quarta-feira, 19 de novembro de 2025

Deus no Antigo Testamento: fusão de vários deuses cananeus, fenícios e árabes

Deus bíblico pode ser fusão de vários deuses pagãos, dizem especialistas

Personalidade e atributos de Javé são compartilhados com outras divindades do Oriente.
Pai celestial El, jovem guerreiro Baal e até 'senhora' Asherah teriam sido influências.
Reinaldo José LopesDo G1, em São Paulo
A afirmação pode soar desrespeitosa para judeus ou cristãos, mas não está muito longe da verdade: Javé, o Deus do Antigo Testamento, parece ter múltiplas personalidades. Para ser mais exato, especialistas que estudam os textos bíblicos, lêem antigas inscrições encontradas nos arredores de Israel ou escavam sítios arqueólogicos estão reconhecendo a influência conjunta de diversos deuses pagãos antigos no retrato de Javé traçado pela Bíblia.

Leia mais notícias da série Ciência da Fé 

A idéia não é demonstrar que o Deus bíblico não passa de mais um personagem da mitologia. Os pesquisadores querem apenas entender como elementos comuns à cultura do antigo Oriente Próximo, e principalmente da região onde hoje ficam o estado de Israel, os territórios palestinos, o Líbano e a Síria, contribuíram para as idéias que os antigos israelitas tinham sobre os seres divinos. As conclusões ainda são preliminares, mas há bons indícios de que Javé é uma fusão entre um deus idoso e paternal e um jovem deus guerreiro, com pitadas de outras divindades – uma delas do sexo feminino.

Foto: Reprodução
O deus cananeu El, retratado como um pai sábio e idoso, foi muito importante nos primórdios da religião israelita (Foto: Reprodução)

O ponto de partida dessas análises é o fundo cultural comum entre o antigo povo de Israel e seus vizinhos e adversários, os cananeus (moradores da terra de Canaã, como era chamada a região entre o rio Jordão e o mar Mediterrâneo em tempos antigos). A Bíblia retrata os israelitas como um povo quase totalmente distinto dos cananeus, mas os dados arqueólogicos revelam profundas semelhanças de língua, costumes e cultura material – a língua de Canaã, por exemplo, era só um dialeto um pouco diferente do hebraico bíblico.
 Memórias de Ugarit
Os cananeus não deixaram para trás uma herança literária tão rica quanto a Bíblia. No entanto, poucos quilômetros ao norte de Canaã, na atual Síria, ficava a cidade-Estado de Ugarit, cuja língua e cultura eram praticamente idênticas às de seus primos do sul. Ugarit foi destruída por invasores bárbaros em 1200 a.C., mas os arqueólogos recuperaram numerosas inscrições da cidade, nas quais dá para entrever uma mitologia que apresenta semelhanças (e diferenças) impressionantes com as narrativas da Bíblia. “Por isso, Ugarit é uma parte importante do fundo cultural que, mais tarde, daria origem às tribos de Israel”, resume Christine Hayes, professora de estudos clássicos judaicos da Universidade Yale (EUA).

Uma das figuras mais proeminentes nesses textos é El – nome que quer dizer simplesmente “deus” nas antigas línguas da região, mas que também se refere a uma divindade específica, o patriarca, ou chefe de família, dos deuses. “Patriarca” é a palavra-chave: o El de Ugarit tem paralelos muito específicos com a figura de Deus durante o período patriarcal, retratado no livro do Gênesis e personificado pelos ancestrais dos israelitas: Abraão, Isaac e Jacó.

Nesses textos da Bíblia há, por exemplo, referências a El Shadday (literalmente “El da Montanha”, embora a expressão normalmente seja traduzida como “Deus Todo-Poderoso”), El Elyon (“Deus Altíssimo”) e El Olam (“Deus Eterno”). O curioso é que, na mitologia ugarítica, El também é imaginado vivendo no alto de uma montanha e visto como um ancião sábio, de vida eterna.

Tal como os patriarcas bíblicos, El é uma espécie de nômade, vivendo numa versão divina da tenda dos beduínos; e, mais importante ainda, El tem uma relação especial com os chefes dos clãs, tal como Abraão, Isaac e Jacó: eles os protege e lhes promete uma descendência numerosa. Ora, a maior parte do livro do Gênesis é o relato da amizade de Deus com os patriarcas israelitas, guiando suas migrações e fazendo a promessa solene de transformar a descendência deles num povo “mais numeroso que as estrelas do céu”.
 Israel ou “Israías”?
Outros dados, mais circunstanciais, traçam outros elos entre o Deus do Gênesis e El: num dos trechos aparentemente mais antigos do livro bíblico, Deus é chamado pelo epíteto poético de “Touro de Jacó” (frase às vezes traduzida como “Poderoso de Jacó”), enquanto a mitologia ugarítica compara El freqüentemente a um touro. Finalmente, o próprio nome do povo escolhido – Israel, originalmente dado como alcunha ao patriarca Jacó – carrega o elemento “-el”, lembra Airton José da Silva, professor de Antigo Testamento do Centro de Estudos da Arquidiocese de Ribeirão Preto (SP).

“É o nome do deus cananeu, mais um indício de que Israel surge dentro de Canaã, por um processo gradual”, diz Silva. Ele argumenta que, se Javé fosse desde sempre a divindade dos israelitas, o nome desse povo seria “Israías”. Isso porque o elemento adaptado como “-ías” em português (algo como -yahu) era, em hebraico, uma forma contrata do nome “Javé”. Curiosamente, o elemento se torna dominante nos chamados nomes teofóricos (ligados a uma divindade) dados a israelitas no período da monarquia, a partir dos séculos 10 a.C. e 9 a.C.

E esse nome (provavelmente Yahweh em hebraico; a sonoridade original foi obscurecida pelo costume de não pronunciar a palavra por respeito) é um enigma e tanto. As tradições bíblicas são um tanto contraditórias, mas pelo menos uma fonte das Escrituras afirma que Javé só deu a conhecer seu verdadeiro nome aos israelitas quando convocou Moisés para ser seu profeta e arrancar os descendentes de Jacó da escravidão no Egito. (A Moisés, Deus diz que apareceu a Abraão, Isaac e Jacó como “El Shadday”.) O problema é que ninguém sabe qual a origem de Javé, o qual nunca parece ter sido uma divindade cananéia, exatamente como diz o autor bíblico.
 Senhor do deserto
A esmagadora maioria dos arqueólogos e historiadores modernos não coloca suas fichas no Êxodo maciço de 600 mil israelitas (sem contar mulheres e crianças) do Egito, por dois motivos: a semelhança entre Israel e os cananeus e a falta de qualquer indício direto da fuga. Mas muitos supõem que um pequeno componente dos grupos que se juntaram para formar a nação israelita tenha sido formado por adoradores de Javé, que acabaram popularizando o culto. Quem seriam esses primeiros javistas? Uma pista pode vir de alguns documentos egípcios, que os chamam de Shasu – algo como “nômades” ou “beduínos”.

“Duas ou três inscrições egípcias mencionam um lugar chamado 'Yhwh dos Shasu', o que, para alguns especialistas, parece ser 'Javé dos Shasu'. Talvez sim, talvez não. Não temos como saber ao certo”, diz Mark S. Smith, pesquisador da Universidade de Nova York e autor do livro “The Early History of God” (“A História Antiga de Deus”, ainda sem tradução para o português).

“É menos provável que o culto a Javé venha de dentro da Palestina e da Síria, e um pouco mais plausível que ele tenha se originado em certas regiões da Arábia”, diz Airton da Silva. Mark Smith lembra que algumas das passagens poéticas consideradas as mais antigas da Bíblia – nos livros dos Juízes e nos Salmos, por exemplo – referem-se ao “lar” de Javé em locais denominados “Teiman” ou “Paran”. Aparentemente, são áreas desérticas, apropriadas para a vida de nomadismo. “Muitos especialistas localizam essa região no que seria o noroeste da atual Arábia Saudita, ao sul da antiga Judá [parte mais meridional dos territórios israelitas]”, diz Smith.
Foto: Reprodução
Baal, retratado como guerreiro (provavelmente a estatueta tinha uma lança na mão), lembra Javé por causa de sua luta contra monstros marinhos (Foto: Reprodução )
 Guerreiro divino
Seja como for, quando Javé entra em cena com seu “nome oficial” durante o Êxodo bíblico, a impressão que se tem é que ele já absorveu boa parte das características de um outro deus cananeu: Baal (literalmente “senhor”, “mestre” e, em certos contextos, até “marido”), um guerreiro jovem e impetuoso que acabou assumindo, na mitologia de Ugarit e da Fenícia (atual Líbano), o papel de comando que era de El.

Indícios dessa nova “personalidade” de Deus surgem no fato de que, pela primeira vez na narrativa bíblica, Javé é visto como um guerreiro, destruindo os “carros de guerra e cavaleiros” do Faraó e, mais tarde, guiando as tribos de Israel à vitória durante a conquista da terra de Canaã. Tal como Baal, Javé é descrita como “cavalgando as nuvens” e “trovejando”. E, mais importante ainda, uma série de textos bíblicos falam de Deus impondo sua vontade contra os mares impetuosos (como no caso do Mar Vermelho, em que as águas engolem o exército egípcio por ordem divina) ou derrotando monstros marinhos.

Há aí uma série de semelhanças com a mitologia cananéia sobre Baal, o qual derrotou em combate o deus-monstro marinho Yamm (o nome quer dizer simplesmente “mar” em hebraico) ou “o Rio” personificado. Na mitologia do Oriente Próximo, as águas marinhas eram vistas como símbolos do caos primitivo, e por isso tinham de ser derrotadas e domadas pelos deuses.

Javé também é associado à chuva e à fertilidade da terra pelos antigos autores bíblicos – atributos que aparecem entre as funções de Baal. Há, porém, uma diferença importante entre os dois deuses: outra narrativa de Ugarit fala do assassinato de Baal pelas mãos de Mot, o deus da morte, e da ressurreição do jovem guerreiro – provavelmente uma representação mítica do ciclo das estações do ano, essencial para a agricultura, já que Baal era um deus que abençoava a lavoura.

O lado guerreiro de Javé é talvez o mais difícil de aceitar para a sensibilidade moderna: quando os israelitas realizam a conquista da terra de Canaã, a ordem dada por Deus é de simplesmente exterminar todos os habitantes, e às vezes até os animais (embora, em alguns casos, os homens de Israel recebam permissão para transformar as mulheres do inimigo em concubinas).
Foto: Reprodução
Inscrição feita por ordem de Mesa, rei de Moab (país vizinho do antigo Israel): texto fala de genocídio por ordem divina, tal como se vê nos textos bíblicos (Foto: Reprodução )
Textos de outra nação da área, os moabitas (habitantes de Moab, a leste do Jordão) ajudam a lançar luz sobre esse costume aparentemente bárbaro. Um monumento de pedra conhecido como a estela de Mesa (nome de um rei de Moab em meados do século 9 a.C.) fala, ironicamente, de uma guerra de Mesa com Israel na qual o rei moabita, por ordem de seu deus, Chemosh, decreta o herem, ou “interdito”. E o herem nada mais é que a execução de todos os prisioneiros inimigos como um ato sagrado. Tratava-se, portanto, de um elemento cultural de toda a região.
 Lado feminino
Se a “múltipla personalidade” de Javé pode ser basicamente descrita como uma combinação de El e Baal, há uma influência mais sutil, mas também perceptível, de um elemento feminino: a deusa da fertilidade Asherah, originalmente a esposa de Baal na mitologia cananéia. Normalmente, Deus se comporta de forma masculina na Bíblia, e a linguagem utilizada para falar de sua relação com os israelitas é, muitas vezes, a de um marido (Deus) e a esposa (o povo de Israel). Mas o livro bíblico dos Provérbios, bem como alguns outras fontes israelitas, apresenta a figura da Sabedoria personificada, uma espécie de “auxiliar” ou “primeira criatura” de Deus que o teria auxiliado na obra da criação do mundo. 

COMENTÁRIO: nas traduções em grego da biblia, sabedoria é SOPHIA(sabedoria em grego), a auxiliar divina. No texto gnóstico Sophia de Jesus Cristo (encontrado na Biblioteca de Nag Hammadi) vemos que Jesus ensinou esse ensinamento a respeito de Sophia e interpretou esotericamente o texto dos Provérbios sobre Sophia. Segundo Jesus, existe um Homem Arquetípico, um Homem Ideal, o Primeiro Homem, a Ideia Inteligível de Homem,  Andrógino (não houve a Dualidade, separação entre homem e mulher; o homem perfeito não desceu às limitações do sexo do mundo material) que é o mesmo Adam Kadmon da Cabala e o Adão de Luz (Adão antes da Queda) de outros textos gnósticos cristãos e Anthropos do Evangelho de Maria. Está escrito na Sophia de Jesus Cristo:





Mateus disse a ele: "Senhor, Salvador, como o Homem foi revelado?"

O Salvador perfeito disse: "Quero que vocês saibam que aquele que apareceu antes do universo no infinito, o Pai construído e desenvolvido por Si Mesmo, sendo pleno de luz brilhante e inefável, no princípio, quando ele decidiu que sua semelhança (deveria) se tornar um grande poder, imediatamente o princípio (ou início) daquela Luz apareceu como Homem Andrógino e Imortal. Isto, para que por meio daquele Homem Imortal eles pudessem alcançar a sua salvação e despertar do esquecimento por meio do intérprete que foi enviado, que estará com vocês até o fim da pobreza dos ladrões.

Seu nome masculino é "Mente Perfeita Gerada". E seu nome feminino (é) "Toda-sábia Sophia Geradora." Também é dito que ela se parece com seu irmão e consorte. Ela é a verdade incontestada; porque abaixo daqui o erro, que existe com a verdade, a contesta.

"E seu consorte é a Grande Sophia, que deste o princípio lhe foi destinada para união pelo Pai Auto-Gerado, do Homem Imortal 'que apareceu como Primeiro, divindade e reino,' pois o Pai, que é chamado 'Homem, Pai-Próprio,' revelou isto. E ele criou um grande eon, cujo nome é Ogdoad, para sua própria majestade.

"Ele recebeu grande autoridade, e governou sobre a criação da pobreza. e governou sobre todas as criações. Ele criou deuses, anjos (e) arcanjos, miríades sem número para o acompanhamento daquela Luz e do Espírito masculino-tríplice, que é o de Sophia, seu consorte. Pois deste Deus por meio deste Homem originou-se a divindade e o reino. Portanto, ele foi chamado 'Deus dos deuses,' 'Rei dos reis.'

"O Primeiro Homem tem sua mente singular, interior, e o pensamento - assim como ele é isto (pensamento) - (e) a consideração, a reflexão, a racionalidade, o poder. Todos os atributos que existem são perfeitos e imortais. Com relação a imperecibilidade, eles são na verdade iguais. (Porém) com respeito ao poder, eles são diferentes, como a diferença entre pai e filho, (e filho) e pensamento, e o pensamento e o resto.

"Como eu disse antes, entre as coisas que foram criadas, a mônada é a primeira. A díada segue-a, e a tríada, até as décadas. As décadas, porém, governam as centésimas; as centésimas governam as milésimas; as milésimas governam as décima-milésimas. Esta é a seqüência (entre os) imortais. O Primeiro Homem é desta forma: Sua Mônada.

-A Sophia de Jesus Cristo, biblioteca de Nag Hammadi.


Segundo o texto dos Provérbios, Deus “se deleita” com a Sabedoria e a usa para inspirar atos sábios nos seres humanos. Para muitos pesquisadores, a figura da Sabedoria incorpora aspectos da antiga Asherah na maneira como os antigos israelitas viam Deus, criando uma espécie de tensão: embora o próprio Deus não seja descrito como feminino, haveria uma complementaridade entre ele e sua principal auxiliar.

http://g1.globo.com/Noticias/0,,MUL652419-9982,00-DEUS+BIBLICO+PODE+SER+FUSAO+DE+VARIOS+DEUSES+PAGAOS+DIZEM+ESPECIALISTAS.html

=======================================================
COMENTÁRIO 

É uma coisa bastante óbvia e clara para qualquer um que estuda um mínimo de história dos hebreus. Achados arqueológicos vem confirmando aquilo que já era proposto por vários cientistas da religião, e ensinado através dos tempos pelas escolas esotéricas (que não podiam ensinar em público sob pena de perseguição do poder político-religioso institucionalizado).

Porque essa fusão aconteceu? Primeiro, temos que saber que estamos falando de uma região chamada Canaan, onde hoje seria o território de Israel. Essa região não era um Estado mas dividida em várias cidades-estado. Cada cidade-estado tinha sua própria religião, porém, como a arqueologia tem mostrado, sempre houve uma proeminência de um Deus Absoluto e superior a todos entre esses povos. O que mais é espantoso é que essas divindades dessas várias cidades-estados foram ABSORVIDAS pelos hebreus (povos invasores vindos da mesopotâmia, atual Iraque) e PASSARAM A SER CITADAS NA BÍBLICA COMO TÍTULOS E NOMES DO DEUS SUPREMO HEBREU.

O primeiro de todos é EL, que é o Deus Supremo dos cananeus (habitantes de canaan). El é referido na bíblia como simplesmente DEUS, e acabou virando Alah nas línguas arábicas. EL dos cananeus é um ANCIÃO SÁBIO VIVENDO NO ALTO DE UMA MONTANHA. Trata-se exatamente da imagem de Deus mais popular entre os antigos hebreus e que perpassa toda a bíblia. Ele é inclusive referido como o ANCIÃO DOS DIAS na bíblia.

Os outros "nomes" divinos como El Elyon (Deus Altíssimo, que deu origem á ELOHIM, substantivo no PLURAL que se refere a Deus como muitos e, para desconhecimento da maioria da população ignorante, é a palavra mais recorrente na Torah para se referir a Deus, evidenciando claramente que se trata de uma fusao de Deuses cananeus), El Shadday (Deus da Montanha) são na verdade nomes de deuses cananeus que foram fundidos em uma única divindade (Yahweh) pelos hebreus ao longo dos tempos, como forma de unificar o povo sob um único Poder Político e impedir facções e guerras civis.

Porque houve essa fusão? Ora, simplesmente porque os hebreus habitaram em Canaan e foram absorvendo, por meio do sincretismo, as divindades, práticas e até mesmo a língua dos povos. Isto é algo absolutamente normal. Com o tempo, os autores da bíblia modificaram a história, tentando passar a ideia de que o povo hebreu adorava seu Deus desde muito tempo atrás e que esse culto jamais foi "maculado" ou mesclado com outros... Na verdade, muito mais do que isso, esse culto se originou de outros, como a própria bíblia nos revela.

Tem-se que entender que, por trás dos textos ditos religiosos, principalmente em textos como a Torah (o pentateuco bíblico), há uma enorme carga POLÍTICA e ECONÔMICA influenciando toda a história. A própria história do período no qual os textos foram produzidos nos revela as motivações. Antes de tudo, temos povos nômades (exemplo, Abraão) que buscam uma terra fértil para se assentar definitivamente e fazer crescer sua descendência. Quer-se PAZ E SEGURANÇA, pois o nomadismo requer constante vigilância contra ladrões, outros povos, reis, captores de escravos e etc. Se você é um nômade, normalmente todos os outros povos são seus inimigos. Isso significa que TODOS OS OUTROS DEUSES SÃO TAMBÉM SEUS INIMIGOS  e só o seu deus é verdadeiro...

Assim começou toda a trama dos hebreus tentando conquistar a fértil (antigamente era) terra de canaan. O escritor dos textos obviamente adulterou os fatos históricos, acrescentando elementos fantásticos para corroborar a sua opinião política de que "só o meu deus é o verdadeiro e esta terra me pertence". Ainda hoje a motivação da existência de Israel é simplesmente ser esse país uma torre de vigilância dos EUA no Oriente médio, para nao-colonizar os países ao redor e exercer influência.

O Novo Testamento também foi escrito por pessoas que adulteraram os fatos históricos e acrescentaram mitos (inclusive egípcios, mitraicos, etc) para impor a sua verdade sobre as outras.

Mas, além de tudo isto, toda essa falsificação histórica, existe um traço que os autores não podem esconder, que é o traço psicológico. Tanto nas mitologias quanto nos textos sagrados existe o inconsciente dos autores falando... Esse inconsciente usa de arquétipos para expressar a psiqué do próprio autor. Daí os textos religiosos requererem uma interpretação alegórica. Os personagens são tipos, arquétipos, representantes da psiquè de toda a humanidade. Existe um significado oculto sobre nós mesmos nos textos.

Portanto, deve-se separar de textos como a bíblia os elementos:

- históricos 
- político-econômicos
- fantástico-mitológicos
- arquetípico-psicológicos


===========================================================


A ORIGEM DO NOME DE D´US
Ugarit e a Bíblia
1. Introdução.
A antiga cidade estado Cananéia de Ugarit1 é de extrema importância para aqueles que estudam o Antigo Testamento. Situado na costa da Síria, o porto de Ugarit existia desde os começos do segundo milênio. Em cerca de 1350 a. C. apareceu uma escritura cuneiforme por incisão de uma ponta sobre a argila úmida. Antes que a invasão dos povos marítimos, pelo ano de 1175 a. C, destruísse esta civilização, muitos textos foram imortalizados desta maneira, compreendendo inscrições votivas, sortilégios, orações, listas de deuses e sobretudo mitos antigos de idade incerta.
A literatura da cidade e da teologia contida ir muito longe para nos ajudar a compreender o significado de várias passagens bíblicas, bem como ajudando-nos a decifrar as palavras difíceis hebraicos. Ugarit foi no seu auge político, religioso e econômico em todo o século 12 aC e, assim, o seu período de grandeza corresponde com a entrada de Israel em Canaã. No panteão de Ugarit destacam-se: ElBaalAthiratAnat e outros. Entre estes outros deuses de Ugarit, há o Ars wa-Shamem (Terra-e-Céu), um deus e uma deusa lunares, algumas filhas de deuses: a estrela da manha e a estrela da noite (Vênus), Kothar o ferreiro, Rashap o malvado e outros deuses de importação. Os antepassados, em particular aqueles que pertencem a uma linhagem real, eram deificados e tornados objetos de um culto, paralelamente a toda uma assembleia de divindades inferiores sem nomes individuais.
Por que as pessoas interessadas no Antigo Testamento, tem quer saber sobre esta cidade e seus habitantes? 
mitologia ugarítica está completamente impregnada de lutas pelo poder, entre El e Baal e entre este e seusadversários. Entre estes conflitos, um dos mais conhecidos é o existente entre Baal e a divindade aquática Yamm, representada ora como um ser humano ora como um monstro marinho. Encorajado pelo seu pai El, Yamm prepara-se para destronar Baal, mas este, com a ajuda das armas mágicas fabricadas por Kothar, o ferreiro divino, acabará por ganhar o duelo. O combate lembra evidentemente a derrota do monstro marinho Tiamat vencido pelo deus mesopotâmico Marduk, segundo a quarta tabuinha da Gênese babilônica Enuma Elish, assim como a vitória de IHWH sobre o mar em certos Salmos e em Jó 26, 12-13.
Um outro combate opõe Baal a Mot, a Morte, um outro rival que descende de El. No esquema da natureza, o reino de Baal é associado à fertilidade e à abundância, enquanto o reino da morte significa seca e fome. Após terem sido trocados os mensageiros que visitam Mot no seu abrigo de lama e lixo, Baal aceita render-se no mundo inferior, envolto pelo seu cortejo de chuva, vento e nuvens. Uma lacuna interrompe o seguimento da história. Quando ele é retomado, Baal está morto, causando assim a tristeza de El e Anat, dado que nenhum filho de El é capaz de subir ao trono. Após ter enterrado Baal, Anat encontra Mot e reduz ele literalmente a poeira: ela retalha o, criva-o, queima e tritura, e depois semeia nos campos para que ele seja comido pelos pássaros. A relação entre estes episódios é obscura, mas é após o esquartejamento de Mot que El sonha que Baal e a prosperidade voltarão ao país, o que acontece efetivamente. Por sua vez, Mot não está eliminado; mas sete anos mais tarde Baal alcançará uma vitória decisiva sobre ele, que lhe restituirá a realeza para toda a eternidade.
Os textos de Ugarit contêm também as histórias de Kirta e de Aqhat. Ambas começam com o episódio de um rei justo afligido pela esterilidade, um tema retomado pelo Antigo Testamento. Os deuses põem fim à sua tristeza, mas misturam-se daí em diante com o destino dos humanos. Anat decide a morte de Aqhat, o filho desejado, quando este o insulta e lhe recusa o seu arco mágico. Kirta obtém uma esposa num combate, mas esquece a promessa a Asherah e cai doente. Mais tarde, um dos seus filhos acusa-lo á de injustiça no governo do seu reino. Apesar das lacunas dos textos, esta literatura possibilita-nos um olhar sobre o mundo histórico, mitológico e religioso que os israelitas virão ocupar e do qual transmitirão o reflexo à cultura ocidental. Nisto quando ouvimos a leitura Velho Testamento , observamos que vários dos salmos foram simplesmente adaptados a partir de fontes ugaríticos, e a linguagem da Bíblia é bastante iluminado pela linguagem de Ugarit.  Em suma, quando se tem bem na mão da literatura e da teologia de Ugarit, uma está no bom caminho para ser capaz de compreender algumas das ideias mais importantes contidas no Antigo Testamento. 
Uma das figuras mais proeminentes nos textos bíblico é El – nome que quer dizer simplesmente “deus” nas antigas línguas da região, mas que também se refere a uma divindade específica, o patriarca, ou chefe de família, dos deuses. “Patriarca” é a palavra-chave: o El de Ugarit tem paralelos muito específicos com a figura de Deus durante o período patriarcal, retratado no livro do Gênesis e personificado pelos ancestrais dos israelitas: Abraão, Isaac e Jacó. Nesses textos da Bíblia há, por exemplo, referências a El Shadday (literalmente “El da Montanha”, embora a expressão normalmente seja traduzida como “Deus Todo-Poderoso”), El Elyon (“Deus Altíssimo”) e El Olam (“Deus Eterno”). O curioso é que, na mitologia ugarítica, El também é imaginado vivendo no alto de uma montanha e visto como um ancião sábio, de vida eterna. Tal como os patriarcas bíblicos, El é uma espécie de nômade, vivendo numa versão divina da tenda dos beduínos; e, mais importante ainda, El tem uma relação especial com os chefes dos clãs, tal como Abraão, Isaac e Jacó: eles os protege e lhes promete uma descendência numerosa. Ora, a maior parte do livro do Gênesis é o relato da amizade de Deus com os patriarcas israelitas, guiando suas migrações e fazendo a promessa solene de transformar a descendência deles num povo “mais numeroso que as estrelas do céu”.
A descoberta de Ugarit e os Textos ugaríticos são importante
Em 1928 um grupo de arqueólogos franceses viajaram com 7 camelos, um burro, e alguns portadores de carga em relação ao tel conhecido como Ras Shamra. Depois de uma semana no local, eles descobriram um cemitério a 150 metros do Mar Mediterrâneo. Nos túmulos descobriram arte egípcia e fenícia e alabastro. Eles também encontraram alguns materiais Mycenean e Chipre. Após a descoberta do cemitério encontraram uma cidade e um palácio real de cerca de 1000 metros do mar em um tel 18 metros de altura. O tel foi chamado pelos moradores Ras Shamra que significa "erva-doce colina".  Há também artefatos egípcios foram descobertos e datado para o segundo milênio aC. A maior descoberta feita no local era uma coleção de comprimidos esculpidas com escrita cuneiforme (a então) desconhecida. Em 1932, a identificação do local foi feita quando alguns dos comprimidos foram decifrados, a cidade foi o local antigo e famoso de Ugarit.
Ugarit experimentou uma história muito longa. A cidade foi construída no local no período neolítico por volta de 6000 aC. A evidência mais antiga escrita da cidade é encontrado em alguns textos da vizinha cidade de Ebla escrito por volta de 1800 aC. Naquele tempo, tanto Ebla e Ugarit foram sob a hegemonia egípcia, o que mostra que o longo braço do Egito se estendia ao longo da costa oeste do Mar Mediterrâneo (para Ugarit está localizado no moderno leste dias Síria cerca de mortos da costa NE de Chipre sobre a costa da Síria). A população de Ugarit na época era cerca de 7635 pessoas. A cidade de Ugarit continuou a ser dominado pelos egípcios através de 1400 aC. Todos os comprimidos encontrados em Ugarit foram escritos no último período de sua vida (cerca de 1300-1200 aC). Os reis deste último período e maior foram:
1349
"Eu Ammittamru
1325
Niqmaddu II
1315
Arhalba
1291
Niqmepa 2
1236
"Ammitt1193-Niqmaddu III
1185
"Ammurapi
No período 1200 - 1180 da cidade abruptamente declinaram e, em seguida, misteriosamente chegou ao fim. Os textos que foram descobertos em Ugarit despertou interesse por causa de seu sabor internacional. Ou seja, os textos foram escritos em uma das quatro línguas; sumério, acádio, Hurritic e ugarítico. Os comprimidos foram encontrados no palácio real, na casa do Sumo Sacerdote, e algumas casas particulares dos cidadãos evidentemente líderes. Estes textos, como mencionado acima, são muito importantes para o estudo do Antigo Testamento. A literatura demonstra que Israel ugarítico e Ugarit compartilhavam uma herança comum e uma linhagem literária comum linguística. Eles são, em suma, línguas e literaturas afins. Assim, podemos aprender muito sobre uma coisa da outra. Nosso conhecimento da religião do Antigo Síria-Palestina e Canaã foi grandemente aumentada pelos materiais ugaríticos e seu significado não pode ser negligenciado. Temos aqui, por assim dizer, uma janela aberta sobre a cultura e a religião de Israel em seu período mais antigo.
A partir da literatura de Ugarit à Literatura da Bíblia
O estilo de escrita descobertos em Ugarit é conhecida como cuneiforme alfabético. Esta é uma mistura única de uma escrita alfabética (como o hebraico) e cuneiforme (como acádio), portanto, é uma mistura única de dois estilos de escrita. O mais provável é que surgiu como cuneiforme estava passando a partir dos scripts de cena e alfabética estavam fazendo sua ascensão. Ugarítico é, assim, uma ponte de um para o outro e muito importante, por si só para o desenvolvimento de ambos. Um dos mais, se não talvez o aspecto mais importante, de estudos ugaríticos é a assistência que dá corretamente traduzir palavras hebraicas difíceis e passagens no Antigo Testamento. Como uma linguagem desenvolve o significado de alterações palavras ou o seu significado é perdido completamente. Isto também é verdade do texto bíblico. Mas após a descoberta dos textos ugaríticos ganhamos novas informações sobre o significado das palavras arcaicas no texto hebraico.
Um exemplo disso é encontrado em Provérbios 26:232. No texto hebraico אֱמֶת קְנֵה וְאַל־תִּמְכֹּר חָכְמָה וּמוּסָר וּבִינָה, está dividido assim como é aqui. Isso fez com que os comentaristas um pouco de confusão ao longo dos séculos, para o que significa "lábios de prata" significa? A descoberta dos textos ugaríticos nos ajudou a entender que a palavra foi dividida de forma incorreta, o escriba, em hebraico (que era tão estranho como nós somos com o que as palavras deviam dizer). Em vez das duas palavras acima, os textos ugaríticos levar-nos a dividir as duas palavras como  que significa "como prata". Isso faz sentido no contexto eminentemente mais do que a palavra erroneamente dividido pelo escriba hebreu que não estava familiarizado com a segunda palavra, assim ele dividido em duas palavras que ele sabia mesmo que ele não fazia sentido.
A poesia ugarítica é muito semelhante à poesia bíblica e, portanto, muito útil na interpretação de textos poéticos difíceis. Na verdade, a literatura ugarítico (além de listas e semelhantes) é composto completamente em metros poética. Poesia bíblica segue Ugaritc poesia em forma e função. Há um paralelismo, qinah metros, colas bi e tri, e todas as ferramentas poéticas encontrados na Bíblia são encontrados em Ugarit. Em resumo os materiais ugaríticos têm muito a contribuir para o entendimento dos materiais bíblicos, especialmente desde que antecedem qualquer um dos textos bíblicos.
Os profetas do Antigo Testamento tinha um fúria contra Baal, Asherah e vários outros deuses como nos mostra quase todas as páginas da bíblia sagrada. A razão para isto é simples de entender, o povo de Israel adoraram esses deuses, juntamente com, e às vezes em vez de, Javé, o Deus de Israel. Essa denúncia bíblica desses deuses cananeus recebeu uma cara nova quando os textos foram descobertos ugaríticos, para em Ugarit eram os próprios Deuses que eram adorados. El era o deus principal em Ugarit. No entanto, El também é o nome de Deus usado em muitos dos Salmos para o Senhor, ou pelo menos essa tem sido a pressuposição entre os cristãos piedosos. No entanto, quando se lê os Salmos e os textos ugaríticos vê-se que os atributos próprios para que o Senhor é aclamado são os mesmos para que El é aclamado. Na verdade, esses Salmos eram mais prováveis ​​hinos originalmente ugaríticos ou cananéia a El que foram simplesmente adotadas por Israel. El é chamado de "pai dos homens", "criador" e "criador da criação". Esses atributos também são concedidos por Javé no Antigo Testamento.
Outras divindades adoradas em Ugarit foram El Shaddai, El Elyon, e El Berith. Todos esses nomes são aplicados ao Senhor pelos escritores do Antigo Testamento. O que isto significa é que os teólogos hebreus adotado os títulos dos deuses cananeus e os atribuiu ao Senhor em um esforço para eliminá-los. Se o Senhor é tudo isso não há necessidade de que os deuses cananeus de existir! Este processo é conhecido como assimilação.
Além do deus chefe da Ugarit também havia deuses menores, demônios e deusas. O mais importante desses deuses menores foram Baal (familiar a todos os leitores da Bíblia), Asherah (também familiar aos leitores da Bíblia), Yam (o deus do mar) e Mot (o deus da morte). O que é de grande interesse aqui é que Yam é a palavra hebraica para mar e Mot é a palavra hebraica para a morte! É este, porque os hebreus também adotaram estas ideias cananeus também? O mais provável é que eles fizeram. Um dos mais interessantes dessas divindades menores, Asherah, desempenha um papel muito importante no Antigo Testamento. Lá, ela é chamada a esposa de Baal, mas ela também é conhecida como a consorte3 do Senhor! Ou seja, entre alguns Yahwists ” “Javista”, Ahserah é contraparte feminina do Senhor! Inscrições encontradas em Ajrud Kuntillet "(datado entre 850 e 750 aC) diz:
ENUMA ELISH O SEGUNDO MITO DA CRIAÇÃO
O Enuma Elish4 é um texto muito complexo, assim temos que ter o espírito de um desbravador, aberto pra novas interpretações e questionamentos do texto sagrado.A prova mais antiga que se tem retrata a criança do universo em um mito chamado Enuma Elish4. O texto foi escrito em sete placas de argila, tento cerca de cento e cinquenta linhas. Na região neobabilônica ele é sempre recitado pelo povo na festa do ano novo.
Segundo o Enuma Elish, os deuses surgiram aos pares, de uma Massa informe, aguada uma substância que pertencia, ela própria, ao mundo divino5. No mito e depois na própria Bíblia não houve criação a partir do nada, uma ideia inexistente no mundo antigo. Antes que existissem os deuses ou os seres humanos, havia essa Matéria Prima Sagrada, desde toda a eternidade. Ao tentar imaginar esse material espiritual divino, os babilônios pensaram que deveria ser semelhante às terras pantanosas da Mesopotâmia, onde as inundações ameaçavam constantemente destruir as frágeis obras dos homens. No Enuma Elish, o caos não é, portanto, uma massa ígnea fervilhante, mas um bolo mole no qual não existem limites, definição ou identidade.
Quando os céus acima não existiam ainda e nem a terra abaixo, Apsu o oceano de água doce estava lá, o primeiro, o procriador, e Tiamat, o mar de água salgada, ela que criou tudo; eles ainda estavam misturados em suas águas, e nenhuma pastagem ainda tinha sido formada, nem mesmo um pedaço de pântano... - Enuma Elish
“Quando o doce e o amargo se misturaram, nenhum junco foi trançado, nenhuma palha sujou a água, os deuses não tinham nome, natureza ou futuro.” - Enuma Elish
Então surgiram três deuses do pântano primal: “Apsu6”, o deus das águas dos rios, sua esposa “Tiamat7, deusa do mar salgado e “Mummu8”, o “Ventre do Caos”. Mas esses deuses eram, por assim dizer, um modelo primitivo inferior, que precisava de aperfeiçoamentos. Os nomes “Apsu” e “Tiamat” podem ser traduzidos como “abismo”, “vazio” ou “fosso sem fundo”. Eles partilhavam a Informe Inércia9original, e ainda não haviam atingido uma identidade nítida. Em consequência, emanou deles uma sucessão de outros deuses, num processo conhecido como “Emanação10”, que iria se tornar muito importante na história da ideia de Deus.
Os novos deuses surgiram, um do outro, aos pares, cada um dos quais adquirindo uma maior definição que o anterior, à medida em que avançava essa evolução divina. Primeiro vieram “Lahmu” e “Lahamn” (os nomes significam ‘aluvião’: água e terra continuam misturados). Em seguida “Ansher” e “Kishar”, identificados respectivamente com os horizontes do céu e do mar. Depois vieram “Anu” (o céu) e “Ea” (a terra), e pareceram completar o processo. O mundo divino tinha céu, rios e terra, distintos e separados uns dos outros. Mas a criação apenas começara: as forças do caos e desintegração só podiam ser mantidas à distância graças a uma luta penosa e incessante.
Os deuses novos, dinâmicos, rebelaram-se contra seus pais, mas embora Ea conseguisse dominar Apsu e Mummu, não pôde submeter Tiamat, que produziu toda uma raça de monstros deformados para lutar por ela. Felizmente, Ea tinha um filho maravilhoso: “Marduk”, o deus sol, o mais perfeito de toda a linhagem divina. Numa reunião da Grande Assembleia dos deuses, Marduk prometeu combater Tiamat, com a condição de tornar-se governante deles. Contudo, só com grande dificuldade conseguiu matar Tiamat, após uma longa e perigosa batalha.
Nesse mito, a Criação é uma luta, travada laboriosamente contra dificuldades arrasadoras.Mas Marduk acaba de pé sobre o vasto cadáver de Tiamat, e decidiu criar um novo mundo: dividiu o corpo de Tiamat (o mar) em dois, para formar o arco do céu e dos homens; depois, criou as leis que iriam manter tudo em seu devido lugar. Devia-se alcançar a ordem. Mas a vitória não era completa. Tinha de ser restabelecida, por meio de uma cerimônia especial, ano após ano. Em consequência, os deuses se reuniram no centro da nova Terra, e construíram um templo onde se podiam realizar os ritos celestes. O resultado foi o grande Zigurate (torre-templo) em homenagem a Marduk, “o templo terreno, símbolo do Céu infinito”. Quando ficou concluído, Marduk tomou seu lugar na reunião e os deuses gritaram: “Esta é Babilônia, cidade querida do deus (Marduk), seu amado lar!”. Depois realizaram a Leitura Sagrada “da qual o universo recebe a sua estrutura, o mundo oculto se faz claro e os deuses têm seus lugares atribuídos no universo”. Essas leis e rituais são obrigatórios para todos; até os deuses têm de observa-los para garantir a sobrevivência da criação.
O mito expressa o sentido interior da civilização, Eles sabiam muito bem que haviam sido seus próprios ancestrais que tinham construído o Zigurate,11mas a história do Enuma Elish articulava a crença em que sua empresa criativa só podia durar se partilhasse do poder do divino. O ritual da Leitura Sagrada que celebravam no Ano Novo fora criado antes que os seres humanos passassem a existir: estava escrita na própria natureza das coisas, à qual até os deuses tinham de se submeter. O mito também expressava a convicção de que a Babilônia era um lugar sagrado, centro do mundo e lar dos deuses uma ideia crucial em quase todos os sistemas religiosos da Antiguidade. A ideia de uma cidade santa, onde homens e mulheres se sentiam em íntimo contato com o poder sagrado, fonte de toda existência e eficiência, seria importante em todas as três religiões monoteístas.
Zigurate em BudapesteHungria O Zigurate de Ur , Nanna, anos de 2113 e 2096 a.C., e é um dos que se conservam em melhor estado, graças a Nabucodonosor II, cujo reinado durou entre 605 - 562 a.C., que ordenou sua reconstrução depois que os acádios o destruíram.
Por fim, quase como uma reconsideração, Marduk criou a humanidade. Pegou “Kingu12” (o aparvalhado13 consorte de Tiamat), matou o e modelou o primeiro homem misturando o sangue divino com o pó. Os deuses observaram, pasmos admirados. Há, porém, certo humor nessa visão mítica da origem da humanidade, que não é de modo algum o auge da criação, mas deriva de um dos deuses mais estúpidos e ineficazes. Mas a história estabelecia outro ponto importante: o primeiro homem fora criado da substância de um deus. Portanto, partilhava da natureza divina, por mais limitada que fosse a forma. Não havia fosso entre os seres humanos e os deuses.
O mundo natural, homens, mulheres e os próprios deuses, todos partilhavam da mesma natureza e derivavam da mesma substância divina. A visão pagã era holística, isto é, deuses não eram separados de homens, numa esfera ontológica separada. A divindade não era necessariamente diferente da humanidade. Portanto, não havia necessidade de uma revelação especial dos deuses, que baixasse orientações divinas do alto à Terra. Os deuses e seres humanos partilhavam da mesma situação, sendo a única diferença que os deuses eram maiores, mais poderosos e imortais.Essa visão holística não se limitou ao oriente médio, era comum no mundo antigo. No século VI aC, Píndaro expressou a versão grega dessa crença em sua ode sobre os jogos Olímpicos:
Única é a raça, única,de homens e deuses;de uma única mãe uns e outros tiramos alento.Mas uma diferença de poderEm tudo nos mantém separados;Pois um é o mesmo que nada,mas o brônzeo céu continuaUm hábito fixo para sempre.Contudo podemos, em grandeza da menteOu do corpo, ser como os Imortais.
Algumas comparação com o texto sagrado
E Deus disse: faça-se um firmamento entre as águas, separando uma das outras. E Deus fez o firmamento. Separou as águas que estavam debaixo do firmamento das águas que estavam por cima do firmamento. E assim fez (Gênesis 1, 6-8).
E no firmamento se estabeleceu então o domínio dos deuses da primeira tríade, que forma a cabeça do panteão babilônico. O Enuma Elish segue dizendo que Marduk propõe criar um ser que se chamará homem para dominar o espaço terreno, mas estará submetido a ele.
 Sangue com sangue, eu junto, sangue a osso, eu formo algo original cujo nome será homem. Os seres originais cuja feitura foi minha obra (Enuma Elish).
Então o Senhor Deus formou o homem do pó da terra, soprou-lhe nas narinas o sopro da vida e se tornou vivo (Gênesis 2,7).
 O ser criado pelos deuses, não foi criado por acaso. Ele deverá como agradecimento pela criação referenciar pela grande feito.
Que os homens e as mulheres sirvam os deuses na terra sem remissão (Enuma Elish).
 Ainda não havia nenhum arbusto do campo sobre a terra e a vegetação ainda não tinha brotado, porque o Senhor Deus ainda não fizera chover sobre a terra nem havia homem para cultivar o solo, extrair os mananciais da terra e irrigar a superfície do solo (Gênesis 2, 5-6).
Nestas duas histórias aqui fragmentadas mostram que a criação fora feita para prestar homenagem ao criador e cumprir uma missão que os deuses designaram. O homem é criado para suprir as necessidades dos deuses ou daqueles que em nome dos deuses os governa. Dos povos que escrevem seus relatos sobre a criação há uma necessidade de passar ao descendente os problemas que por sua origem enfrentam na condição presente, e ainda por muitas vezes o sofrimento é justificado pela classe que está no poder. Na sua ação, o homem primitivo imita seus deuses nos ritos e atualiza as ações primordiais dos deuses, pois estão convencidos de que a semente não brotará da terra, a mulher não será fecundada e a árvore não dará fruto e o dia não passará à noite caso o homem separa-se dos deuses, segundo o relato do Enuma Elish.
Mas o homem não levou a sério a ideia de submissão aos deuses ou ao Deus. Como a criação prometera ouve então a revolta dos criadores, ou do criador, contra a criatura. Diante da transgressão há a punição. O dilúvio fora a pena aplicada para exterminar as criaturas que não se submetera a vontade divina. O homem é livre para escolher, mas deve escolher aquilo que o levará a felicidade, porém a felicidade está apenas no criador. O relato babilônico que narrará o dilúvio é chamado de Atrahsis.
Disse Deus: entro de sete dias vou fazer chover sobre a terra quarenta dias e quarenta noites. Exterminarei da face da terra todos os seres que criei (Gênesis 7,4).
Segundo a tradição babilônica, Elil o deus que desencadeia o dilúvio, vem com toda ira cabível a um deus, para vingar o comportamento desobediente dos homens. Ea avisa a Um-nipipsht, mortal predileto desta deusa, para construir um barco e salvar sua família. Ea da a ele as medidas necessárias e que espécie de animais também deveria salvar.
- O Homem de Shurupak, escuta! filho de Ubar-Tutu, demole a tua casa, constrói um barco, renuncia aos bens, procura(só) a vida! Mete a bordo todas as espécies vivas.Do vaso que construirás as dimensões sejam medidas; seu comprimento e sua largura sejam iguais. Cobre-a de um teto a arca terá dimensões bem calculadas, leva a semente de todas as espécies vivas (Atrahsis14).
 Então Deus disse a Noé: "para mim, chegou o fim de todos os homens, porque a terra está cheia de corrupção e violência. Vou destruir os homens junto com a terra. Faça para você uma arca de madeira resinosa" (Gênesis 6. 13-14a).
 E através das lágrimas de Istar e da chuva bíblica desencadeia todo o processo de inundação. No mito babilônico há outro agravante, os deuses ao saberem que um mortal escapou, uma revolta ainda maior toma conta deles e acusam Ea de preveni-lo e este se defende:
- Apenas o favoreci com um sonho. Quanto o resto é com ele... (Atrahsis).
O NOME DO DEUS
Alguns dados, mais circunstanciais, quer traçam outros elos entre o Deus do Gênesis e El: num dos trechos aparentemente mais antigos do livro bíblico, Deus é chamado pelo epíteto poético de “Touro de Jacó” (frase às vezes traduzida como “Poderoso de Jacó”), enquanto a mitologia ugarítica compara El frequentemente a um touro. Finalmente, o próprio nome do povo escolhido Israel, originalmente dado como alcunha ao patriarca Jacó carrega o elemento “-el”.
É o nome do deus cananeu, mais um indício de que Israel surge dentro de Canaã, por um processo gradual, se Javé fosse desde sempre a divindade dos israelitas, o nome desse povo seria “Israías”. Isso porque o elemento adaptado como “-ías” em português (algo como -yahu) era, em hebraico, uma forma contrata do nome “Javé”. Curiosamente, o elemento se torna dominante nos chamados nomes teofóricos15 dados a israelitas no período da monarquia, a partir dos séculos 10 a.C. e 9 a.C. E esse nome (provavelmente Yahweh16 em hebraico; a sonoridade original foi obscurecida pelo costume de não pronunciar a palavra por respeito) é um enigma e tanto. As tradições bíblicas são um tanto contraditórias, mas pelo menos uma fonte das Escrituras afirma que Javé só deu a conhecer seu verdadeiro nome aos israelitas quando convocou Moisés para ser seu profeta e arrancar os descendentes de Jacó da escravidão no Egito. (A Moisés, Deus diz que apareceu a Abraão, Isaac e Jacó como “El Shadday”.) O problema é que ninguém sabe qual a origem de Javé, o qual nunca parece ter sido uma divindade cananéia, exatamente como diz o autor bíblico.
A semelhança entre Israel e os cananeus e a falta de qualquer indício direto da fuga. Mas muitos supõem que um pequeno componente dos grupos que se juntaram para formar a nação israelita tenha sido formado por adoradores de Javé, que acabaram popularizando o culto. Quem seriam esses primeiros javistas? Uma pista pode vir de alguns documentos egípcios, que os chamam de Shasu17algo como “nômades” ou “beduínos”. Com o avanço da ciência hoje já ser saber que há duas ou três inscrições egípcias mencionam um lugar chamado 'Yhwh dos Shasu', o que, para alguns especialistas, parece ser 'Javé dos Shasu'. Talvez sim, talvez não. Não temos como saber ao certo”, assi, diz Mark S. Smith, pesquisador da Universidade de Nova York e autor do livro “The Early History of God” (“A História Antiga de Deus”, ainda sem tradução para o português).
Hebraico Pronúncia Letra ou  "" ou  "H"וWaw ou Vav"V"הHe ou Hêi"H"
hebraico
pronucia
letra
י
Yodh
Y
ה
He ou Hêi "
H"
ו
Waw ou Vav
V"
ה
He ou Hêi
H"
Para alguns é menos provável que o culto a Javé venha de dentro da Palestina e da Síria, e um pouco mais plausível que ele tenha se originado em certas regiões da Arábia, para o professor Mark Smith18 lembra que algumas das passagens poéticas consideradas as mais antigas da Bíblia nos livros dos Juízes e nos Salmos, por exemplo referem-se ao “lar” de Javé em locais denominados “Teiman” ou “Paran”. Aparentemente, são áreas desérticas, apropriadas para a vida de nomadismo. “Muitos especialistas localizam essa região no que seria o noroeste da atual Arábia Saudita, ao sul da antiga Judá parte mais meridional dos territórios israelitas”. Indícios dessa nova “personalidade” de Deus surgem no fato de que, pela primeira vez na narrativa bíblica, Javé é visto como um guerreiro, destruindo os “carros de guerra e cavaleiros” do Faraó e, mais tarde, guiando as tribos de Israel à vitória durante a conquista da terra de Canaã. Tal como Baal, Javé é descrita como “cavalgando as nuvens” e “trovejando”. E, mais importante ainda, uma série de textos bíblicos falam de Deus impondo sua vontade contra os mares impetuosos (como no caso do Mar Vermelho, em que as águas engolem o exército egípcio por ordem divina), Há aí uma série de semelhanças com a mitologia cananéia sobre Baal.
Também Javé é associado à chuva e à fertilidade da terra pelos antigos autores bíblicos atributos que aparecem entre as funções de Baal. Há, porém, uma diferença importante entre os dois deuses: outra narrativa de Ugarit fala do assassinato de Baal pelas mãos de Mot, o deus da morte, e da ressurreição do jovem guerreiro provavelmente uma representação mítica do ciclo das estações do ano, essencial para a agricultura, já que Baal era um deus que abençoava a lavoura. O lado guerreiro de Javé é talvez o mais difícil de aceitar para a sensibilidade moderna: quando os israelitas realizam a conquista da terra de Canaã, a ordem dada por Deus é de simplesmente exterminar todos os habitantes, e às vezes até os animais (embora, em alguns casos, os homens de Israel recebam permissão para transformar as mulheres do inimigo em concubinas).
O textos de outra nação da área, os moabitas (habitantes de Moab, a leste do Jordão) ajudam a lançar luz sobre esse costume aparentemente bárbaro. Um monumento de pedra conhecido como a estela de Mesa (nome de um rei de Moab em meados do século 9 a.C.) fala, ironicamente, de uma guerra de Mesa com Israel na qual o rei moabita, por ordem de seu deus, Chemosh19, decreta o herem20, ou “interdito”. E o herem nada mais é que a execução de todos os prisioneiros inimigos como um ato sagrado. Tratava-se, portanto, de um elemento cultural de toda a região.
Lado Feminino
Se a “múltipla personalidade” de Deus pode ser basicamente descrita como uma combinação de El e Baal, há uma influência mais sutil, mas também perceptível, de um elemento feminino: a deusa da fertilidade Asherah, originalmente a esposa de Baal na mitologia cananéia. Normalmente, Deus se comporta de forma masculina na Bíblia, e a linguagem utilizada para falar de sua relação com os israelitas é, muitas vezes, a de um marido (Deus) e a esposa (o povo de Israel). Mas o livro bíblico dos Provérbios, bem como alguns outras fontes israelitas, apresenta a figura da Sabedoria personificada, uma espécie de “auxiliar” ou “primeira criatura” de Deus que o teria auxiliado na obra da criação do mundo.
Segundo o texto dos Provérbios, Deus “se deleita” com a Sabedoria e a usa para inspirar atos sábios nos seres humanos. Para muitos pesquisadores, a figura da Sabedoria incorpora aspectos da antiga Asherah na maneira como os antigos israelitas viam Deus, criando uma espécie de tensão: embora o próprio Deus não seja descrito como feminino, haveria uma complementaridade entre ele e sua principal auxiliar Asherah.
Alguns estudiosos dizem que as primeiras versões da Bíblia mostravam Asherah (ou Aserá, em português), a Deusa da Fertilidade, uma entidade poderosa e que seria a esposa de Deus. Uma pesquisa realizada pela doutora em teologia Francesca Stavrakopoulou21, revelou pistas à identidade da Deusa e teve sorte em encontrar menção a Ela na Bíblia. Se Stavrakopoulou estiver certa, a Deusa poderia estar mencionada no livro sagrado, mas como entidade masculina e os textos a seu respeito teriam sido retirados da Bíblia. O que resta sobre a suposta Deusa são outros indícios em textos antigos, amuletos e estatuetas desenterrados principalmente em uma cidade costeira da Cananéia antiga, região de Kuntillet Ajrud, agora na Síria moderna.
Inscrições em cerâmica encontradas no deserto do Sinai também mostram que Yahweh e Asherah (Jeová e Aserá) eram adorados como um par, e uma passagem no Livro dos Reis menciona a Deusa como sendo alojada no templo do Senhor. Stavrakopoulou, diz ainda que várias inscrições hebraicas mencionam "Yahweh e sua Asherah". Ele acrescenta que Asherah não foi inteiramente cortada fora da Bíblia por seu editores do sexo masculino. Ser explica que ela era uma divindade importante, símbolo de fertilidade no antigo Oriente, conhecida por sua força e cuidado. Afirma ainda que seu nome por vezes foi traduzido como “árvore sagrada”. Há relatos de que essa árvore foi “cortada e queimada fora do Templo, numa atitude de certos governantes que tentavam ‘purificar’ o culto e dedicar-se à adoração de um único Deus masculino, Yahweh”. ”Mas os vestígios dela permanecem e, com base nisso, podemos reconstruir o seu papel nas religiões do Levante do Sul”, conclui o estudo. 
Mais uma pesquisa ira prova que seus traços permanecem, os antigos israelitas eram politeístas, com base em estudo ser saber quer apenas uma pequena minoria adorando o Senhor sozinho antes dos acontecimentos históricos de 586 aC22 Naquele ano, uma comunidade de elite dentro da Judéia foi exilado para a Babilônia e do Templo de Jerusalém foi destruído.  Isto levou a "uma visão mais universal do monoteísmo estrito: um só deus, não só para Judá, mas para todas as nações." Os estudo mostra quer era uma divindade importante no antigo Oriente Médio, conhecida por sua força e qualidades carinhosas. Ela também era conhecida por vários nomes, como Astarte e Istar. Mas em traduções para a língua inglesa Ashereh foi descrita como "Árvore Sagrada" (ou "Árvore da Vida" em português).
"Isto parece ter sido em parte impulsionado por um desejo moderno, claramente inspirado pelas narrativas bíblicas, para se esconder mais uma vez Asherah atrás de um véu", diz Wright.
Esta surpreendente constatação dos estudiosos da teologia e da arqueologia religiosa, “Asherah “A Deusa Árvore na cultura Arabe e Hebréia.
“AISH” = fogo, (hebraico). “Aishah” = mulher, (hebraico). “Mulher de Fogo, oi  ‘Arbusto flamejante’”, a Árvore da Vida. “URA” o círculo ‘Serpente de fogo despertada’.
Esta árvore dá Deusa "ídolo" "Bem-aventurança, felicidade e fortuna. As mulheres foram para "bosques sagrados", onde elas adoravam a "ídola", "Mãe da árvore".  Cada mulher teve sua própria árvore e sentou-se debaixo dela, cursando poderosa força de vida em ascensão interna. A árvore foi abraçada por ela que apoiou as costas contra A árvore sagrada (mãe). "Ashah" significa "para saúde, para curar". "ASH-SHIRA" foi para a cultura árabe antiga (e moderna) a Estrela de SIRIUS. Aqui está a árvore da vida dos antigos, na comunicação biológica com as Estrelas. No capítulos finais do filme AVATAR nos mostra a dança.
A que pense que a adoração a esta deusa esteja morta, hoje em dia com a fundição dos deus gregos com os romanos aonde e o nascimento do cristianismo, ela esta escondida na imagem de Maria mãe de Jesus. A veneração feita à Virgem Maria é conhecida por Marianismo.Este dogma foi proclamado pela Igreja Católica no Concílio de Éfeso em 431, como sendo Maria a "Mãe de Deus", em grego Theotokos e em latim MateDei. O Concílio de Éfeso proclamou que;
"se alguém não confessa que o Emmanuel é verdadeiramente Deus, e que por isso a Santíssima Virgem é Mãe de Deus, já que engendrou segundo a carne o Verbo de Deus encarnado, seja anátema "(...)
A devoção e o culto à Virgem Maria têm sido expresso nas artes em especial na arte sacra e na arte religiosa desde os tempos dos Padres da Igreja até os tempos modernos, Para os cristãos protestantes, Maria é vista como uma mulher de alto mérito, respeitosa por ter vivido uma vida exemplar segundo os propósitos de Deus, porém, sendo ela cheia da Graça (aqui, o significado da palavra "graça" como algo não merecido, dado gratuitamente), era uma mulher comum, escolhida dentre outras para dar à luz ao Messias. Não se acredita, no protestantismo, que Maria seja a Mãe de Deus, no sentido estrito do termo, pois a natureza divina de Cristo é anterior à existência de Maria. Mas sim, que Deus se fez homem através de sua mãe, cumprindo o que tinha sido profetizado pelo profeta Isaías (Isaías 7:14).No IslãMaria, ou Maryam em árabe, é venerada no Islã, sendo mencionada no Corão mais que o todo o Novo Testamento Uma Sura no Corão é devotado a ela, intitulado "Sura de Maryam" e há uma extensiva cobertura sobre a vida de Maryam e seu filho Issa (Jesus em árabe) nos versos 3:35-47 e 19:16-34. O Islam crê na concepção virginal de Jesus.
http://www.ebah.com.br/content/ABAAAfHOQAJ/mito-ugarit-nome-deus

Nenhum comentário:

Postar um comentário