblicos e evidências arqueológicas:

  • Yahweh foi originalmente venerado pelas tribos nômades de Edom, seja ao lado ou como outro nome para Qos.
  • Diversos textos bíblicos concordam que Javé se originou na região de Edom, e figuras-chave nas tradições de Judá em particular têm linhagens edomitas.
  • Os queneus, midianitas e possivelmente outras tribos edomitas interagiram com Samaria por meio de comércio e colonização antes da existência do estado de Judá, trazendo conhecimento de Javé aos samaritanos.
  • Na época dos Omrides (o rei bíblico Onri e seus descendentes) no século 9, Yahweh havia sido adotado como a divindade do estado de Samaria, suplantando Baal até certo ponto.
  • Um estado judaico baseado em Jerusalém foi estabelecido no século 8, e o Senhor tornou-se um dos principais deuses venerados no templo em Jerusalém e em outros lugares em Judá.

Bibliografia

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Karel van der Toorn, “Resistência ritual e auto-afirmação: os recabitas na religião israelita primitiva”, Pluralismo e identidade: Estudos em comportamento ritual , SHR 67, 1995.

N. Wyatt, The Mythic Mind: Essays on Cosmology and Religion in Ugaritic and Old Testament Literature , 2005.

Broshi e Finkelstein, “A População da Palestina na Idade do Ferro II”, BASOR , No. 287,1992.

M. Weinfeld, “Juízes 1.1-2.5: A Conquista sob a Liderança da Casa de Judá”,  Compreendendo Poetas e Profetas , p. 395.

Lipinski, Edward, Nas saias de Canaã na Idade do Ferro: pesquisas históricas e topográficas , 2006.

Justin Kelley, “Rumo a uma nova síntese do deus de Edom e Javé”, Antigo Oriente , nº 7, 2009.

Joseph Blenkinsopp, “A hipótese midianita-quenita revisitada e as origens de Judá”, Journal for the Study of the Old Testament , 33/2 (2008): 131-153.

Mark S. Smith, As origens do monoteísmo bíblico: o pano de fundo politeísta de Israel e os textos ugaríticos , 2005.

https://isthatinthebible.wordpress.com/2016/02/05/the-origins-of-yahweh-and-the-revived-kenite-hypothesis/